sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

“Auto-Respeito: A Diferença Entre Ser Selectivo e Ser Demasiado Selectivo”

Auto-Respeito: A Diferença Entre Ser Selectivo e Ser Demasiado Selectivo”

Pergunta de leitora:

Selectividade a mais é mau, certo? Há mais de 3 anos senão me engano, eu seguia muito este blog, e fiava-me em tudo o que aqui dizia... erro enorme. Encontrei o amor há 2 anos e 10 meses, e sou uma mulher feliz, optimista dentro do possível, e segundo ainda me disseram há 2 dias sou uma pessoa que nunca vêem triste e sempre bem disposta. E lembrei-me nesta altura deste blog, que me irritou tanto e o deixei de frequentar por causa de um post sobre casamento, o qual eu sou totalmente a favor.

Eu lembrei-me deste blog novamente por causa de um amigo, que conheci através do hi5 que tínhamos em comum isto. Actualmente ele ainda se encontra sozinho passado tantos anos, sente-se infeliz por isso mas tenta disfarçar. Ele é demasiado selectivo, e na última conversa que tivemos ele disse-me que queria frequentar um psicólogo, porque achava que não era normal ser tão exigente num relacionamento com uma mulher. Ora, eu aconselhei-o a ir, até porque na altura que eu frequentava isto, antes uns meses de arranjar namorado também frequentei um, e foi muito bom para eu me perdoar a mim e aos outros e assim estar preparada para um novo amor.

O que queria sugerir, é que dês um conselho através de um post sobre não desesperar na loucura de ser obsessivo por selectividade da mulher perfeita. Talvez isso ajude o meu amigo, que também sei que é um teu amigo pessoal segundo sei. Ajuda-o porque foste tu que lhe ensinaste isso da selectividade a mais e isso levou-o à vida que tem hoje. Cumprimentos.”


Resposta, comentários:

Eu nunca ensinei selectividade a mais a ninguém, essa é apenas a tua percepção e interpretação incorrecta do que eu realmente escrevi, e do que partilho sobre a atitude da selecção consciente. Assim como também nunca disse a ninguém para se fiar em tudo o que digo e me seguir cegamente. Eu não dou ordens, mas sim partilho sugestões. É suposto as pessoas serem adultas e descobrirem a verdade por elas próprias, através das suas experiências na vida. E se falo desde o início do Cool Vibes em ser autêntico, é um bocado óbvio que a solução não é imitar-me, dizendo o que eu digo ou fazendo o que eu faço, mas sim seres tu próprio.

Tal como dizes logo ao início, está correcto, selectividade a mais é mau. Mas uma coisa é selectividade a mais, outra coisa é aquilo que eu partilho chamado selecção consciente. Uma coisa é estarmos atentos à essência da pessoa que estamos a conhecer, outra coisa é sermos demasiado selectivos em busca da pessoa perfeita. A diferença é óbvia :D No caso de se ser demasiado selectivo está-se a ser paranóico (seguir ilusão), no caso da selecção consciente está-se a ser cuidadoso (seguir realidade). Selecção consciente porquê? Porque se tem auto-respeito, porque nos amamos e amamos a nossa vida e o que temos de bom e bonito nela. E por isso somos cautelosos e cuidados (e não paranóicos), em relação a quem deixamos entrar na nossa vida, pois valorizamos o que temos de bom e bonita nela, valorizamos o nosso nível de tranquilidade e liberdade, e sabemos que há pessoas que podem chegar à nossa vida e desestabilizar isso tudo, sabotá-lo, atacá-lo, destruí-lo, etc, conscientemente ou inconscientemente, de uma forma ou de outra, activamente ou passivamente.

A intenção da selecção consciente é simplesmente protegermos o que temos de bom e bonito, de uma forma equilibrada e realista, não vivendo em negação relativamente à natureza do ego humano e à essência de grande parte das pessoas. Nada disto tem a ver com a paranóia desequilibrada do menino esquisito inseguro que não consegue ter nada com ninguém por medo de ser rejeitado ou magoado; ou porque se acha superior e melhor que os outros. São intenções bem diferentes que levam a estados e vidas bem diferentes.

