AMOR

"Ensina só Amor, pois é isso que tu és"

terça-feira, 2 de agosto de 2016

“A Verdade Para Além Da Percepção Do Ego”

“A Verdade Para Além Da Percepção Do Ego”


Pergunta de leitora do Cool Vibes:

“Olá Pedro! Algumas experiências bem sucedidas aqui no Cool Vibes e sua forma de atingi-las coincidem com uma palestra que assisti ontem de um Lama budista brasileiro (que aliás adooooraaaa futebol e dar exemplos usando esse desporto, rs). Ele proporcionou um retiro sobre vários temas, e ele comenta sobre as "bolhas" em que vivemos, aonde por ex. o futebol seria uma bolha com regras próprias, as quais nos identificamos no período do jogo e depois ela se desfaz para cada partida, e assim vamos activando-as a cada novo jogo ou temporada. 

Daí que para mim, depois de ouvi-lo por umas 15 horas :D facilitou entender melhor até o que você fala neste áudio e como as coisas funcionam. As limitações que nós criamos considerando estarmos numa determinada bolha. E então veio um exemplo da formiga que está me intrigando até agora!!!

No budismo tibetano eles acreditam em 6 reinos, e que os seres de cada reino irão passando por evoluções e alcançando reinos melhores até atingir a iluminação. A formiga está no reino dos animais, e seria muito difícil para ela, apesar de ter a inteligência primordial, se ver numa condição superior. Mas, a partir do momento que ela perceber dentro da sua bolhinha que o que a limita é a sua maneira de se perceber, na sua forma, daí ela pode sim iniciar esse trajecto para reinos superiores. Entretanto, como a formiga pode ter pouca visão do que é uma vida iluminada, então ela precisa no mínimo se dispor a querer isso e, na visão do budismo, o Buda daquele reino irá ajudá-la. Seria, simbolicamente, a entrega. Acredito que seria o princípio do Hawkins. Se colocar fora da bolha se dá pelos mesmos caminhos ensinados aqui, ou seja, pela contemplação. 

Mas de fato, eu percebo essa limitação da formiguinha em mim. Eu me pergunto como no exemplo do Lama, se o que eu enxergo é mesmo o caminho da iluminação ou não. Porque na minha limitação eu posso pensar que estou sim no caminho certo mas isso ser mais uma ilusão.


E daí ele menciona que o objectivo é que as bolhas não nos atinjam mais, que consigamos perceber todas as ilusões, regras, e que o mundo não é um jogo de futebol, rs. O mundo lá fora não tem juiz, bandeirinha, faltas não marcadas.

Entretanto, viver fora da bolha é muito difícil, temos que estar atrelados a alguma senão perdemos a identidade em alguns aspectos da vida.

Desculpe por usar esses termos repetidamente, ou as "bolhas", não sei se me fiz entender.  Por fim, a contemplação nos faz criar um observador que nos permite olhar além das bolhas. Eu às vezes me sinto assim mesmo, ou sinto como se tivesse alguém me observando ou observando a mente e sensações e dessa forma tentando aquietá-las. 

Nos termos budistas, você Pedro seria um Bodhsatva e o Cool Vibes a forma que você criou de cumprir com a sua missão, interferindo em várias bolhas.  Por fim, toda essa história me faz pensar que nada faz sentido então. Não faz sentido ficar brava, não faz sentido sentir ciúmes, não faz sentido sentir medo. Claro que esse nível de consciência não corre pelas minhas veias, é apenas intelectual ainda. 

Mas faz sentido o contrário, o que consideramos como "o lado bom da vida"? 

Essa experiência que estamos tendo como humanos (ou sei lá em que reino estou, rs) a cada momento me intriga mais. Talvez seja o caso de pedir ajuda ao Buda desta minha bolha para entendimento e iluminação... Acho que no momento é você Pedro.

Em resumo, estas experiências que temos, de "bom e de ruim", são para que ultrapassemos as limitações que elas mesmas nos impõem? Ao invés de sofro e fico triste, sou amada fico feliz, eu devo ser eu mesma o tempo todo sem que isso me afecte profundamente? Isso não é sem graça, risos? Obrigada Pedro!”


Resposta, comentários:

Olá! Primeiro de tudo, eu não sou nenhum Buda! Haha nem nenhum santo, nem iluminado, e é um erro considerar-me isso. Se sou alguma coisa, sou um cowboy :D

Segundo, qualquer dúvida que tenhas tido na palestra do Lama budista brasileiro, deve ser esclarecida com o Lama budista brasileiro. Só ele sabe o que quis dizer, qual era a sua intenção e como usa os seus termos específicos.

