segunda-feira, 20 de março de 2017

“Ser Correcto vs. Não Querer Saber Do Que Os Outros Pensam”

Ser Correcto vs. Não Querer Saber Do Que Os Outros Pensam”


Comentário de Leitor do Cool Vibes:

2-Ao mesmo tempo que vendes a ideia que te estás a cagar para o que os outros pensam e que és completamente livre.
3- E é isto que me incomoda porque é falsamente genuíno. Não me incomoda o facto de queres ser mais atraente para as mulheres(1) , ou o facto de passar ideia que te estás a cagar (2) , é o conflito resultante da combinação das duas que me incomoda. É o gajo que diz que é correcto e depois vai assaltar o banco. A mim não me incomoda o assaltar o banco, o que me incomoda é o esforço pessoal de tentar passar a imagem de correcto.”


Resposta, comentários:

Este é um mal entendido perfeitamente compreensível. São duas atitudes que em aparência parecem contraditórias, logo a confusão é legítima. Mas é tudo uma questão de intenção e contexto, que passo a explicar.

Então como raio é que uma pessoa pode ser correcta e ao mesmo tempo não querer saber do que os outros pensam? Como é que isso é possível? Bom, não é possível quando a razão pela qual a pessoa é correcta tem a ver com querer agradar aos outros. Ou seja, quando a intenção é obter a validação/aceitação/aprovação dos outros. Neste caso a pessoa está a ser correcta pois quer saber do que os outros pensam em relação a ela. Neste caso específico, neste contexto, com esta intenção, é claro uma óbvia contradição. E das duas uma: a pessoa ou está a fingir ser correcta, ou está a fingir não querer saber do que os outros pensam.

Agora vamos analisar brevemente o que os termos significam.

Ser correcto: ter maturidade, ser responsável, educado, ter empatia, honestidade, humildade, ser generoso, justo, bondoso, etc. São qualidades positivas que vêm de integridade e poder.

Não falo aqui do falso correcto, ou seja, de ser bonzinho, politicamente correcto ou pseudo-santinho (basicamente o totó sem autenticidade e sem auto-respeito que finge ser assexuado tipo anjo, e finge nunca estar chateado, por exemplo).

Essas atitudes são um teatro que tem como objectivo obter o máximo de validação e evitar ao máximo a rejeição. É um mecanismo de defesa do nosso lado animal para optimizar as suas possibilidades de sobrevivência. Ele foi criado e programado para funcionar a um nível primitivo, na selva, quando vivíamos em pequenas tribos de dezenas de pessoas. Nesse contexto ser rejeitado significava quase de certeza ser expulso da aldeia, e ter de enfrentar o mundo selvagem sozinho, onde a morte era certa, devido a ataques de animais selvagens, doenças, etc. Logo o nosso lado animal inconsciente tem medo de ser rejeitado e tenta ser aprovado pelo maior número de pessoas, pois quantas mais pessoas gostarem dele, mais apoio ele tem para garantir a sua sobrevivência. Faz sentido e é aceitável, mas leva a uma mentalidade fraca e negativa, e a um narcisismo que só traz sofrimento que poderia ser evitado.

Agora o outro termo: ser completamente livre, ou seja, estar a cagar para o que os outros pensam. Eu gosto do termo “estar a cagar”, é sincero e revela logo a atitude sem por-se com tretas para não parecer mal. Seja como for, o não querer saber do que os outros pensam significa ser emocionalmente independente. Por sua vez, ser emocionalmente independente significa que não se precisa da validação dos outros. E é aqui que se começa a desfazer a contradição.

Uma pessoa pode ser correcta (decente, íntegra, etc) e ao mesmo tempo não querer saber do que os outros pensam (ser emocionalmente independente), pois a intenção com que é correcta não é para obter a validação dos outros, mas porque a pessoa está num nível de consciência de tal satisfação e preenchimento interior, que segue automaticamente e espontaneamente certos princípios de integridade que por sua vez alimentam esse bem estar interior. Ou seja, a pessoa é correcta pela satisfação interior de ser correcta, e não pelo que os outros acham disso. Não para agradar e obter validação, mas sim porque quando é correcta ela sente-se bem com ela própria, sente-se satisfeita por ser assim. Se os outros apreciam isso ou não, é-lhe indiferente.

