sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

“Amor: A Diferença Entre Discernimento e Julgamento”

Amor: A Diferença Entre Discernimento e Julgamento”


Pergunta de leitor:

Então afinal o amor também julga e aponta o dedo? Estou fora da "estrada" agora.”


Resposta, comentários:

O Amor é um nível de consciência muito elevado, e nesse estado Vê-se a Verdade de tudo o que nos rodeia. Isso não é julgar ou apontar o dedo. Julgar e apontar o dedo é o que o ego faz, e é algo que vem da sua percepção equivocada da Realidade, e que vem de emoções de ódio, arrogância e de culpa projectada. Portanto o ego julga com ódio, e os seus julgamentos estão errados, geralmente. O ego distorce a realidade e rotula o bom de mau, e o mau de bom. A verdade de falsidade, e a falsidade de verdade. É esse o erro do julgamento: não tem a ver com a realidade, não tem a ver com o que é verdade. Tem a ver com percepções e opiniões falsas emocionalizadas do ego. O ego vai recompensar manhosos não íntegros, e vai castigar os genuínamente bons. Já foram vários aqueles que morreram por serem íntegros e denunciarem a falta de integridade dos outros (Socrates, Gandhi, Martin Luther King, etc).

O ego odeia Amor (verdade, integridade), ao ponto de não o querer no mundo. E por isso mata os seus verdadeiros representantes.

O Amor simplesmente expressa a Verdade que vê serenamente. Ele Sabe e pronto. Não existe no Amor, ou Espírito, a exaltação emocional negativa do ego... apenas há um Poder Silencioso que reconhece a Verdade, pois tem discernimento. O Amor vê para além das máscaras e aparências. Vê o lobo escondido dentro da pele de ovelha. O Amor não é uma máquina de elogios, haha! até porque neste mundo do ego pouco há para realmente se elogiar :) e depois? A mim não me incomoda. Não estou a julgar o mundo pois não há ódio naquilo que disse. Aceito o mundo e os outros tal como são, mas digo como eles são, não finjo que são melhores, nem piores, do que o que são. Aceitar não é elogiar ou relacionar-se, é simplesmente aceitar. Não odiar e não pensar em mudar ou controlar. Autenticidade é bom, haha! E autenticidade é expressar do que se gosta e não gosta, sendo-se ao mesmo tempo selectivo.

A integridade denuncia a falta de integridade, pois está consciente dela. A integridade chama inteligente ao inteligente, e estúpido ao estúpido. O Amor não mente, o Amor tem uma visão correcta da essência das coisas, e por isso não chama ao inteligente de estúpido, nem chama ao estúpido de inteligente. Um pedófilo é um pedófilo, um preguiçoso é um preguiçoso, e um honesto é um honesto. Mas um desonesto é um desonesto ;) O ego gosta da ilusão de pintar o mundo e as pessoas de cor-de-rosa, pois ele por questões de orgulho odeia quando lhe são apontadas as suas limitações, defeitos e erros. Ele odeia a Verdade. Então o ego distorce o que Amor realmente é, definindo-o como uma espécie de atitude estúpida de fechar os olhos à realidade, negar limitações e perigos, e elogiar tudo e todos a toda a hora, mesmo que não o mereçam.

Validação é algo que se merece, devido a qualidades reais que se tem.

O ego imagina que Amar é nunca perturbar a sua falsa auto-imagem de perfeição, haha! Somos todos espectaculares e brutais não somos? Não, não somos :D somos humanos, imperfeitos e limitados, e mesmo muitos poucos de nós de facto foram, ou são, extraordinários pelos seus talentos, sucessos e consciência elevada inspiradora e transformadora. Mas somos humanos limitados e isso chega. Não é preciso odiar isso, nem o querer mudar ou controlar. Aceitação é paz. É o ego que vê algo de errado em ser-se limitado, devido à sua falsa auto-imagem de perfeição. É o ego que odeia essas limitações e a expressão dessa realidade. E é esse o problema do julgamento: o ego vê a limitação como algo mau e errado. O Amor vê a limitação como algo perfeito e aceitável, e cómico =) e por isso fala dela abertamente quando a vê, serenamente.

Grande parte das pessoas não quer saber de auto-conhecimento. Apenas querem ser distraídas da realidade, querem ser validadas, aprovadas e aceites, querem orgulho, querem ter razão, querem que concordem com elas, querem que lhes alimentem a sua falsa auto-imagem de perfeição. Elas não querem olhar para dentro e enfrentar o seu lado mais feio que está escondido no seu inconsciente. Não querem ter de enfrentar as suas limitações e erros. Não querem enfrentar a verdade de que não são tão espectaculares como imaginam ser ;) pois isso dói. Trazer à consciência o inconsciente, e enfrentar as nossas limitações, verdadeiras intenções e consequentes erros (ganhar consciência da nossa verdadeira essência), traz um estado agonizante de culpa, vergonha e medo, e são muitos poucos os que estão dispostos a passar por isso. São muitos poucos aqueles que realmente conseguem lidar com isso e depois transcender essas limitações e evoluir, tornando-se mais autênticos e felizes, e consequentemente com mais discernimento e compaixão.

Então qual é a solução? Nunca se fala sobre defeitos? Nunca se verbaliza o menos bom do qual se tem consciência? Porquê? Porque o ego fica com o seu falso orgulho ferido? Treta! :D o ego não gosta? Os orgulhosos não gostam? Os fracos de espírito não gostam? Os negativos não gostam? Os falsos não gostam? Temos pena! :D é a verdade que nos liberta e permite alcançar paz. Sem isso é tudo ilusão, é tudo falso orgulho. A parede é verde, não é branca, logo eu vou dizer que ela é verde e vou-me comportar de acordo com a sua cor verde. A pessoa é manipuladora? Então é precisamente isso que vou ter em consideração quando falar sobre ela, e quando tiver de decidir se a quero na minha vida ou não. Não vou fechar os olhos e fingir que ela é uma pessoa inocente, espontânea e autêntica, que recusa os seus impulsos narcisistas e para quem é mais importante respeitar a alma dos outros. Não, se a pessoa é uma narcisista manipuladora, ela será assim chamada e será assim tratada =)

A Verdade é sempre mais importante que o orgulho do ego, e a sua paranóica necessidade e dependência de validação. Temos pena :D

Amar o mundo não é elogiá-lo a torto e a direito, e evitar apontar o dedo ao menos bom. É deixá-lo ser exactamente como é, sem o tentar mudar ou controlar. Mas para isso tem-se primeiro de ver como ele é na Verdade e aceitá-lo como tal, e para isso é preciso ter-se discernimento, em vez de vivermos agarrados às interpretações e percepções erradas do ego. E para isso é necessário auto-conhecimento e auto-aceitação. E para isso é preciso enfrentar-se as nossas limitações e passar pelos estados temporários de culpa, vergonha e medo.

É fácil confundir Amor com validação e desejo quando validação e desejo é tudo o que se conhece, uma vez que nunca se experienciou o estado de consciência do Amor =)

Obrigado pela tua pergunta.

Segue o que Amas,

Pedro C.

2 comentários:

Outlets e companhia disse...

Oi Pedro, tudo bem? Fiz uma pergunta estes dias não sei se neste post, mas não se preocupe. Já encontrei a resposta a partir de outras respostas tuas. A minha pergunta não tem mais qualquer importância.

Pedro C. disse...

Não me é possível responder logo às perguntas, mas se foi respondida assim, óptimo! :)