AMOR

"Ensina só Amor, pois é isso que tu és"

segunda-feira, 18 de maio de 2015

"Estrada da Fúria Para a Integridade - Mad Max: Fury Road"

"Estrada da Fúria Para a Integridade - Mad Max: Fury Road"


Se ainda não viste este filme, devo avisar que irei falar de elementos da história que irão estragar algumas surpresas. Informo também que ao longo do tempo irei acrescentar e alterar elementos no texto, conforme me for lembrando de detalhes relevantes, e chegar a melhores formas de expressar certos princípios e significados.

O contexto, um futuro pós-apocalíptico no qual escasseia o que é essencial para a sobrevivência: água, comida e a natureza no geral. O mundo é um deserto onde não é agradável viver, e a busca pelo próximo bocado de água e comida é constante. Tal como nos baixos níveis de consciência, os momento de emoção positiva são poucos... e a percepção do mundo é negativa, como se fosse um deserto vazio de felicidade, sem esperança, sem nada no horizonte para além de mais areia, poeira e sofrimento.

A estética, parece que as figuras e designs de H.R. Giger foram animados e passeiam pelos desertos pintados por Salvador Dalí, com alguns toques subtis de Dune à mistura, e originais e fantásticos designs de carros. Para um filme passado num futuro pós-apocalíptico está cheio de cor! É quase sempre de dia, cheio de luz e cores vibrantes. Só há um pequeno período de noite, e mesmo aí o azul escuro vibra. O azul do céu contrasta na perfeição com os laranjas da areia do deserto. É lindo e excelente, portanto. Uma das cenas mais fantásticas de ver no cinema é quando os carros se aproximam da colossal tempestade de areia. Só um mestre artista poderia visualizar e concretizar um filme destes, e George Miller é sem dúvida dos melhores.

As cenas de acção são geniais, variadas e grandiosas. Uma ópera de trabalho de acrobacias, stunt work, que sem dúvida merece uma categoria própria nos Óscares. Sem CGI, o que dá logo mais energia ao filme pois o que aparece no ecrã foi filmado a acontecer na realidade, e não criado digitalmente.

O filme tem várias cenas em que se percebe o que está a acontecer devido à linguagem corporal das personagens. São momentos sem diálogo, sem conversas, que passam a mensagem do momento subtilmente, o que é uma forma sofisticada de contar uma história.

As performances dos actores e actrizes não são de nível de Óscar, mas são boas o suficiente para o tipo de filme e personagens em questão. As mais interessantes são as de Charlize Theron como Imperator Furiosa, e de Tom Hardy como "Mad" Max Rockatansky.

O filme tem algum humor, mas pouco. São breves momentos subtis, mas são óptimos. Mesmo com pouco humor acaba por ser positivo e ter boa energia, pelas razões que vais perceber a seguir, ao longo deste texto.

A aparência do filme é portanto excelente como obra de arte cinematográfica. Só vendo... e aquilo que os olhos vêem irá entreter, mas só aquilo que o Olho do Espírito Vê irá inspirar. E é por isso que escrevo este texto no Cool Vibes, pois Mad Max Fury Road é uma das melhores metáforas cinematográficas de todos os tempos em termos de evolução de consciência no geral, e de passar da não-integridade para a integridade, especificamente. E não só...

Quando vi o trailer no cinema, algo me chamou silenciosamente. Eu tinha de ver este filme, e vi-o precisamente hoje. Nos dias seguintes a ver o trailer no cinema, várias foram as vezes que vi os diferentes trailers no Youtube. Algo me chamava silenciosamente, quase como nada antes. A atracção para este filme era tão poderosa que eu já era como que fã antes de o ver lol havia algo nele que eu desconfiava ser precioso e não apenas mais um filme violento de acção para entreter o animal adolescente em cada um de nós. Ao longe no horizonte contemplava um potencial que me fazia sentir em relação a um filme como não me lembro de sentir. Nenhum western - que é algo que amo desde quase que nasci; nenhum filme espiritual - que são lindos e inspiradores,  nem os filmes recomendados por David R. Hawkins - que são dos melhores e nunca me desiludiram; me deixaram tão entusiasmado antes de o(s) ver.

Mad Max: Fury Road não é um filme perfeito, eu não gosto de tudo o que acontece nele, e não tenho como intenção glorificá-lo. Mas a minha missão e responsabilidade aqui é chamar à atenção para o que importa em termos de pelo menos inspiração para uma vida mais alegre, e este filme é uma das experiências essenciais em tal contexto. Nem todos verão nele o que eu vi, infelizmente. Mas por um lado ainda bem... é como que uma arma secreta que pode ajudar muita gente a libertar-se da sua actual condição negativa e transcender o seu sofrimento. Eu nunca vi nada assim, tão cheio do que mais importa, em palavras e imagens, disfarçado e salpicado de negativo, e bem feito o suficiente para atrair as massas. O ser humano comum vai adorar a acção, alguns será mais os designs, outros irão gostar sem saber bem porquê, mas todos ficarão com uma semente, um pequeno sorriso secreto que se irá abrir e crescer com o tempo, pois a Espada da Verdade não tem de ser uma arma óbvia e visível, pode estar disfarçada pelo Bem Maior, pelo bem de todos. Eu cada vez mais acredito que estes ensinamentos também podem ser secretos, para terem uma hipótese de chegar às massas e influenciar positivamente e secretamente quem os ver, neste caso, através de um filme. Nos dias de hoje, em que o ego é glorificado e o narcisismo aplaudido nas suas diferentes expressões, eu tenho a visão da passagem de princípios espirituais de forma secreta, disfarçados daquilo que o ego e o nosso lado mais primitivo idolatram. Eu acredito na arma secreta espiritual, como meio de ajudar a aliviar sofrimento no mundo. Seja através de filmes, músicas, banda desenhada ou qualquer outra arte. A pessoa negativa e inconsciente assim nem os precisa de procurar... irá em direcção à aparência daquilo que idolatra e que é um reflexo do seu nível de consciência e estado emocional mais comum, mas irá encontrar em essência, sem se aperceber, Verdades e princípios que a poderão inspirar a procurar viver de outra forma e ser mais feliz.

