segunda-feira, 25 de abril de 2016

“Como Deixar de Ter Medo de Voltar a Ter Relações”

Como Deixar de Ter Medo de Voltar a Ter Relações”


Pergunta de leitora:

Olá Pedro, como estas? Eu já senti algo parecido com o que dizes nesta resposta, a ponto de eu me declarar para o rapaz de meu interesse sem qualquer apego à resposta dele, que aliás foi negativa! :D
Mas tempos depois, talvez porque continuamos a nos ver pois trabalhávamos juntos, ele voltou atrás e resolveu me namorar. :)))))

Na época me recordo de que não me importava a resposta dele, mas sim que gostava tanto dele que se ele se sentisse bem apenas com a minha declaração já saia satisfeita. E vida que segue. Ainda hoje ao me lembrar desses dias, decisões e tudo o mais me da muita alegria. É como se tudo aquilo retornasse e é muito bom pois foi de uma sinceridade e bem estar incríveis.
Mas daí que esse namoro não acabou bem dois anos depois, e não tinha maturidade para que seguisse adiante da forma como eu me encontrava - vários problemas pessoais, de saúde, trabalho... Enfim, deixei-me engolir pelos problemas. Mas acredito que não foi e não era para ser, novamente vida que seguiu. 

Ocorre que me parece que dei mil passos para trás. Nunca mais me senti na mesma motivação. Já senti amor/ desejo por outros, e sei que o amor que sinto vem de mim, não por causa deles. Isso me é claro. Acho que ando me protegendo demais, sabe? Nunca fui de pensar demais, sempre fui decidida e direta. Talvez depois de viver várias situações que me desanimaram eu tenha retrocedido e ficado com medo. Na área amorosa percebo que me seguro ao contrário de antes quando me jogava. Então, se puder me tirar essa dúvida: é possível a gente retroceder em evolução, ou não era evoluída antes? Só era espontânea e perdi a espontaneidade com os tombos que levei? É claro para mim que meus "tombos", o que me decepcionou foram por conta de ilusões que eu mesma criei - até falei disso com o meu ultimo namorado. Mas parece que quanto mais consciente eu fico, se é que estou ficando, mais difícil me parecem as coisas!!!! Não terminei ainda a leitura do livro - e vou ter que ler muitas vezes mais depois, além de praticar. 

Mas veja, é como uma aula que fiz de yoga uma vez. A primeira aula o professor mandou todos fazerem um exercício que a pessoa fica com o peso do corpo na cabeça e os pés para o alto. É como se em pé mas de cabeça para baixo. Você divide todo o peso do corpo entre os braços e o pescoço. Eu, primeira aula, na mesma hora me pus na posição. Ao descer todos me olhavam abismados e dai o professor me esclareceu: "essa posição é dificílima!" E outra:"Há um risco em quebrar o pescoço, você está bem? Fez como deveria?"

Pois bem, NUNCA mais consegui fazer aquela posição!!!! Eu tentei mas me dava medo depois do que me falaram e eu me pergunto sempre como é que consegui fazer aquilo?!? Ou seja, ao invés de ir e simplesmente fazer passei a pensar e dai me travo toda. 

Pois me parece que na minha vida amorosa me ocorreu o mesmo, regredi completamente! Daí que vai dizer que é meu ego me pregando peças, e sei que é. Que devo me render, como diz o Hawking. Mas é isso mesmo? Dai que eu acho as vezes que eu era espontânea e agora se eu quiser a voltar a fazer as mesmas coisas de antes devo então ser corajosa. O que seria ser espontânea, então? Coragem inconsciente??? Um karma bom, um mérito que apliquei sem saber e com o qual nasci mas agora consciente devo me desafiar a fazer por mim mesma? Ao escrever isso já sinto algo de bom. Seria isso, me desafiar?