E depois, relativamente ao geral do que comentaste e perguntaste, o obstáculo é que o ego não consegue ver nada para além dele próprio. O ego não consegue ter consciência de que há uma realidade para além dele, logo pensa erradamente que se não for ele, não há vida, não há emoções de nenhum tipo, nem pensamentos, nem nada, haha!

“Sem as minhas percepções, opiniões e julgamentos, não sentes nada e a vida é um vazio!” – diz o ego a todos nós :D

Mas isso é falso.

É verdade que contemplando ganhamos consciência do que é real e do que é ilusão. Contemplar é viver e experienciar o momento sem comentar mentalmente, sem julgar, sem ter opinião sobre o que acontece. Só a verdade importa e nos pode orientar de forma eficaz, opiniões são construções falsas do ego baseadas em percepções incompletas e erradas da realidade (ilusões), logo são obviamente má ideia.

É o que a realidade nos diz que importa, e não as opiniões, julgamentos e emoções do ego. Uma coisa é a realidade em si, e o que de facto é verdade. Outra coisa é a percepção da realidade, que é sempre distorcida e incompleta, pois as emoções distorcem a percepção e impedem-nos de ver as situações e as pessoas como realmente são. O que a percepção distorcida nos leva a fazer é a colar rótulos e significados errados nas situações e nas pessoas. A nossa ideia das coisas é forçada nas próprias coisas (projecção), em vez de simplesmente estarmos conscientes de como as coisas realmente são, ou seja de recebermos da realidade a ideia correcta das coisas. Por outras palavras, a percepção emocionalizada do ego leva-nos a “empurrar para fora” e a despejar informação sobre as coisas nas próprias coisas tapando e escondendo a sua verdadeira essência, em vez de humildemente recebermos da realidade (momento presente, agora, etc) a informação correcta sobre as coisas na nossa consciência.

O ego e a mente por si só não têm a capacidade de discernir o que é bom de mau, o certo do errado, o verdadeiro do falso, logo apenas podem ter julgamentos sobre as coisas. As pessoas têm níveis de consciência e tipos de personalidade diferentes, logo o que uma julga ser bom, outra pode julgar ser mau. Quem está certo? Ambos estão certos e errados, haha porque a nível humano, devido ao tipo de personalidade e nível de consciência, é um facto que cada um sabe de si e de como quer viver, e do que o faz sentir bem e mal, e é livre de ir na direcção que o faz sentir-se bem, e de rejeitar o que o faz sentir-se mal - isto tendo em conta que a pessoa tem um nível íntegro de auto-conhecimento e é autêntica. Mas a nível espiritual nada é bom ou mau :D

Na realidade espiritual não há opiniões nem preferências pessoais, pois não há individualidade. Se faz parte da vida humana é porque é suposto fazer parte da vida humana. Pode ser desagradável em termos físicos, ou emocionais, ou psicológicos, mas não é mau. A vida é uma escola de almas, tudo é necessário, válido e justo para aprendermos o que temos a aprender. E cada um de nós tem o seu karma, logo tem de passar por experiências diferentes para evoluir, e estas estão sempre certas e acontecem sempre no momento certo. É o espírito que manda, digamos assim. As opiniões do ego sobre como o mundo e as pessoas deveriam ser, estão sempre erradas haha são inúteis, são arrogantes. O ego acha-se Deus, e acha que sabe como tudo deveria ser diferente. É estupidez infinita :D o mundo é perfeito como é.

Pensar em como o mundo poderia mudar, ou em como os outros poderiam ser diferentes, é perfeito para se evitar olhar para dentro e enfrentar-se a verdade sobre nós próprios. Olhar para fora é uma fuga para aqueles que não querem evoluir, pois não querem passar pelas emoções desagradáveis de culpa e vergonha que são impossíveis de contornar quando descobrimos que de facto não somos tão espectaculares como achávamos que éramos, e quando percebemos que tudo é responsabilidade nossa (aceitação do karma).