É genial, e já começou a acontecer:

Immortan Joe é o nosso ego de serviço no filme. Um falso deus que controla a água, e por isso controla também o pobre povo deste inferno de sobrevivência. Os seus seguidores, os War Boys, seguem-no enganados por falsas promessas de irem para Valhala se o servirem incondicionalmente até à morte. Os War Boys querem morrer por Immortan Joe para merecerem o falso paraíso de Valhala, e têm a atitude de antes de o fazerem alertarem os outros para os observarem. Algo subtil mas que revela que esta mentalidade e atitude giram à volta de orgulho ("olha para mim a fazer algo fixe!"). Eles são como acólitos do ego, basicamente. Immortan Joe é assim uma excelente metáfora para o ego: falsamente relevante e poderoso, que controla os desesperados, perdidos e fracos de espírito através de força, intimidação e ilusões (manipulação, lavagem cerebral, etc). Ele é o ditador da Citadela, onde tudo começa... e surpreendentemente acaba.

É da Citadela que Imperator Furiosa foge com as 5 noivas de Immortan Joe. Pessoalmente eu adoro estes nomes, são sonantes e criativos. Imperator Furiosa trabalhava para Immortan Joe, por intimidação claro, mas decide salvar as 5 noivas (de quem ele teria filhos, e para quem são a coisa mais preciosa), e arriscar tudo. Num contexto destes arriscar tudo tem o potencial de um final bem horroroso se ela fosse apanhada. Ela é um excelente exemplo de verdadeira heroína. A sua coragem e determinação não têm outra fonte senão um nível de integridade.

Max é um homem perturbado. Perturbado pela morte da família, pela qual ele se sente culpado, e é essa culpa que o perturba, o que é normal. Daí o nome Mad Max. Max não começa um herói, mas torna-se um. Ele começa por apenas querer sobreviver. Querer sobreviver só por si é íntegro, e é por isso que todos trabalhamos para ganhar a vida. Ele começa narcisista, não se querendo envolver com ninguém (devido a ter perdido a família), mas depois muda progressivamente e acaba por genuinamente ajudar Furiosa, quando poderia simplesmente continuar o seu caminho solitário calmamente, longe de todo aquele caos e conflito.

"At least that way we'll be able to... together... come across some kind of redemption."

Max Rockatansky é portanto um bom exemplo de evolução, que de apenas querer saber da sua sobrevivência, passa a querer saber do bem estar e esperanças dos outros e sacrifica-se por eles, para os ajudar. Perto do fim Max até faz uma transfusão de sangue com Furiosa para a salvar, mostrando clara preocupação com o seu estado, não querendo que ela morra.

"My name is Max. My world is fire and blood."

É assim que todos começamos o nosso caminho de evolução, no "fogo e sangue" do sofrimento emocional, mas não é assim que temos de permanecer.

Max tem também outro aspecto interessante em termos de evolução, pois ele fica "louco" apenas depois de passar pelo pior. É depois da sua família ser morta, e depois de ser capturado por Immortan Joe, que Max se começa a transformar e depois se torna num homem diferente, com uma atitude diferente. Isto é o que na verdade acontece na estrada da evolução: primeiro atingimos o nosso fundo de sofrimento, alcançando a saturação, e depois "explodimos", numa fúria em que já não aguentamos mais e estamos dispostos a tudo para mudar e ser mais felizes. Só quanto atingimos a nossa saturação de sofrimento é que vamos largar o que é preciso, e passamos a estar dispostos a fazer o que é preciso, para passarmos a viver de uma forma diferente que esteja alinhada com aquilo que potencia a nossa evolução de consciência e felicidade. Tal como Max, todos nós primeiro temos de passar pelo pior, pelo deserto negativo, de sofrimento, e ficar como que "loucos de fúria", firmes e determinados a ir em frente custe o que custar, fazendo tudo o que é preciso para mudar, estando dispostos a morrer pela nossa felicidade.

Nux é das melhores coisas que este filme tem! Começa como um fanático War Boy de Immortan Joe que o acompanha na perseguição de Furiosa e das noivas, disposto a tudo para as capturar. A sua transformação é fantástica, pois lentamente a ilusão de Immortan desfaz-se na sua percepção, e Nux acorda. Nux rejeita o "Immortan Ego" e torna-se íntegro, juntando-se a Max e Furiosa, ajudando-os imenso, e no fim sacrifica a sua vida para eles escaparem de todos os que ainda os perseguem, num grande acto de heroísmo. Um vilão torna-se herói é algo que deixou de ser moda. Não é fixe para o ego (pois não valida as suas percepções negativas e o seu narcisismo), logo deixou de acontecer no final dos anos 80.

Há detalhes dos quais não me consigo lembrar para descrever, várias frases e momentos que são metáforas de integridade. O filme acaba bem, tal como o caminho para a integridade. Todo o sacrifício e esforço é válido neste caminho, nesta estrada. No fim a recompensa está para além da nossa imaginação. Como por magia toda a tempestade acaba e o mundo fica em paz. Outros ainda vêem essa tempestade e parecem senti-la, mas tu não, tu Vês que não há tempestade nenhuma, e serás chamado de louco, pelos verdadeiros loucos do mundo.

