domingo, 24 de maio de 2015

"Como Transcender o Desejo de Ser a Vedeta e o Maior"

"Como Transcender o Desejo de Ser a Vedeta e o Maior"



Pergunta de leitor:


"Olá Pedro. Tudo bem?

Uma pergunta: Como é que posso transcender o desejo de ser a vedeta e o maior? Eu toco um instrumento e gosto muito do que faço, sinto-me bem a tocar mas muitas vezes durante o dia penso no "artista" que sou e claro, imagino-me a tocar e a ser adorado pelas pessoas (especialmente pelas mulheres). Eu sei que isto é egocêntrico mas muitas vezes deixo-me envolver totalmente por estes pensamentos. Como é possível fazer/seguir algo de maneira integra só porque sim, só porque é bom? Já há algum tempo que me dou conta do que se passa mas agora quero mudá-lo e torná-lo íntegro.

Vou aproveitar para te fazer outra pergunta sobre um assunto que me incomoda e me deixa sem saber como agir:
Acontece-me que um amigo me veio visitar e uma noite saímos eu, ele e a minha companheira de apartamento. Nessa noite eu tentei fazer com que a conversa seja sempre entre os três, integrando sempre as outras duas pessoas. Mas a certa altura os dois começaram a falar entre eles sobre um assunto que realmente era interessante e eu comecei a ficar de lado durante um bom tempo (calado e um pouco chateado). Isto acontece-me algumas vezes também com outras pessoas (isto sentados em uma mesa de um restaurante). O que devo fazer nestes casos? Ir-me embora ou demonstrar que não estou a gostar, ou simplesmente contemplar e esperar que passe a emoção? Realmente não me sinto respeitado nestas situações porque eu também tento sempre evitar que alguém fique de parte numa conversa. Obrigado Pedro pelos teus posts e pela tua ajuda !!! Abraço!"



Resposta, comentários:


Obrigado eu pela tua visita =)

Bom, a tua pergunta não existe lol no bom sentido! Mas quem é que nos dias de hoje, nesta sociedade, quer saber como transcender o desejo de ser a vedeta e o maior? O pessoal quer é saber como ser a vedeta e o maior! haha é excelente a tua atitude, e dou-te os parabéns por isso. Humildade leva-nos ao Céu, o resto, bom... Terra lol orgulho não é o oposto de humildade, é a sua ausência. Não só potencia o ataque dos outros egos, como é um bloqueio à evolução pois a pessoa orgulhosa não aceita e admite as suas limitações e erros, e vive com uma ilusão de falsa auto-imagem de perfeição. É por isso que eu sou o mesmo estúpido de sempre e nunca mudei :D

Primeiro de tudo, não estás a fazer nada de errado. Nem penses nisso, bem pelo contrário! Estás a ganhar consciência das percepções do ego, o que é óptimo. É o ego que tem esse desejo de ser a vedeta e o maior, não és tu. Simplesmente estás consciente de que isso surge, nada mais. Uma vez que estás consciente de que isso surge, podes escolher entre o desejo do ego de ser (ou pensar ser) a vedeta e o maior, ou não. Não odeies esse desejo do ego, procura ver o seu lado cómico, como se fosse um animal de estimação a fazer algum disparate amoroso. No fundo é só isso. Depois, não tens de escolher seguir o desejo do ego de ser a vedeta e o maior, nem tens de pensar que o és. Podes escolher em vez disso humildade e gratidão em relação a tocar o instrumento musical. A gratidão de poderes ter o instrumento e saber tocá-lo, e de o poderes tocar e de te poderes sentir bem ao tocá-lo. É tudo uma dádiva devido a mérito karmico. Tu mereces tocar o instrumento e conseguir tocá-lo como tocas. O poder disso não vem do eu individual (ego) mas sim do Espírito. Daí o orgulho de ser a vedeta e o maior ser falso. Podes ficar contente por saberes tocar o instrumento, e não tens de fingir não o saber tocar por pareces arrogante lol isso é uma coisa completamente diferente do que expliquei. Mas em relação a tocar o instrumento, toca-o à vontade se isso de faz sentir bem, e a minha sugestão é que tenhas uma atitude de gratidão perante essa tua dedicação. Eu desenho e o meu ego é a mesma coisa! lol ele acha-se grande artista haha mas a verdade é que eu sou um zé ninguém que ama desenhar, e nada mais. Nem tenho alegria em fazer desenhos por dinheiro, e já recusei fazê-lo. É forçado, e para mim desenho é algo que me acontece e que é uma expressão de autenticidade. Eu não desenho nada, eu permito que o desenho aconteça e é tudo graças ao Espírito. Sem a sua energia, estado e sabedoria nunca conseguiria desenhar. Atenção que isto que estou a dizer não é o mesmo que ter algo contra quem desenha profissionalmente e ganhar dinheiro com isso. Ainda bem que assim é, pois os profissionais ensinam-me e inspiram-me muito. A minha atitude perante o desenho é apenas uma opção pessoal, e também já fiz dinheiro com desenhos que fiz. Nada de especial, mas sei a diferença de desenhar com alegria porque estou entusiasmado com uma imagem e tema na cabeça, e desenhar porque alguém quer, com prazo "x" e preço "y". Já foram vários os desenhos bem trabalhosos que fiz de graça para ajudar pessoas, e isso deixou-me bem feliz.

"Realmente não me sinto respeitado nestas situações porque eu também tento sempre evitar que alguém fique de parte numa conversa."