No trabalho eu ja tomei tombos, fui traída, perdi, sou criticada, me prejudiquei de mil maneiras - mas sabe? Eu sigo em frente e não desisto nunca. Sou a eterna otimista. E as coisas ao fim sempre dão certo, e eu sei que darão e mesmo que não dêem valeu a aventura! É uma alegria constante. Isso já não ocorre para mim na área de relacionamentos. Por que? Covardia? Carregar mágoas do passado? Narcisismo? Só de escrever já sinto uma trava, um peso no corpo, exatamente como o Hawking fala! Sinto o doutor Ego fazendo sombra na minha cabeça. 

Sei que estou complicando demais e vais me responder com tua objetividade e simplicidade incomuns. Mas se tiver alguma palavra sobre isso, agradeço.”


Resposta, comentários:

Eu estou bem, obrigado.

Regra geral o homem e a mulher envolvem-se devido ao controlo irracional e inconsciente da emoção de atracção. Seguem esse desejo como se fosse uma questão de vida ou de morte. Mas emoção é ilusão, não é a realidade nem a representa, logo distorce a nossa percepção do que está a acontecer e de como a outra pessoa é. O que isto quer dizer é que regra geral as pessoas seguem essa emoção de desejo inconscientemente, o que significa ser impulsivo mas não espontâneo, e depois é tudo perfeito entre os dois durante uns meses ou semanas. O que acontece a seguir é que a atracção acaba, o desejo acaba, a hipnose do ego acaba, a outra pessoa já não é novidade, o estímulo ilusório que aproximou o homem e a mulher desaparece como uma nuvem de fumo ao vento, e vem a realidade ao de cima, que é a essência de ambos, ou seja as trapalhices do ego :D

Nesta fase começam as desilusões, discussões, e outras coisas desagradáveis do género. É normal as relações acabarem aqui, é comum acabarem mal, e é melhor assim do que se arrastarem sem entusiasmo mútuo, numa dança zombie assexuada de dependência e cobardia.

Ao se passar por uma experiência dessas, é comum ficar-se depois na defensiva. Foi desagradável e é normal não se querer passar por algo semelhante novamente. O erro dessa percepção está em que se associa relação, amor, atracção e ligação a algo desagradável, quando a origem da experiência desagradável não foi nada disso. Foi o ego :D ora, assim sendo a melhor atitude para se ter uma vida amorosa alegre é dedicarmos-nos à nossa evolução para sermos menos egocêntricos, e ao mesmo tempo sermos selectivos com as pessoas do sexo oposto com quem deixamos acontecer experiências levadas pelo vento da atracção. É o nosso nível de consciência e o nível de consciência do nosso parceiro que define se a relação vai ser boa ou má, e se vai acabar bem ou mal. Uma relação em si é algo neutro. O nível de qualidade da sua experiência depende sempre e apenas da intenção, essência e nível de consciência de ambos os parceiros. Não é como uma sala de ambiente de qualidade intrínseca em que ambos entram, é algo que só existe entre ambos e que é potenciado pela sua intenção e escolhas. Uma relação em si não existe, não é nada, não tem existência própria. Uma relação é a interacção de dois seres humanos, entre tudo o que compõe a sua essência. Logo o primeiro passo para não se ter esse medo ou desmotivação de conhecer pessoas e ter relações e ver as coisas como elas realmente são: uma relação em si não é algo mau, nem bom, é algo neutro. Depende das pessoas que estão na relação. Logo se nos dedicarmos à nossa evolução e fizermos uma melhor escolha de parceiros, vamos ter relações melhores. No fundo uma relação vai ser má se nós formos maus ;)

Quanto a ser espontânea, o que foste foi impulsiva. Ou seja, agiste inconscientemente e irracionalmente. Ser impulsivo é seguir emoções cegamente, ou seja, seguir ilusões cegamente. Ser espontâneo é seguir a realidade sem hesitação. São duas atitudes diferentes. São semelhantes em aparência, mas completamente diferentes em essência e intenção. Portanto com a tua impulsividade foste contra uma parece e aleijaste-te, e agora não queres isso outra vez. Mas com consciência perceberás que para ser melhor só depende de ti e das tuas escolhas.

