AMOR

"Ensina só Amor, pois é isso que tu és"

quinta-feira, 3 de março de 2016

“Como Seleccionar As Pessoas Que Temos à Nossa Volta”

“Como Seleccionar As Pessoas Que Temos à Nossa Volta”


Pergunta de leitor:

“Muito obrigado pela resposta. Mas me surgiu uma dúvida, então não devemos nos afastar das pessoas que já percebemos que não são íntegras? Devemos conviver com elas apesar disso? E sobre selecção de amizades e outras coisas, como devemos seleccionar as pessoas que temos à nossa volta, se temos que amar a todos? Obrigado pela atenção!”


Resposta, comentários:

Sim, devemo-nos afastar das pessoas que não são íntegras, pois o seu nível de consciência (e energia) impede-nos de sermos íntegros. Ou pelo menos tornam essa transformação muito mais difícil (senão impossível, o que é o mais comum de acontecer).

É o fenómeno dos caranguejos no balde. Assim que um caranguejo tenta sair do balde, os outros puxam-no para baixo. O mesmo acontece aos seres humanos. Seja por inveja, ódio ou dependência, quando um ser humano num grupo tenta evoluir e ser mais feliz, os outros puxam-no para baixo de todas as formas possíveis e imagináveis: ataques verbais, sabotagem, gozar (chamar a pessoa de estúpida por se dedicar a ser mais positiva, por exemplo), crítica, baralhar, desvalorizar o caminho de evolução (“acreditas nessas tretas?!”), intimidação, racionalização (tentar convencer a pessoa através de lógica que o caminho de evolução é estúpido ou falso), manipulação, etc. No fundo, seja qual for a aparência de como tentam puxar para baixo quem quer subir de nível de consciência, essas tentativas são uma expressão (e prova) de baixo nível de consciência e de energia.

Felizmente não temos de conviver com esse tipo de pessoas! Ufa!! :D

Amar não significa que temos uma relação com as pessoas. Estás a confundir Amor com relação e acção. Amor é um nível de consciência, uma forma de ver o mundo e de se estar nele. Podemos Amar todos e não ter uma relação com ninguém. Porquê? Porque o Amor é no momento. Quando a pessoa está à nossa frente Amamo-la porque somos Um com ela. Sabemos que ela na Verdade é o Espírito e não o ego/corpo animal que está à nossa frente. Amar é no momento, frente a frente com a pessoa, e podemos nunca mais voltar a vê-la e nem sequer saber o seu nome, haha!

Amar também é deixar ser (aceitar a pessoa como é). Se uma pessoa não é de confiança e vive a vida através de esperteza e mentiras para obter o que deseja, amamo-la como ela é, sem a tentarmos controlar ou mudar. Mas porque ela é assim, e o Amor vê como as pessoas são, ela não está alinhada com o Amor. E se nós estamos, ou estamos a tentar estar, afastamos-nos por Amor à Verdade e ao Espírito.

Repara que é muito diferente afastarmos-nos de alguém por ódio a essa pessoa, de afastarmos-nos de alguém por Amor ao Espírito e à Verdade. No primeiro caso a porta está fechada e ponto final. É a criancice do “não brinco mais contigo!!”, haha! A motivação é narcisista e não é íntegra, e muitas pessoas sentem esse ódio e continuam relações. Para quê se na verdade nem gostam da outra pessoa? ;) Nesse caso estão a ser falsas, e não estão a fazer favor nenhum ao universo :D

No segundo caso a porta está sempre aberta à pessoa, caso ela um dia se comece a alinhar com princípios mais elevados. Amamos a pessoa, e porque a Amamos lidamos com ela como ela realmente é, no momento presente. E a escolha mais apropriada no momento presente pode ser afastarmos-nos dela. É importante não confundir Amor com relação, ligação ou afecto. Quando valorizamos a nossa vida e felicidade, quando vivemos gratos pelo que temos de bom e bonito na vida e quando não vivemos em negação relativamente à natureza humana, sabemos que a presença de certas pessoas na nossa vida vai sabotar e destruir aquilo que amamos, e vamos defendê-lo não deixando essas pessoas fazerem parte da nossa vida, não lhe dando assim a oportunidade de nos desrespeitar, usar, magoar, etc.

Depois, o afastar ou não afastar, depende do nosso nível de consciência e fase de evolução em que nos encontramos. Para certas pessoas o mais apropriado é sem dúvida afastarem-se dos negativos, não íntegros, egocêntricos, narcisistas, etc. Para outras pessoas a lição que precisam de aprender é lidar e relacionar-se com todo o tipo de pessoas primeiro, e só depois é que é apropriado afastarem-se.

Cada caso é um caso, mas todos chegam um dia à fase em que o apropriado é afastarem-se, pois se não se afastarem nunca conseguirão chegar a níveis de consciência mais elevados. Evolução é selecção, largando progressivamente o que faz parte dos níveis mais baixos, para se chegar ao que faz parte dos níveis mais elevados. E depois tornar-se nesses níveis.

Obrigado pela tua pergunta.

Segue o que Amas,

Pedro C.

2 comentários:

Outlets e companhia disse...