"As the world fell it was hard to know who was more crazy. Me... Or everyone else."

Max diz isto no início do filme, e é o que mais à frente neste caminho acontece. A nossa percepção deixa de ser como a das massas, como a da maioria, e chegamos a pensar que estamos loucos. E estamos, mas no bom sentido. Integridade é raro neste mundo, e ainda mais raro é Amor. O ego colectivo vê um apocalipse constante à sua volta, quando na verdade apenas há beleza, perfeição e paz. O apocalipse constante que este vê nada mais é que a sua própria essência reflectida e expressa no mundo. Nem tudo o que se vê neste filme é bonito, mas para um filme deste género, e com violência, quase que não se vê sangue, e isso é óptimo! Mas são breves momentos mais feios que vão desaparecendo conforme Max e Furiosa vão transcendendo os obstáculos para a sua felicidade e redenção. Immortan Joe e os seus War Boys são isso mesmo no filme: meros obstáculos para o essencial para a sobrevivência e uma vida mais confortável, tal como o ego e as suas ilusões são obstáculos para a felicidade. O grupo de heróis foge na direcção de um espaço verde onde vivem bravas mulheres, mas descobrem que este espaço já não existe, e as bravas mulheres são poucas. Ao início Max não quer continuar com o grupo (iriam todos na direcção do deserto), e até diz a Furiosa que a esperança é um erro lol mas uma visão da sua filha fá-lo acordar, e dá para perceber que ele percebe que tem uma 2ª hipótese, e que pode transcender a culpa que o perturba. Que pode não ter sido capaz de salvar a sua família, mas que podia escolher agora ajudar Furiosa e o seu grupo, e é isso que faz. usando um mapa que fez, partilha o plano de voltarem para trás para a Citadela pelo mesmo caminho pelo qual vieram, enfrentando e acabando de vez com Immortan Joe e os seus War Boys. Uma vez na Citadela teriam acesso a tudo para sobreviver, a água, as plantações, e viveriam lá, dando acesso ao povo a tudo também. Afinal tudo o que era necessário sempre esteve próximo... não estava noutro lado, longe, mas ir a esse lado foi necessário para poder haver as transformações que trariam a consciência e poder suficientes para ser possível ver a Citadela de forma diferente e usá-la para o Bem. Furiosa e as noivas regressam assim para de onde fugiram, mas foi uma fuga necessária pois sem esta não teria sido enfrentada a ilusão da zona verde, do "a felicidade está noutro lado". E a viagem transformou-as, e transformou o seu contexto também, pois já não havia Immortan Joe e os seus War Boys a comandar a Citadela.

Toast: What are you doing?
The Dag: Praying.
Toast: To who?
The Dag: Anyone who's listening.

Este pequeno diálogo do filme nem precisa de ser explicado. É perfeito. Demonstra que basta acreditar em algo melhor, não é preciso dar-lhe um nome, basta acreditar e pedir ajuda, e depois do esforço e coragem algo melhor surgirá.

“Where must we go, we who wander this wasteland, in search of our better selves"

Esta frase aparece mesmo no fim do filme, e demonstra como o filme acaba por ser uma metáfora da estrada para a integridade. Como se evolui? Como se torna melhor? Como se muda e transforma para algo mais feliz e alegre? Como se muda a vida? Qual é a solução? A estrada para a integridade é também uma estrada de fúria. O ego colectivo não quer que sejas feliz, não quer que mudes, e vai fazer de tudo para te desmotivar e impedir de chegar onde queres. Quando realmente te quiseres tornar íntegro, positivo ou mais feliz, irás experienciar pessoas que conheces tentarem puxar-te para baixo, tal como Immortan Joe e os seus War Boys partem em perseguição de Furiosa e das noivas, querendo apenas usá-las para satisfazer os seus desejos narcisistas, sem querer saber da sua felicidade. Ignorando que elas são sempre livres, e que não são de ninguém, e que na verdade podem partir quando quiserem. Tal como os amigos não-íntegros, não querem quer leias livros para ser feliz, não querem que vás a formações para evoluires, não querem nada disso pois o ego não quer ver nada melhor que ele. Se ele está mal, os outros também têm que estar mal, pois só assim continua a receber a validação dos outros. Só os negativos e não-íntegros se validam uns aos outros, os positivos e íntegros não validam os negativos e não-íntegros. Pelo contrário, denunciam-nos e rejeitam-nos. Pois para se ser positivo e íntegro (integridade é felicidade), temos que aceitar e largar em nós o que temos de negativo e não-íntegro. O que por sua vez nos leva a desinteressar pelo negativo e não-íntegro no geral, pois vemos a sua base de ilusão inútil que não leva a nada, a não ser a mais do mesmo sofrimento.