Para acabar, tens de perceber o que realmente queres. Será que queres mesmo alguém e uma relação nesta fase da tua vida? Podes não querer na verdade, e podes simplesmente não estar com motivação para te dedicares à area amorosa da tua vida. E tudo bem, há outras áreas que exigem atenção e dedicação. Não dá para nos aperfeiçoarmos em todas ao mesmo tempo, é normal tirarmos férias de umas para nos focarmos noutras a 100%. São ciclos, e está tudo bem. Nada é obrigatório agora, tudo é opcional. Não é o ego que decide o que deve acontecer agora, é o espírito. Aceitando e esperando, o caminho certo surge-nos à frente para então avançarmos mais um pouco.

Obrigado pela tua pergunta.

Segue o que Amas,

Pedro C.

4 comentários:

Outlets e companhia disse...

Entendi Pedro. Puxa, em nenhum momento me passou pela cabeça que pudesse ser impulsividade!!!
E de fato, não faz muito tempo me disseram que sou impulsiva. Pior é que penso demais, e ao fim meto os pés pelas mãos. Vou procurar avaliar-me mais quanto a isso e procurar entender melhor a respeito de espontaneidade e impulsividade. De fato uma vida é pouco para compreender tantas nuances de nós mesmos.
E, como dissestes, talvez seja isso mesmo, não tenho motivação no momento para relacionar-me. Por outro lado, estou em um momento de descobertas sobre outros aspectos da minha existência que estão sendo muito gratificantes. É um momento rico e bom.

Muito obrigada como sempre, Pedro!
Grande abraço,
Ana.

Pedro C. disse...

De nada Ana, é uma honra.

Romário Belarmino disse...

Pedro, já cheguei à conclusão de que a mulher é agora ou nunca. Ou seja, na minha modesta opinião, a mulher quando está interessada, ela não coloca nenhum obstáculo ao homem. Ela demonstra, imediatamente, que está interessada e pronto. Mas, quando não está interessada, arranja mil e umas desculpas a fim de evitar que venha a acontecer algo íntimo entre ambos, dizendo, por exemplo que não tem tempo ou que anda muito ocupada. Entretanto, ela nunca rejeita o convite para um encontro com o homem. Só que ela, simplesmente, decide, propositadamente, em não aparecer no encontro. Agora, o que acontece é que ela age dessa forma para poder manter o homem por perto e assim poder garantir a continuação do apoio e atenção que tem recebido do homem. Ela nunca responde, positivamente, mas, por outro lado, também, nunca diz "não" ao convite. Ela faz esse tipo de jogadas dando ao homem uma falsa esperança, usando e abusando do coitado. Pedro, no meu caso, eu só consigo afastar essas mulheres "sanguessugas", enconstando-lhes à parede e dando-lhes um ultimato. Caso contrário, as ditas cujas não vão deixar-me viver em paz e sossego.

Pedro C. disse...

Romário B.: "dando ao homem uma falsa esperança, usando e abusando do coitado"

Só complicas, estás tramado! :D

A mulher só consegue fazer ao homem o que ele deixar. É o homem fraco, falso e carente que se vê metido nessas situações. Ele não é um coitado, pobre vítima da super-vilã mulher, haha! Ele é um idiota fraco de espírito, só isso. Porque faz tudo mal desde o início e não tem consciência normal para perceber o que está a acontecer momento a momento, entala-se na sua fraqueza e deixa a mulher confusa, a querer evitá-lo, etc. É verdade, a mulher quando está interessada facilita a vida ao homem e as coisas acontecem naturalmente e com simplicidade. Logo qual é o problema? Se a mulher coloca obstáculos ao avanço do homem, é esquecê-la e seguir com a vida, em vez de se continuar a contactá-la e a sair com ela para aliviar carências. É o homem idiota que com a sua imaginação forma essas falsas esperanças, não a mulher, pois a mulher já o rejeitou. Ele é que é parvo e não percebeu, não consegue largar o osso, porque é demasiado doloroso para o seu eguinho :D