O mundo está perfeito exactamente como é, com tudo o que nos acontece na vida e com tudo o que vemos nas notícias. Pois o que define a sua perfeição não é se o ego gosta ou não do que vê, é o seu propósito de ser uma escola de almas. E na escola o aluno não muda a escola conforme o que acha que seria fixe, isso é estúpido :D porque uns alunos acham uma coisa, e outros acham outra, e muda-se a escola conforme a opinião e gosto de quem? Lutam até à morte e os que sobreviverem mudam o que querem à sua vontade? Haha! No final são todos ignorantes, estão lá é para aprender o que têm de aprender, e não para mandar :P pois os exames podem ser desagradáveis e um stress, ter horários pode ser chato, assim como trabalhos de casa, e alunos chumbarem pode ser visto como desagradável (por quem chumba principalmente haha) mas são coisas necessárias e úteis no ensino, logo não se vai acabar com elas só porque há alunos que não gostam delas :P nenhum ladrão gosta da polícia :D

Este mundo, planeta terra da dimensão física, não é o céu nem o paraíso, nem nunca será, haha! e não é suposto ser. Já existe um Paraíso, e não é aqui. Aqui é o reino do ego, e quando o transcendemos e nos fartamos dele, evoluímos para dimensões menos físicas e mais bonitas :) é perfeito! Quem está mal, muda-se haha! E há outra essencial: “Só sei que nada sei” – Sócrates (o grego, haha!). Nessa atitude de humildade perante a essência e verdade das coisas da vida humana e da dimensão física, é que é possível receber-se a Sabedoria do Espírito sobre nós próprios (eu individual) e o que nos rodeia (pessoas, situações, o contexto, etc). Enquanto houver a arrogância de que se acha que se sabe, não entra Verdade nenhuma em nós, e continua-se ignorante, inconsciente e claro, em sofrimento, woohoo!! :D

O que acontece quando largamos os nossos julgamentos sobre a vida e o mundo, é que nos sentimos imediatamente mais em paz. Há mais alegria, pois quando largamos as ilusões do ego, largamos as suas emoções negativas também. Isto permite que a energia do Espírito entre em nós, e sentimo-nos alegres e em paz. Nós somos alegria, e o momento presente é sempre paz. São condições de experiência subjectiva que estão sempre presentes e acessíveis. Nós sentimos o que queremos sentir. E sim, na verdade não faz sentido sentir nenhuma emoção negativa, pois não só nos faz sofrer como são baseadas em ilusões (percepções erradas ou incompletas da realidade).

Agora, o lado bom da vida não tem como origem uma ilusão. O lado bom é real. Tudo o que é bom na vida humana é graças ao Espírito, seja o que nos acontece, seja o que sentimos, logo a atitude normal é de gratidão, entusiasmo e alegria. Então largar as percepções, ilusões e emoções do ego não leva a uma existência sem graça e sem risos, bem pelo contrário! É o que permite uma existência com graça e risos =) Pois quando largamos as nuvens cinzentas, levamos imediatamente com a luz do sol no focinho :D e isso é bom. A energia do Espírito traz alegria, pois é alegria. Mas não a conseguimos experienciar enquanto estamos identificados com o ruído mental opinioso e julgador do ego. Ou se experiencia uma coisa ou a outra, não existe meio-termo. E outra coisa: vai-se transcendendo ilusões em diferentes áreas da vida. É um processo com muitos degraus, não é um salto único em que se vai de perdido a iluminado haha! Não se vai de turista bronco a Indiana Jones :D

É o Espírito e não o ego que nos guia melhor na vida para fazermos melhores escolhas, de forma a termos uma vida mais agradável e estimulante, e sermos mais felizes. Através da contemplação temos acesso à verdade sobre as situações e as pessoas, temos acesso à sua essência, e é isso que importa no momento da verdade para discernimos o que é benigno do que é maligno, ou seja, o que pode ser seguido do que deve ser evitado, nas diferentes dimensões. Largar as opiniões emocionalizadas de “bom” e “mau”, ou de “certo” e “errado” do ego não nos deixa perdidos à mercê dos perigos do mundo e das pessoas, mas permite-nos sim estar conscientes dos verdadeiros perigos aos quais o ego nos cega.

Confia na realidade e não nas emoções. Coragem é a única saída daqui.

Obrigado pela tua pergunta.

Segue o que Amas,


Pedro Constantino

7 comentários:

Angelo disse...

Olá Pedro, tudo bem contigo?
Ultimamente tenho feito os exercícios que propoes. Por vezes sinto-me melhor e com mais energia mas há vezes em que me sinto mal. Parece-me tudo mais intenso. Hoje por exemplo sinto vergonha pois estou mais consciente de como sou na realidade, do que penso, do que sinto. Nao me apetece com as pessoas nem fazer nada em grupo. Repito-me no que te pergunto, isso é verdade mas queria-te perguntar como lidar com estes baixos "insupotaveis". Obrigado, abraço!!