Na verdade selectividade a mais não é o que realmente se passa. Essa é a superfície da questão. Andar em busca da pessoa perfeita pode ser uma boa desculpa e racionalização, mas ainda não toca na essência da questão. É sermos narcisistas o que nos mantém solteiros e sozinhos – pois quando se está solteiro pode-se ter muitas experiências diferentes com o sexo oposto, e não se está sozinho. O ego tem de ser transcendido ou nada feito. Enquanto medo e orgulho forem mais importantes do que amor, nada feito. Sim, porque uma pessoa é demasiado selectiva, ou esquisita, devido a medo ou orgulho.

Quando é medo a principal motivação de ser demasiado exigente e selectivo, isso é porque a pessoa tem medo de ser rejeitada e medo de se magoar. Então adopta a atitude de rejeitar primeiro. Adopta a atitude de rejeitar antes de ser rejeitada :D genial não é? Haha! Na verdade não anda à procura de um parceiro ideal ou mulher perfeita, anda apenas à procura de evitar ser rejeitada e magoada. Então nunca, ou quase nunca, ninguém serve para uma relação pois quase todos representam uma potencial rejeição e dor. É um estratagema esperto do ego para a pessoa evitar ter de ser corajosa e enfrentar os seus medos.

Quando é orgulho a principal motivação de ser demasiado exigente e selectivo, isso é porque a pessoa tem a mania que é melhor que os outros, e que é superior a quem está a conhecer ou observar. O objectivo aqui é proteger a sua falsa auto-imagem de perfeição para manter o seu estado de falso orgulho. Neste caso a pessoa dá mais importância ao seu orgulho do que a ter ligações com pessoas do sexo oposto - o que a podia levar a descobrir que não é tão espectacular como julga ser, haha!

Em ambos os casos estão envolvidas motivações de medo e orgulho, pois no ego tudo está ligado e vai-se de um estado para o outro rapidamente. Anda-se à velocidade da ilusão :D

Portanto são os cobardes e arrogantes que são demasiado selectivos e exigentes :D

O psicólogo é apropriado para muitas pessoas, e se a pessoa acha que é essa a ajuda de que precisa e que quer experimentar, então é precisamente isso que deve fazer. Não importa de onde vem a ajuda, o que importa é que a pessoa se ponha a mexer e a fazer algo para ser mais feliz.

O Cool Vibes tem a porta aberta para todos, mas não é para todos. Nem todos estão prontos para o que aqui partilho, ou porque não têm a humildade para aceitar o que partilho, ou porque não têm a coragem para fazer o que sugiro, ou porque não compreendem o que partilho e interpretam-no erradamente, ou porque estão numa fase da sua evolução em que pelo meu tipo de personalidade e nível de consciência simplesmente não os consigo ajudar, ou porque aquilo que eles querem não está alinhado com a essência do Cool Vibes e com o que aqui partilho.

Eu sou totalmente a favor do amor, e de casamentos com amor. Não tenho nada contra casamentos, como erradamente percepcionaste. Mas sei que casamento não garante amor, e pode haver amor sem casamento. Amor não é algo que se encontra, é algo em que nos tornamos ;)

O que se “encontra” com alguém do sexo oposto é sexo, haha! Com alguém do sexo oposto tem-se algo que não se consegue ter sozinho: sexo, carinho, afecto, uma ligação com intimidade, etc. E tudo isso é óptimo, mas não é amor. Pode haver amor na relação, mas só se primeiro já houver amor em nós. E claro, para os carentes e dependentes, uma relação é principalmente (e inconscientemente) uma fonte de aprovação, em que a energia do parceiro é sugada através de validação e atenção expressas das mais variadas formas, e constante companhia muitas vezes. Esta aprovação eleva um pouco o estado interior da pessoa carente, e essa pessoa identifica esse novo estado mais agradável de felicidade. Ups! Estraguei a magia toda à coisa! Hahaha :D temos pena, a verdade é sempre mais importante ^_^