Então partes e começas este caminho, fazes-te à estrada com esperança, esperança de que vais evoluir e ter uma vida mais feliz com experiência mais alegres, bonitas e benignas, com outras pessoas mais agradáveis, interessantes e boas. E assim que tomas essa decisão a sério, a perseguição começa, e a estrada da evolução enche-se de fúria. O ego é insistente e usa todo o tipo de manipulações para te fazer parar. Seja o ego dos outros, ou o teu próprio. Tens de manter em mente, de forma clara, a toda a hora, a intenção de como queres ser e o que queres experienciar. O espaço verde pode não ser aquele que esperas, mas ele virá e será verde, e será muito mais ainda de Bom e Bonito. E para além da intenção clara, tens de ser firme na rejeição dos não-íntegros. Tens de ser firme na rejeição das suas manipulações, sejam elas mais agressivas, ou de vítima triste, ou de lógica distorcida. Tens de te manter firme rumo ao teu espaço verde, e corajoso perante a adversidade e o conflito. Pois haverá conflito, pois tinhas todo um estilo de vida e relações que te aconteceram devido ao teu nível de consciência. Se vais mudar e evoluir vais subir de nível de consciência, e esse nível de consciência irá trazer um novo estilo de vida e relações. Ambos te trarão conflito interno, e no caso das relações trará também conflito externo, pois as pessoas que te conhecem valorizam mais a tua validação que a tua felicidade, logo não querem que mudes. Também por inveja e como sistema de defesa do ego, vão-te atacar de várias formas, umas mais directas e primitivas, outras mais subtis e espertas. Mas a tua motivação em mudar não pode vir do exterior, tem de vir de uma esperança de viver uma vida melhor, tem de vir de dentro. E dentro de ti ninguém chega, só se permitires. Tens de estar disposto a morrer, tal como Furiosa. Tens de continuar mesmo com todos os ataques e tempestade à tua volta. Tens de acreditar e continuar em frente, pois é possível algo melhor, e não és o primeiro a conduzir pela estrada de fúria em direcção à zona verde... e a chegar lá.

As pessoas mais próximas irão surpreender-te pelas piores razões. Terás de ser duro e continuar, pois pessoas não são princípios, e no futuro novas pessoas aparecerão na tua vida que estão mais alinhadas com os princípios que são a origem da felicidade que pretendes. Relações vão acabar, assim como deixarás de fazer certas coisas e passarás a fazer outras. É a mudança de estilo de vida.

Eu lembro-me da minha viagem pela "estrada da fúria", não é novidade nenhuma, tantas vezes já falei do "deserto" e da "tempestade" que temos de atravessar primeiro, antes de chegar ao tesouro da felicidade. São metáforas que significam desafios. Uns vamos direito a eles conscientemente, outros surgem do nada, lançados pelo Espírito como testes e oportunidades de desfazer karma negativo. Este caminho é possível e está ao alcance de todos que o queiram percorrer, mas é um caminho de constante conflito com o ego, uma estrada de fúria em certas fases. Mas vale a pena! Vale a pena pelos lindos oásis que vamos encontrando. Pelas inacreditáveis experiências que vamos tendo, algumas das quais nem contamos pois não vale a pena, ninguém entenderia ou apreciaria. Vale pela beleza que começa a estar cada vez mais presente, cada vez mais tempo. E de um nível passamos ao próximo, com novos desafios, mas também novas alegrias. Para podermos apreciar o que a vida tem de melhor, temos de ser capazes de lidar com o que ela tem de pior. Eu lembro-me quando comecei a vestir-me de forma diferente, quando comecei a ir meter-me com mulheres que não conhecia de lado nenhum, o coração batia tão forte de medo, mas fui em frente à mesma. Cheguei a ser ameaçado por outros homens, e até a ser empurrado por mulheres, mas no dia seguinte lá estava eu a desafiar-me socialmente outra vez. Lembro-me quando comecei a largar amigos, e quando ao falar minimamente dos ensinamentos que seguia, ser atacado, gozado e criticado. Mas continuei. Lembro-me de todas as vezes que chorei por não aguentar mais, e de todas as que chorei de alegria por finalmente ter acontecido algo bonito que há muito desejava. Lembro-me de estar só, e de passar quase 2 anos até voltar a sair com 2 amigos ao mesmo tempo, algo que reparei na altura e partilhei com eles. Pois antes, devido à selecção que foi  (e é) necessária, ou saía sozinho, ou saía raramente com um grupo de pessoas que mal conhecia não sentindo a ligação próxima da amizade, ou saía apenas com 1 amigo. 2 ao mesmo nunca, pois não os tinha por opção. Lembro-me dos conflitos com a minha mãe, pois como eu estava a mudar já não aceitava fazer certas coisas e ir a certos sítios. Tinha preferências, e não queria dar passos atrás na minha felicidade, nem fazer algo fora do meu novo estilo de vida que me fazia sentir bem como nunca antes. Lembro-me da sua doença, e em como foi uma terrível tempestade de quase 3 anos que não desejo a ninguém, e que acabou com a sua morte, mas que não me fez vacilar neste caminho, a única coisa que me manteve são durante esse tempo, e a minha única fonte de poder e inspiração para lidar com tanta negatividade constante de dia e de noite, e ao mesmo tempo prescindir de vida pessoal quase para ajudar. Quem ler o Cool Vibes desse período e me visse na minha vida pessoal nunca iria perceber que estava a passar pelo que estava, tal é o verdadeiro poder do Espírito, que na prática e realidade resulta como dedicação, e eu não tenho dúvidas nenhumas disso. É a única coisa que importa. Lembro-me também dos ataques no Cool Vibes, que simplesmente o poderiam ter acabado, mas não acabaram. Resumindo, todas as fases desta estrada de evolução têm desafios e ataques, e é indo de cabeça como um louco na sua direcção, com a fúria da firmeza de intenção, que os transcendemos e chegamos ao próximo nível. Nem sempre é bonito de sentir ou excelente na execução, mas se a intenção de ser feliz for pura e inocente (verdadeira), tudo correrá bem no final.

A estrada da fúria para a integridade é real, e só lhe sobrevivemos se formos loucos.