Romário Belarmino disse...

Pedro, como costumas dizer, quanto menos pessoas souberem que estamos numa relação melhor. Ou seja, as saídas terão que ser feitas, sempre, a dois e não a três ou a quatro, para não gerar ciúmes. Estou a dizer isto por experiência própria, já que, quase sempre, aparece uma das amigas e/ou algum parente da nossa namorada que, tenta, cínicamente, dar palpites num assunto ao qual não foram chamados. E, sendo assim,uma relação que deveria ser de intimidade e cumplicidade entre duas pessoas que se amam, transformar-se-á numa espécie de uma reunião qualquer, onde todo o mundo terá direito a opinar.

Romário Belarmino disse...

Pedro, não sei porquê é que algumas pessoas andam tão preocupadas com a vida alheia. Ou seja, estive, recentemente, num festival com a minha namorada e lá havia muita diversão, comes e bebes e músicas para todos os gostos. Agora, um único senão, é que enquanto decorria o festival, tinha verificado que havia algumas pessoas, que, em vez de estarem a disfrutar do ambiente do festival, direcionavam as suas atenções em mim e na minha namorada. Pronto, a princípio, pensei que a minha namorada não tinha notado nada e que aquilo, se calhar, fosse, apenas, alguma "má" impressão da minha parte. Nada mais falso. Terminado o festival e mal acabámos de chegar à casa, ela, em jeito de desabafo, perguntou-me o seguinte: "Não notaste que algumas pessoas ficaram a olhar para nós, com alguma estranheza?" Ao que respondí que tinha ficado com essa impressão. Porque será que existem pessoas que continuam com essa postura feia e reprovável de estarem, sempre, a se preocupar com a vida dos outros? Será que, no meu caso, é porque a minha namorada era e é, uma rapariga, bastante, bonita? Será que é porque essas pessoas não suportam ver os outros felizes e logo, se sentem incomodados com a felicidade alheia? P.S.: É evidente que quando um homem tem ao seu lado uma mulher muito linda e acima da média, suscita alguma inveja e ciúmes, não só por parte dos homens, como, também, das outras mulheres. Mas, as pessoas terão que se controlarem um pouco mais, uma vez que todos os seres humanos têm o direito de serem felizes.

Fábio disse...

Oi senhor Pedro :)

Estava a ouvir musica Chill out e encontrei uma musica que acho bonita. E esta passa uma mensagem sobre espiritualidade e é relaxante.

Sisterlove -The Hypnotist

https://www.youtube.com/watch?v=xOt-_jIUN5A

Abraços e Obrigado

Pedro C. disse...

Romário B.:

Bem-vindo ao planeta ego :D

Ninguém se vai controlar ou mudar. A maior parte das pessoas são assim e não há nada a fazer. São vítimas do seu ego, não há razão para as odiar ou ficar assim tão incomodado e a pensar no que aconteceu. Assim que acontecer, esquece o sucedido e foca-te no presente e no que gostas. Com mais consciência essas coisas deixam de te incomodar tanto pois sabes a sua origem e que é impessoal. Não vem de ninguém em específico nem é contra ninguém em específico. Procura ver o lado cómico da situação.

Pedro C. disse...

Romário B.:

As pessoas são arrogantes no geral. Porque dão opiniões sem estas lhe serem pedidas, e porque regra geral estão perdidas e infelizes, sem sabedoria para partilhar, mas têm a mania que sabem o que os outros deveriam fazer e como deveriam ser, haha! É estúpido, só isso. E para evitar tretas o melhor mesmo é partilhares o mínimo possível sobre a tua vida privada, e saídas a sós com a tua namorada :)

Pedro C. disse...

Ângelo:

Está tudo mais intenso pois graças à contemplação estás mais consciente da realidade, do que és e do que sentes, e isso é sempre bom. Não podes fazer nada em relação aos baixos da vida, tens de passar por eles, é o teu karma, e todos nós os temos :) de qualquer forma, seja qual for a emoção negativa, limita-te a senti-la sem pensares em nada. Faz o esforço constante de voltares a tua atenção para a realidade, rejeitando os pensamentos. Todas a emoções são temporárias, lembra-te disso :)