E porque esta pessoa é íntegra, mas não politicamente correcta, está livre da necessidade de validação dos outros, e por isso tem automaticamente a capacidade de ter auto-respeito. Ou seja, se alguém a desrespeita de alguma forma, ela reage e defende-se, podendo dizer e fazer coisas que em aparência não parecem ser de pessoa correcta (rejeitar, ferir o orgulho do outro, etc) mas são correctas nesse contexto de proteger aquilo que ama (auto-respeito = amor). E essa pessoa só consegue fazer isso pois não precisa da validação da pessoa que a está a desrespeitar, pois se precisasse seria mais um caso do totó de quem abusam e deixa continuar a abusarem.

Ou seja, estar a cagar para o que os outros pensam, não é não querer saber dos outros como ser humano. É não querer saber da sua validação. Logo não vem de narcisismo e ódio, vem de integridade e confiança. Logo vem de poder, vem de um estado e nível positivo. Logo não leva a pessoa a desrespeitar por desrespeitar, não leva a pessoa a querer magoar ou prejudicar os outros intencionalmente, muito menos a leva a cometer crimes. A pessoa correcta, ou íntegra, não quer saber da validação dos outros, mas quer saber de princípios, morais e ética. Quer saber do bem estar dos outros, e respeita a existência dos outros. Não quer saber do que os outros pensam dela, mas tem consideração pelos outros. E como não anda à caça da validação dos outros, consegue ser selectiva e rejeitar aqueles que percebe que só lhe iriam trazer problemas, complicar a vida e magoar. Resumindo, aqueles que por uma razão ou outra, conscientemente ou inconscientemente, seriam mal intencionados por serem demasiado negativos e narcisistas.

É tudo uma questão de energia.

As pessoas que querem saber do que os outros pensam delas precisam da validação dos outros pois essa validação traz-lhes uma energia e bem estar interior que só por elas, como são em essência, não conseguem sentir. Sozinhas não têm acesso a esse bem estar e energia. Logo essas pessoas são correctas (o bonzinho, politicamente correcto e pseudo-santinho), para obterem essa validação.

As pessoas que não querem saber do que os outros pensam delas não precisam da validação dos outros, pois são emocionalmente independentes. Isto significa que por elas, sozinhas, conseguem sentir um determinado bem estar e têm acesso a um certo nível de energia, devido a como são e como vivem a vida (com decência, honra, dando o melhor em tudo o que fazem, com coragem, autenticidade, etc). Não querem saber da validação dos outros, mas querem saber da felicidade dos outros, e respeitam isso. Não querem obter a validação, mas têm morais, ética e princípios, e por isso são correctas. Mas num contexto em que são desrespeitadas, em que a sua vida e felicidade sao ameaçadas, por não precisarem da validação conseguem defender-se como for necessário, chegando a rejeitar e ferir o orgulho dos outros, ou mesmo num caso extremo, matar em auto-defesa. Estas pessoas não decidem fazer o que fazem conforme o que os outros pensam (dependência de validação), mas fazem sim o que realmente as deixa satisfeitas (autenticidade = amor próprio, pois só é autêntico quem se aceita como é). É como um artista que pinta a óleo. Ele pinta o que quer e lhe apetece, o que o faz sentir bem e preenche interiormente, o que o inspira, e pinta à sua maneira aquilo que gosta. O que os outros acham ou deixam de achar é-lhe irrelevante, pois ele não pinta por validação, mas sim por amor.

Espero ter conseguido deixar menos confusa esta aparente contradição. Num caso há sem dúvida contradição e um nível de falsidade, mas no segundo caso não há qualquer contradição. Pode parecer que há em aparência, mas não há em essência.