Loucos segundo a percepção do ego colectivo. Não te enganes, tornar-te-ás diferente da maioria das pessoas, e verás que não há como falar com elas sobre a Realidade, sobre como a vida realmente é, pois elas estão inconscientes de tudo isso, logo vão achar que estás a imaginar coisas e que és louco, quando os loucos são eles por acreditarem em ilusões.

Loucos porque por integridade escolhemos fazer o que está certo, em vez do que é fácil. Loucos pois escolhemos perder e recusar algo que o ego deseja, em nome de um princípio de integridade. Mas aquilo que parece uma derrota ou perda para o ego é na verdade uma vitória para o Espírito. E é com todas essas pequenas e invisíveis vitórias do Espírito que vamos conduzindo em direcção à felicidade da integridade. Aquilo que somos define aquilo que vamos viver. É a nossa verdadeira essência que potencia o tipo de vida que temos, e uma essência íntegra e feliz vive uma vida íntegra e feliz.

Então tudo isto para dizer que Mad Max: Fury Road hoje não só me entreteu, como inspirou-me, e inspirou-me pois pareceu-me uma excelente metáfora do caminho de evolução para a integridade, em estilo de arma secreta espiritual. Tem sem dúvida um significado especial para mim, devido ao meu caminho pessoal de evolução.

Será que todas estas metáforas foram intencionais? Talvez sim, talvez não, mas de certeza que isso é irrelevante. Ninguém escapa à inspiração, seja ela consciente ou inconsciente.

Pelo filme estar a ter tanto sucesso e a receber tantos elogios, e por ter esta essência espiritual, brevemente começará a ser atacado e insanamente criticado por aspectos irrelevantes, pelo ego colectivo, devido essencialmente a inveja, ignorância artística, incapacidade de apreciar subtilezas que exigem contemplação e apreciação do momento, e também talvez ao constante desejo do ego de estar num estado de orgulho, o que o leva neste caso a achar-se especial e superior odiando algo que muitas pessoas estão a adorar. Atenção que uma coisa é não gostar do filme, outra é atacá-lo.

Claro que ninguém é obrigado a gostar do filme, isso é perfeitamente aceitável. Não gostar do filme é uma coisa, vem do tipo de personalidade da pessoa. Há muitos filmes íntegros de que eu não gosto, não me inspiram pelo seu tipo de história e execução. Outra coisa é atacá-lo, pegando em 1 aspecto do filme, ou em algo que acontece 1 ou 2 vezes ao longo do filme, retirando isso de contexto, e distorcendo a sua mensagem e intenção, com o objectivo de o denegrir. O que é previsível de acontecer neste mundo insano em que um idiota achou boa ideia matar o Gandhi lol

Os dois ataques, ou críticas, mais comuns são os seguintes:

Que Mad Max: Fury Road é um filme de propaganda feminista. HAHAHA!! Eu vi o filme e não é, não tem nada a ver com propaganda feminista. Se o Mad Max: Fury Road é um filme de propaganda feminista, então o The Big Blue é um filme de propaganda golfinhista :D Esta perceção é anedótica e absurda. Só porque tem personagens femininas fortes, e elas perguntam no filme 3 vezes, "Who destroyed the world?", aos seus perseguidores, isso não significa que seja propaganda feminista. Praticamente todo o filme é acção e carros à macho! lol Eu acho excelente haver tantas personagens femininas fortes, lutadoras, guerreiras, como também personagens femininas bonitas. É no máximo o tema de igualdade dos sexos, e não de propaganda feminista. É bom e positivo haver estas personagens femininas no filme, principalmente a Imperator Furiosa e a tribo das Many Mothers, e espero ver mais filmes assim, em que ambos os sexos mostram o seu melhor e testemunha-se igualdade.

O segundo ataque é que o filme tem pouco conteúdo. E é verdade, não é desse tipo de filme. Não é um filme de muitas explicações verbais e de muitos diálogos inteligentes e interessantes. E depois? Isso não é um sinal de falta de qualidade, é uma característica de um género de filme. Não se vai a uma exposição de pintura surrealista ou abstracta, saindo de lá a dizer que não se gostou e que é má, pois falta-lhe realismo e naturalismo lol é absurdo. 

Este é um filme de acção, e nisso é excelente. A história é simples mas é boa, e acho que já expliquei o suficiente o porquê neste texto. O conteúdo do filme é o que contemplamos acontecer nele. A comunicação não é apenas verbal, mas principalmente não verbal. Há muita mestria de linguagem corporal neste filme, e isso é óptimo! Precisamos é de mais filmes assim: menos conversa irrelevante e mais acção bem feita e íntegra. Apreciar este filme é semelhante a apreciar uma pintura: não é pelo texto, mas pela essência do seu tipo de arte. O cinema é a arte da imagem em movimento, e não da palavra. Pode ter excelentes diálogos e descrições, sem dúvida, mas isso é secundário, não precisa de ter. O verdadeiro poder do cinema está no contar de uma história através de imagem em movimento, nada mais. O resto acaba por ser um extra, um extra necessário pois a maior parte das pessoas não consegue apreciar o resto devido às limitações da mente e do seu nível de consciência. Sem palavras e relatos não conseguem simplesmente apreciar em silêncio a beleza de uma cena, ou a inteligência por detrás de uma elaborada sequência de acção, ou o poder de um olhar ou gesto, ou perceber o significado de algo no filme apenas através da imagem em movimento, ou da linguagem corporal de uma das personagens.