Quem quiser casar casa-se, quem não quer não se casa, é simples, e mais uma vez óbvio, haha! Mas casamento não garante amor, e é para isso que queria alertar. Os casamentos raramente são “até que a morte nos separe”, mas são sim “até que o ego nos separe”. A separação pode não ser física e o casamento continuar em aparência, mas ambos os parceiros sabem que em essência o seu casamento e relação amorosa já acabaram há muito tempo, pois já não há atracção nem entusiasmo mútuo. É uma miséria emocional que se arrasta, frustração e irritação que os leva a olhar mais para outras pessoas do sexo oposto, ou a se distraírem com mais entretenimentos que lhes tiram a atenção da realidade e do parceiro. Ups! Eu e a minha mania chata de estragar as ilusões fofinhas do ego! :D

Eu posso amar uma mulher quando a estou a conhecer, a sair com ela, a rir com ela, a beijá-la, a fazer amor com ela, e a namorar com ela, não é necessário casar-me com essa pessoa para a amar, haha! Assim como também me posso casar com ela e continuar a amá-la :D é simples. Não tenho nada contra casamentos, isso seria estúpido da minha parte, haha! Há casamentos bons, mas os genuinamente bons em essência são uma raridade devido ao ego dos parceiros. Bons casamentos e boas relações são a excepção, apesar de em aparência a maior parte delas parecerem minimamente boas e felizes. São glorificadas como a salvação e felicidade dos egos fracos e carentes :D Uma relação pode ser das experiências mais bonitas que um ser humano pode ter, mas a verdade para a qual tento chamar a atenção é que não é salvação nenhuma, nem garante felicidade nem amor. É só isso, e isso não é o mesmo que estar contra o casamento. Há muita negação em relação a este tema, mas os divórcios e separações constantes podem ajudar a ver melhor a realidade. Nem sou contra nem a favor do casamento, cada um faz aquilo que quer pelas razões que quer.

Não estou a ver que amigo é esse… dos meus amigos próximos que seguem o Cool Vibes, todos ou vão tendo namorada, ou vão conhecendo mulheres regularmente e tendo experiências fruto de atracção mútua de vez em quando. Seja como for, a solução para o problema da "selectividade a mais", é a humildade. Aceitar as pessoas como elas são e procurar aprender a amar e a servir com elas.

É isso que eu faço, pago coisas a estranhas, elogio o que realmente admiro nelas, demonstro o meu interesse, etc, e apesar de encontrar muita mulher arrogante, mal educada, estranha, insegura e revoltada com os homens (que são o maior pesadelo daqueles que têm medo da rejeição, haha!), eu continuo a ser o mesmo e vou encontrando mulheres de quem gosto e com quem passo bons momentos.

A ideia é em vez de se andar em busca da mulher perfeita, que tal se andar em busca do “momento perfeito”, servindo as mulheres que se vão cruzando connosco na vida, e deixando acontecer o que for suposto acontecer nesse contexto? Que tal procurar partilhar temporariamente algo (dure o tempo que durar), em vez de se andar à procura de algo para se ter e prender a nós…? ;)

Obrigado pela tua pergunta.

Segue o que Amas,

Pedro C.

1 comentário:

Fábio disse...

Oi Pedro, mais um belo post :)

Por falares em momentos com mulheres, ainda hoje conheci uma rapariga quando fui apenas buscar o meu novo cartão do cidadão, e passei um bom momento de conversa e até algum humor com ela :) é engraçado quando certas coisas acontecem assim do nada, tipo magia como costumas dizer. Do outro dia á saída da discoteca eu estava com um amigo, e duas raparigas vieram pedir lume assim do nada :)