Para acabar, se costumas acompanhar o Cool Vibes sabes que este é um local onde a verdade é valorizada. Não na perfeição, mas sempre com esforço e boa intenção. Eu sou imperfeito a fazer o que faço, mas faço-o com amor. E se tens vindo ao Cool Vibes recentemente, já deves saber dos comentários ofensivos que recebi, aos quais respondi por post. Eu andei a receber destes comentários ofensivos quase todos os meses desde Julho de 2016. Decidi responder o melhor possível aos últimos, pois apesar de desagradáveis algo em mim via ali um simples mal entendido como principal problema, e por isso decidi fazer o meu melhor para o esclarecer, procurando compreender esta pessoa que me atacava. Agradeço todos os comentários de apoio, e tenho a dizer que esta pessoa acabou por compreender e foi humilde. Não quero que ninguém fique com uma ideia errada desta pessoa, pois apesar das suas ofensas, foi um mal entendido. Este é um local de alegria, humor e tranquilidade, em que se valoriza o que é positivo, o amor e a verdade. Logo coloco em baixo o último comentário que esta pessoa enviou:

Completamente de acordo, agora percebi que interpretei tudo mal. O último parágrafo que escreveste é esclarecedor, eu pensava que ias ao badoo por necessidade e não por diversão. E mesmo que fosse por necessidade, eu não tenho o direito de te criticar violentamente por isso. Eu cataloguei-te logo como um frustradao orgulhoso que odeia as mulheres e que faz audios depreciativos das relações de forma geral e que tem pessoal a seguir o que tu dizes. Foi um grande erro, percebi depois de ler a resposta, percebi que lidas-te com todas esta situação de forma elegante, respeitadora e honesta. Pensava que eras um falhado que não tinhas onde cair morto, mas depois do que escreves-te percebi que não o podes ser.

O que escreveste acima não é compatível com a percepção equivocada que tive de ti até agora. Eu pensava que tu eras mesmo aquela pessoa frutrada que só está bem a criticar o que os outros têm de bom e tentar sabotar a confiança dos outros e tu deves ter pensado exactamente o mesmo de mim. Antes tinha vergonha de ter o meu nome conotado a este site daí os perfis falsos, agora já não tenho porque isto afinal não é um site de falhados, é um sítio para as pessoas buscarem inspiração para serem mais felizes. Obviamente que isto é uma coisa que eu apoio e que valorizo. Peço-te desculpa mais uma vez pelos inúmeros insultos estava a ver tudo mal, eu não te estava a insultar a ti, estava a insultar constantemente a ideia errada de gajo frustrado, crítico e mal com a vida tinha acerca de ti que percebi agora depois de ler o que está acima que estava errada desde o início. Agora continuo com vergonha de dar a cara, por ter criticado violentamente/hardcore e da melhor forma que consegui algo que afinal eu também valorizo. Afinal não atacas quem é bom naquilo que faz, afinal valorizas quem ganha, quem é bom naquilo que faz.

As minhas sinceras desculpas mais uma vez. Não consigo dar a cara depois da merda que escrevi aqui no passado, porque eu já não tenho problema de ver o meu nome conotado a este site, mas tenho problema de ver o meu nome associados aos insultos que escrevi acerca deste site que afinal percebi que passa coisas que eu valorizo também.

Estás perdoado. O mal entendido é aceitável, e a tua recente atitude de compreensão, honestidade e humildade é o que conta agora. Por isso, não tens de dar a cara se não quiseres, mas também não tens de ter vergonha de nada. Se achares que há algo no Cool Vibes do teu interesse, és bem-vindo a cá voltares quando quiseres.

Obrigado pelo teu comentário.

Segue o que Amas,

- Pedro C.

9 comentários:

David Nunes disse...

Excelente post :)

Joel Pinto disse...

Sim senhor :)

Só não bato palmas porque não dá por mensagem! haha

A forma como o Pedro lidou com tudo isto apenas demonstra aquilo que já sei sobre ele!
Não só demonstrou excelência e elegância mas foi humilde e vulneravel ao ponto de admitir os seus pequenos defeitos que não têm nada a apontar :) E ele não tinha de o fazer!
Perante tais comentários, qualquer pessoa ficaria na defensiva e atacaria de volta, mas o Pedro não é uma pessoa qualquer!

Aliás, é talvez a pessoa mais inspiradoras que conheço e este blog praticamente salvou-me a vida em 2010 !! hahaha

Hoje tenho uma vida muito mais fixe e estimulante em todos os sentidos pois tive fé e segui o que me foi sugerido aqui no Cool Vibes e pelo David Hawkins! E o melhor está para vir!!
Conhecer o Sr. Constantino é altamente e ser amigo dele é brutal, pois pessoas assim são tão raras que não conheço praticamente mais nenhuma hahaha Sinto-me muito grato!