Eu tanto acho este filme excelente, e há mesmo muito tempo que não ficava entusiasmado com um filme - e ainda há mais tempo não ficava tão entusiasmado com um filme contemporâneo - como acho excelente filmes do género do Blade Runner, mais calmos e misteriosos, do género do The Big Blue, mais belos e espirituais, do género do Empire of the Sun, mais realistas e humanos. É essencial saber-se do que se está a falar, e saber-se o que se está a ver. Surrealismo não é realismo, uma pintura não é uma banda desenhada, um filme de acção passado num futuro pós-apocalíptico não é um drama realista. Se queremos conteúdo temos por exemplo os livros do David R. Hawkins, está no topo de conteúdo neste mundo.

Venham mais filmes como o Mad Max: Fury Road! Em que não é preciso levar com conteúdo e complexidades negativas, irrelevantes e desnecessárias, e pode-se apenas contemplar a beleza da acção, cenas e cores, tendo consciência da boa história que é contada através da arte do cinema, estando num estado de consciência mais elevado. Arte que eleva é sempre bem vinda.

E é bem possível que George Miller faça brevemente outro filme do Mad Max. Ele já revelou ter as histórias escritas, e segundo ele é possível que o próximo filme se chame Mad Max: The Wasteland. Se tiver a mesma essência que este, então é muito bem-vindo! Pessoalmente gostaria que a história tivesse a ver com a exploração do "deserto", mostrando com coração diferentes tribos, cidades e personagens, e a forma como sobrevivem. E até poderia ter como um dos temas uma guerra entre tribos, que no final entram em paz graças à intervenção de Mad Max e à descoberta de abundância do essencial (água, comida, gasolina, etc) para a sobrevivência de ambas. Acho que seria um filme interessante, mas isto é apenas o meu gosto pessoal.

É engraçado como um filme como o Mad Max: Fury Road, que é apenas um criativo e espectacular filme de acção, com uma história simples mas com alguns bons elementos de heroísmo e esperança, é atacado por tantos, mas a desnecessária e inútil violência, crueldade e malícia dos filmes de Quentin Tarantino são tranquilamente aceites e até idolatradas pelas massas lol 

Na verdade estes ataques ao filme Mad Max: Fury Road acabam por ser irrelevantes, pois o filme é como é, e quem o quiser ver pode vê-lo e entreter-se pois o filme é excelente nisso, e inspirar-se, se a pessoa o deixar inspirá-la.

Deves ir vê-lo?

Esta estrada pode ser de fúria, mas também é de liberdade, logo a escolha é tua.


Gloria in Excelsis Deo!








18 comentários:

Angelo disse...

Ler a tua historia inspira-me e ao mesmo tempo dá um pouco de medo. És valente e enfrentaste os teus medos o que é de louvar. Dás-me esperança porque tambem eu vim/venho de estados muito negativos e desagradaveis embora que nem sempre faço o correcto e me perco muito tenho a esperança de algo melhor e oxalá um dia chegue. Abraxo e obrigado pelo teu blog!

Pedro C. disse...

Ângelo: "Ler a tua historia inspira-me e ao mesmo tempo dá um pouco de medo"

É bom sinal que te inspire, pois significa que valorizas algo genuinamente bom, eque estás disposto a partir em busca da tua "zona verde". Também é bom sinal que sintas medo, pois quer dizer que és normal, e é sinal de humildade. Este caminho requer coragem, o que significa avançar mesmo quando sentimos medo. E as oportunidades de medo serão muitas, tanto devido ao nosso ego como ao ego colectivo. Agora, eu não sou especial, nem sou nenhum herói. O potencial está ao alcance de todos os que estão prontos para começar a viagem pela estrada da fúria para a integridade. Cada um a seu tempo, assim chegará o teu dia também. Só tens de manter a intenção clara e pura, e ser paciente.

Romário Belarmino disse...

Pedro, tens toda a razão. Realmente, quando defendemos a verdade somos bombardeados com críticas até por parte das pessoas que menos esperávamos. O problema é que a nossa sociedade "adoptou" um determinado modelo que tem vigorado ao longo dos tempos e quem ousar em recusar a cumprir essas regras vai ser, severamente, criticado e até marginalizado. Como bem disses, a sociedade tem a tendência de rotular as pessoas íntegras como sendo loucas e pouco inteligentes. E, acho isto um pouco injusto. Podem até não estarem de acordo com um determinado ponto de vista, mas isto não significa que não devem respeitar a opinião dos outros. Mas, também, como se costuma dizer, nunca iremos conseguir agradar a todo mundo, pois, nem Jesus conseguiu.

Romário Belarmino disse...

Pedro, eu não tenho nada contra a mulher levar a amiga junta quando vai para o primeiro encontro com o homem, até porque ela vai encontrar com um desconhecido. Agora, acho ser uma postura deselegante por parte da mulher, o facto dela não avisar o homem de que vai acompanhada da amiga. Não achas que o encontro entre eles seria muito mais devirtido se ela alertasse o homem de que iria estar presente, no encontro, uma terceira pessoa e, assim sendo, esta não constituía nenhuma surpresa para o homem?

Pedro C. disse...

Romário Belarmino: "Não achas que o encontro entre eles seria muito mais divertido se ela alertasse o homem de que iria estar presente, no encontro, uma terceira pessoa"

Sim é falta de consideração pelo homem levar alguém que não foi convidado. Aceitamos a presença da pessoa e vamos procurar desfrutar a saída o melhor possível com ambas as pessoas, e depois da saída, tranquilamente, podemos expressar à mulher que preferíamos que ela tivesse ido sozinha e avisasse que ía levar alguém, pois a nossa intenção era estar só com ela.