Pedro, hoje os ensinamentos seus no Coolvibes me guiaram. Eu mal dormi ontem a noite por conta de uma reunião muito tensa onde eu tinha ciência de que seria eu contra dezenas. Mas tratam-se de várias questões onde eu contrariei a opinião geral porque sabia que estava certa e a maioria, a grande maioria, digamos que era eu contra 20, queriam me fazer sucumbir a opinião deles que ia contra tudo o que é real, verdadeiro. Pelo menos para mim. Pois bem, fiquei o dia a matutar sobre como cheguei a essa situação, e se havia como fugir. Não! Resolvi que ia fazer o meu melhor dentro do meu nível de consciencia, e que isso me orientaria para fazer as argumetnações certas, no tom correto. Também decidi que procuraria amar a todas essas pessoas. As olharia com o melhor da minha compaixão e não faria julgamentos que não fossem coerentes com a verdade - pelo menos a verdade que eu conseguia enxergar. E eu sabia, Pedro, eu sabia que não podia fugir disso porque os meus argumentos eram com o objetivo do melhor para todos, embora eles mesmos não entendessem de momento. É uma dessas situações onde você enxerga a verdade e precisa mostrar a todos, e encontra resistências até de quem está sendo prejudicado, mas tem que ir em frente - mesmo porque eu estava sendo prejudicada. E o dia todo comunguei dos teus ensinamentos, meu caro Pedro. Pois bem, assim que cheguei iniciaram-se as provocações, e eu me mantive calma e focada na minha missão. Quando chegou minha vez de falar, contrataram um orador/conciliador "comprado", que tentou derrubar todas as minhas falas mas não com integridade - ele me interrompia, gozava do que eu dizia, elevava a voz, debochava, entre outras coisas. Eu me mantive firme e continuei. E assim foi, sendo apedrejada por vários, mas perceptiva de que com o decorrer das argumentações e do debate, aos poucos vários foram percebendo e despertando para o que eu falava. Esse debate se deu por horas. Conforme as pessoas foram "acordando", começaram a trazer à mesa questões relacionadas com a verdade, e eu as apoiei - não porque concordavam comigo mas com a sinceridade do meu coração. E em outros momentos, mesmo não concordando com elas, porque alguns detalhes não eram do meu domínio, eu as ouvi, ponderei e confessei: 'sobre isso não posso falar, mas sua argumentação me permite perceber que o que diz é válido e real' e percebi que passamos a nos apoiar!!! E assim foi, Pedro. Meus olhos estão cheios de lágrimas agora, porque acredito que venci uma barreira que eu tinha enorme e consegui perdoar sem mágoas, ouvir o outro e interagir a um nível que nunca pude antes, mas que muito desejava.

Outlets e companhia disse...

Eu almejava a verdade e a paz, e não ganhar a briga. Eu sou boa de briga. Sou muito metódica, analítica, argumentativa, e digo que poucos me vencem em um debate em que estou preparada nos assuntos que domino. Mas desta vez fui com o coração aberto. Cheguei a confessar que esperava sair escorraçada, pois foi-se criando condições para isso por esse mediador que eu percebi que queria me destruir para que eu não tivesse oportunidade de avançar nas verdades que eu lançaria. Eu já havia antes apresentado a ele as minhas ponderações, ou seja, ele sabia do que eu ia falar e se preparou. E eu me preparei, mas agarrando a integridade. Portanto, ao invés de eu ser a certa, eu apresentava aquilo que eu enxergava de real a todos, procurando comungar, encontrar uma conexão com eles. Meu espírito estava desarmado - eu fui para a morte, digamos assim, e aceitaria morrer pelas minhas verdades. Há muito o que melhorar ainda, e isso ficou claro para mim. Afinal, não sou íntegra. Mas o que importa aqui é que experimentei um caminho diferente dos que estava habituada, e foi ótimo. Saímos da reunião, desta vez eu e muitos, em clima de união porque a busca é a mesma para todos nós! Pessoas que não me olhavam na cara vieram conversar comigo e as tratei como você recomenda: pense no agora, deixe o passado para trás, se me atacou - eu não morri! Estou aqui inteira, no comando. Não vou morrer por falar com ela, ser boa e educada, e olha-la no seu melhor daquele momento. Não vamos nos casar, lol mas não preciso manter estado de guerra. Alguns ainda me odeiam por conta da forma como tudo foi ocorrendo, porque eu sou muito briguenta mesmo e por vezes, muitas vezes, grossa. Porque eu me achava a melhor e tratava a todos com arrogância. Enfim, é a escolha deles me odiar. Eu escolhi diferente DESTA VEZ! :) E essa escolha é por mim, para buscar a minha paz, a minha integridade, não é para ser melhor que ninguém.
Não sei se tens algo a dizer sobre isso. Trata-se de um breve relato sobre algo complexo e um contexto que não tenho como passar. Mas foi talvez o dia mais estressante da minha vida. Em outras situações parecidas, eu mantive uma mágoa por anos dos outros, gritei, fiz valer o que queria e até adoeci tamanha a intensidade das emoções. Hoje percebi que não precisa ser assim. Ainda há o que melhorar, mas foi muito melhor, mais do que eu sequer poderia sonhar ou acreditar.

Muito obrigada!!!!