Ainda bem que reconheces que estavas errado/a (seja lá qual for o teu sexo) pois é o primeiro passo em direcção a algo melhor! E quem sabe não tenhas acabado de dar esse passo!


Sê feliz!

Pedro C. disse...

David Nunes:

Obrigado David!

Abraço :)

Pedro C. disse...

Joel Pinto:

Não dá para bater palmas mas quase que se ouvia os teus dedos a teclar, o que é parecido xD

Obrigado pelas tuas palavras!

Fico feliz por saber que o meu sofrimento e sacrifícios na vida acabam por se tornar em algo mínimamente bom em termos de atitude e sabedoria para poder inspirar alguém. Ser teu amigo também é brutal! :) (ok, menos quando - escandalosamente - me derrotas no Soul Calibur... lol)

Grande abraço!

Outlets e companhia disse...

:D

Outlets e companhia disse...

Olá querido Pedro, estou certa de que estás bem! :D
Sobre tuas palavras, eu teria uma pergunta, coisa que há tempos não tenho pois todas que passei a ter invariavelmente encontro as respostas em posts antigos. E, afinal, o que awui ensinas nos permite voar com as próprias asas um dia. Já dou voos baixos graças a ti. Obrigada!
Pois bem, quando falas da moral e ética... De qual falas exatamente? Porque a moral é tipicamente cultural. Não é? Muda-se a cultura, muda a definição de moral. Muda-se o núcleo de relação próxima, muda a definição de ética...
Gostaria muito de saber tua opinião à luz dos ensinamentos de Hawkins inclusive. O que é a moral, qual é a ética que nos leva para a integridade?
Por exemplo, mesmo ladrões têm sua definição de ética...? Há situações ou ações que devem são imorais, outras morais, mas muda o país, as regras mudam. Algumas palavras usadas aí em Portugal não podem ser usadas aqui sem gerar um transtorno, pois são más.
Agradeço como sempre, em meu coração, termos você aqui para ser uma luz.
Abraços!
Ana

Pedro C. disse...

Ana Outlets:

Oi! Estou óptimo, estou de férias, woohoo!! :D

Ainda bem que encontraste aqui alguma coisa de jeito para o teu bem estar :)

A minha compreensão de morais e ética é a seguinte:

Morais: regras mentais emocionalmente energizadas de certo/errado que ignoram o contexto e intenção. São úteis para os não-íntegros que por si não conseguem Ver a realidade das situações/pessoas e Saber o que é apropriado dizer ou fazer. É muito útil para as crianças, por exemplo, pois não têm consciência do que estão a fazer e das suas consequências. Muito úteis para pessoas sem empatia/compaixão que não têm a capacidade de perceber como as suas escolhas fazem os outros sentir, etc.

Ética: tem em consideração o contexto e intenção. Vem de uma consciência da realidade do momento/pessoa, engloba valores espirituais integrados na essência da pessoa que tem ética. A grande diferença é que enquanto morais são regras decoradas e catalogadas de certo ou errado, ética é uma atitude espontânea que surge no momento devido ao nível de consciência da pessoa. Enquanto que morais podem cair no politicamente correcto para não ferir o narcisismo das pessoas... ética não quer saber dessas tretas e fere o narcisismo se isso servir um bem maior. Regras de moral servem mais a sobrevivência, e são úteis; mas ética é o que nos inspira e eleva o espírito, e que tem em conta o lado invisível da vida que define tudo.

Outlets e companhia disse...

Obrigada, Pedro.
Você sempre têm um jeito de explicar as coisas que batem no coração/espírito da gente - ressoam, tem eco, porque são verdades universais. Ler isso é como ouvir uma música que conforta.
Ando revendo as minhas posturas, acreditava que a moral me definia. Mas nunca refleti adequadamente sobre o que se trata, e faz sentido sim. Como sempre dizes, só entendemos aquilo para o qual estamos preparados, amadurecidos.

Que bom, aproveite as férias! Se vier cá ao Brasil, avise!
Grande abraço!

Pedro C. disse...

Outlets:

De nada :)