Pedro C. disse...

Romário Belarmino: "quando defendemos a verdade somos bombardeados com críticas até por parte das pessoas que menos esperávamos"

Uma pessoa defende a verdade pois é isso que aprecia e simplesmente está a expressar que gosta de algo e que o valoriza. A realidade incomoda o ego, pois não valida as suas intenções e comportamentos narcisistas, e esta sociedade é do ego lol o ego quer ter razão, não quer ser rejeitado, e não quer ter de respeitar a liberdade dos outros de valorizar algo diferente dele, e deixá-los em paz. Tal como o Dr. Michael Beckwith disse uma vez num programa, "a mediocridade ataca sempre a excelência" lol a integridade não anda atrás dos outros a contactá-los e a atacá-los por serem como são e por gostarem do que gostam. A integridade limita-se a desfrutar a sua felicidade e a expressar como é e do que gosta, não procura e ataca os outros, simplesmente evita aquilo que vê ser maligno e prejudicial para a sua felicidade, e defende-se quando atacada pelo narcisismo dos outros.

Ricardo Salas disse...

olá Pedro :) estou a escrever para te perguntar uma coisa. Eu tinha um facebook e lá tinha muitos "amigos" que nem sequer falava e que conhecia apenas de vista e a maior parte eram pessoas não íntegras. Recentemente apaguei-o e fiz um novo em que so aceito pessoas mais íntimas e com quem eu tenho interesse em falar e que so mando pedidos de amizade a quem tenho interesse em conhecer (ahaha esta ultima é referente as raparigas).Até a maior parte das pessoas da minha turma rejeito. Fazendo isso não tenho quase amigos no facebook, tenho apenas uma quantidade mínima. A minha questão é: fazendo isso não é uma forma de ser "anti-social" e de não me dar com quase ninguém?

Pedro C. disse...

Ricardo Salas: "só aceito pessoas mais íntimas e com quem eu tenho interesse em falar e que só mando pedidos de amizade a quem tenho interesse em conhecer (ahaha esta última é referente as raparigas)"

Isso é perfeito, pois é honesto. Eu também fiz isso no passado, com o Hi5. Se só tens interesse em conhecer raparigas, óptimo, é bem melhor do que estar rodeado de machos idiotas e desinteressantes :D

Ao te veres livre de quem não te interessa, ao te afastares de com quem não te sentes bem, irás automaticamente sentir-te melhor e arranjar "espaço" para novas e melhores pessoas e relações. Foi o que aconteceu comigo.

Estás a começar a ser selectivo, o que é excelente e exige sinceridade e coragem, e temos de começar por algum lado. Estar com alguém por perto só por estar, sem realmente nos entusiasmar, é uma atitude falsa. Se queremos ser mais positivos e confiantes, temos de nos rodear de pessoas positivas e confiantes, mas esse tipo de pessoas não existe no meio de pessoas negativas, inseguras, manipuladoras e desonestas. Humanos não vivem com "lobos". São maneiras de ser e estilos de vida incompatíveis, pois os "lobos" não deixam os humanos ser felizes como gostam e querem ser, são bloqueios que atacam e sabotam o que de bom e bonito os humanos têm na vida.

Um anti-social é alguém que quase não se dá com ninguém pois não consegue, não tem essa capacidade, logo não tem essa escolha. O que estás a ser é selectivo, e a pessoa selectiva pode não se dar com quase ninguém, mas tem a capacidade de conhecer pessoas e desenvolver ligações com elas normalmente, tem essa opção. Simplesmente não perde tempo com relações falsas com quem não lhe interessa, o que depende do seu nível de consciência e tipo de personalidade. Porque é independente, não está com os outros por necessidade, mas apenas por apreciação de como eles realmente são (essência).

A minha sugestão é que tenhas relações apenas com quem ama e valoriza o mesmo que tu amas e valorizas.

Rui Filipe disse...

Boas Pedro :), é assim, o meu pai é uma pessoa não íntegra, ou seja, está sempre a fazer-se de vitima, tem baixa auto estima, quer validação e a maior parte do tempo fala de assuntos negativos comigo e eu ultimamente não tenho respondido muito para não criar ainda mais assunto negativo, que não interessa no caminho para a integridade. Ele acaba por ficar chateado. Tenho medo de dizer-lhe o porquê de eu estar com esta atitude porque pode fazer com que ele se afaste mais de mim e eu não queria isso nem para mim nem para o meu pai. O que devo fazer em relação a isso?

Pedro C. disse...

Rui Filipe: "pode fazer com que ele se afaste mais de mim e eu não queria isso nem para mim nem para o meu pai. O que devo fazer em relação a isso?"

Se não te queres afastar do teu pai, não tens de o fazer. Mas tens de estar consciente de que o caminho para a felicidade não é feito de magia e fantasia, mas sim de constantes escolhas difíceis.

A essência do teu pai está a fazer-te sofrer, isto é um facto pois se isto não fosse verdade não me terias enviado a tua pergunta, estarias apenas alegremente a desfrutar as tuas conversas e convívios com o teu pai. Mas não é isso que está a acontecer.

Esquece o explicar-lhe, ele nunca iria compreender. Ele não é evoluído o suficiente para perceber que o seu estado emocional negativo afecta os outros, e que é perfeitamente válido e aceitável não quereres falar tanto com ele por causa disso. Ele só compreende narcisismo e obter a atenção dos outros através da sua atitude de vítima. Para ele compreender a explicação, ele teria de ser positivo e íntegro, e o cómico é que uma pessoa positiva e íntegra não precisa dessa explicação, lol

A minha sugestão é que te desligues emocionalmente dele. É inevitável, só tens 2 escolhas aqui:

1 - Ou continuas a falar com ele, como ele quer, e continuas a sofrer como tens sofrido, impedido de ser mais feliz e de ter uma vida mais alegre em todas as áreas;

2 - Ou de facto queres ser feliz e estás disposto a tudo para isso, o que inclui escolhas difíceis, e desligas-te emocionalmente dele, deixando-o ao seu destino (karma), e dedicando-te ao teu caminho de evolução e felicidade.

Agora, podes tentar perceber quais são os interesses do teu pai, e em que contextos ele se sente melhor, e procurar apenas estar com ele nessas situações. Mantém uma atitude de gratidão pelo que ele fez por ti, de respeito e simpatia, como se fosses um profissional na sua presença, sem relação pessoal. Tipo a atitude desligada mas apropriada de quem nos atende numa farmácia ou restaurante.

Evita iniciar conversas com ele, e principalmente partilhar detalhes da tua vida privada. No fundo o teu pai não precisa da tua constante proximidade e conversas, apenas precisa de sentir que o amas. É uma questão de intenção e atitude, e não meramente de comportamentos. Dedica-te à tua vida e arranja coisas para fazer e locais para ir. Ele tem de aceitar que és livre e que tens vida própria, e assim não estás tanto perante a sua energia negativa.

As pessoas dependentes como o teu pai têm que se tornar independentes, e são as únicas responsáveis por essa mudança. E tu tens o teu caminho a seguir, e ninguém tem o direito de te impedir de ser feliz, seja fazendo-se de vítima, seja tentando manipular-te logicamente, seja intimidando-te ou deixando de te validar e aprovar para ver se páras de seguir nessa direcção. Boa sorte!

Ricardo Salas disse...

olá Pedro :)quero pedir-te ajuda numa coisa que me afeta muito... eu sinto muito inveja dos outros e esta emoção impede-me de ser feliz, eu não a sigo mas fico com uma grande sensação de mau estar por algum tempo. Já reparei que a maior parte dos pensamentos que me vêm a cabeça nesses momentos é de inferioridade e de que não sou capaz de qualquer coisa, mas eu nao lhes dou atenção, os contemplo. Mas quero vencer isto, estou dar o máximo de mim para isso, e quero pedir sugestões a ti. Obrigado :)

Ricardo Salas disse...

Obrigado pela tua resposta :) espero que continues com este blogue e a responder a perguntas como sempre tens feito e a realizar audios para ajudar as pessoas. Falando por mim, tens me ajudado imenso, obrigado por nos ajudares a todos, continua assim :)

Pedro C. disse...

Obrigado eu Ricardo, foi uma honra.

Miguel disse...

este filme é interessante, vi-o e não o achei grande coisa, reconheço o excelente cenário e as cores vivas do filme, mas acho que a trilha sonora podia ter sido melhor, a interpretação dos actores também, e a história do filme igualmente, apesar disso tudo já vi o filme duas vezes e parece-me a mim que vai me dar vontade de o ver uma terceira vez xD o que não deixa de ser curioso, talvez tenha alguma mensagem subliminar do realizador exclusivamente para mim xD.
De qualquer das maneiras nota-se o aumento de consciência do War Boy, fez me lembrar o Zuko do Avatar e é um filme que todos devíamos ver pelo menos uma vez
Obrigado pela recomendação Pedro:)

Outlets e companhia disse...

Fantástica a sua análise e a sua percepção. Passei por uma perda imensa de meu pai ha 3 anos e antes disso minha mãe gravemente doente, irmão. Mas é o que você disse, com a força do espírito não nos permitimos desistir, se entregar. Sei que há algo maior em tudo, que tudo o que acontece tem uma razão, e que ao final, restamos nós mesmos, eu mesma, e sou maior que qualquer grande provação que esse mundo possa trazer. Obrigada!

Pedro Ribeiro disse...

Gostei muito da descrição que deste a este filme!
Quando o vi não me apercebi de todas essas coisas de que falaste neste post.
Obrigado por estares sempre aqui a apoiar e a abrir a mente de todos nós.
Que venham mais filmes e posts destes!

Grande Abraço!

Outlets e companhia disse...

Li este post - foi um dos primeiros que li quando encontrei o blog - e reli hoje com outra percepção e outras conclusões - fantástico! Mudei tanto em tão pouco tempo - agora pude medir, e comparar. As tuas palavras são vivas? :D

Desta vez me lembrei de um livro que me encantou quando li ainda criança: Fernão Capelo Gaivota. A vida toda acreditei que melhor seria ser só como Fernão, mas voar alto e respirar ar puro, provar do néctar da vida, do que ser presa e ser popular, ou "amada". Me lembrei disso, agora! Encontrei o blog porque queria entender melhor as relações, a mim mesma, e porque me sentia só. Agora me lembrei que escolhi essa estrada, lá atrás. E o que importava era eu naquele momento, e finalmente agora!

Você é o Fernão humano, Pedro - talvez mais popular que ele, não sei, :)))
Seus textos são vivos.

Grata pela tua existência e sabedoria. És o meu Fernão! Um dia voarei tão alto quanto, por sobre as nuvens, assim como os aprendizes de Fernão o fizeram. Até lá, é um prazer aprender, aprender e aprender...
:D

Pedro C. disse...

Outlets e Companhia: "És o meu Fernão!"

haha! Obrigado pelas tuas palavras e felicidades no teu caminho rumo à felicidade!