Atitude espectacular! Eu só não bato palmas porque senão não consigo escrever isto :D talvez se eu tentar com o nariz :D isso é de facto bonito da tua parte e demonstra uma boa intenção e maturidade. Mas pelo que escreveste é algo que te está a fazer sofrer, de alguma forma. As minhas sugestões para poderes aliviar esse sofrimento nesse tipo de situações são:

* Se ainda não o tentaste fazer, passa a tentar fazer parte da conversa paralela. Não é meteres-te à campeão, interrompendo e desrespeitando, mas sim, se tens interesse real na conversa, fazeres alguma pergunta sobre o que está a ser dito e assim inserires-te nela através de curiosidade real;

* Nunca deixes de tentar inserir as pessoas nas conversas, mas equilibra isso com ter em atenção se há algo em comum o suficiente para haverem conversas naturais de entusiasmo e interesse comum. Se as pessoas forem demasiado diferentes de ti, irás ser sempre colocado de parte, o que é desagradável, e não há nada que possas fazer pois não há compatibilidade. Pensa nisso, procura perceber se as pessoas têm mesmo a ver contigo ou não. Se tiverem, óptimo, a primeira sugestão vai resolver a situação. Se não tiverem vais experienciar mais do mesmo. Procura estar com quem ama o mesmo que tu amas, e as conversas (e actividades) serão sempre de entusiasmo, pois ambos estão a desfrutar e a apreciar algo que amam. E quando experienciares isso não vais querer outra coisa, pois é lindo.

A mim parece-me que estás no bom caminho, por isso continua! =)

Obrigado pela tua pergunta

11 comentários:

Gregorij Branco disse...

Olá Amigo Pedro, como estás hoje? :)
Gostava de partilhar contigo uma história, que a mim deixa-me sempre comovido.
Num café onde costumo ir, está lá normalmente um casal de namorados, em que os vejo sempre aos beijinhos e abraços. Tenho a dizer que acho tudo isso de uma enorme beleza e adoro contempla-los juntos, mas tento ser discreto para não chamar a atenção deles, talvez seja por alguma defesa minha ou medo de olharem, mas a verdade, Pedro é que eles me inspiram muito, mesmo sendo solteiro, não consigo sentir inveja, o que acho positivo. Eles tornam o meu dia mais bonito, há ali algo de maravilhoso neles. Um abraço para ti Pedro.

José Valdez disse...

Olá Pedro

Queria aproveitar o espaço de cometários sobre este filme (que ainda não fui ver, pode ser que também me decida a ir ah ah) para agradecer o teu trabalho e tudo o que Tu/Coolvibes tem feito por mim.

Apesar de ainda ter as minhas limitações no campo amoroso (continuo sem namorada e com dificuldades em conhecer mulheres), este blog ajudou-me muito.

Passei a fazer coisas que há dois anos (foi quando comecei a levar os ensinamentos mais a sério) não me veria a fazer. Disto dou o exemplo de sair à noite sozinho, andar de bicicleta (tinha medo e quando comecei, descobri que é uma coisa que adoro fazer) e, entre mais algumas coisas, pelo menos já consigo falar normalmente com mulheres (antes ficava todo vermelho e a suar tipo um anuncio que uma marca de desodorizantes passava na TV ah ah) e na noite, muito de vez enquando, lá consigo tentar ir meter conversa com alguma mulher. Adicionalmente, mais importante que o exterior, é também o sentir ter evoluido interiormente.

Apesar de ainda haver muito para desbravar quero deixar mais uma vez o meu muito obrigado

Pedro C. disse...

Gregorij Branco: "eles me inspiram muito, mesmo sendo solteiro, não consigo sentir inveja, o que acho positivo. Eles tornam o meu dia mais bonito, há ali algo de maravilhoso neles"

Olá! Eu estou bem hoje :)

Ficar feliz com o sucesso, alegria e qualidades dos outros, ou com o que alcançaram, é uma das coisas que nos ajuda a ir mais além e a sermos felizes também. Ao apreciar a felicidade dos outros estamos como que a abrir a porta para que isso também nos aconteça e também sejamos felizes. O estado só por si já é positivo, e potencia as melhores das coisas na nossa vida. Se é possível para os outros também pode ser possível para nós, e a felicidade deles pode-nos assim inspirar e ensinar alguma coisa útil, e levar-nos mais além.


Pedro C. disse...

José Valdez. "antes ficava todo vermelho e a suar tipo um anuncio que uma marca de desodorizantes passava na TV ah ah"

Obrigado eu José, é uma honra poder ajudar com aquilo que me tem melhorado a vida e o meu nível de felicidade.

Esse sentido de humor em relação ao teu passado parece-me ser bom sinal. Estás-te a libertar e a brincar, parece-me bom e que estás no bom caminho, pela descrição das tuas mudanças. Por isso continua, seja pelo Cool Vibes ou outro lado qualquer.

Miguel disse...

Ola Pedro, tudo bem?
Recentemente, tomei consciência do que poderá ser uma duvida que me causa paragem egoesritual xD que é a seguinte.
Quando eu me interesso por alguém, normalmente ao inicio eu porto-me bem, mas com o passar do tempo começam a surgir pensamentos do tipo "ela não quer nada comigo" "ela tem um monte de rapazes atrás de si" "eles são melhores que eu" e por ai vais mais pensamentos do tipo, já pensei em mudar estes pensamentos para algo como "eu sou o rapaz dos sonhos dela" "eu tenho tudo para lhe fazer feliz", mas acho que isto também não é a melhor solução pois dai poderá vir uma certa arrogância da minha parte, o que me recomendas?

tipo eu tenho uma certa dificuldade em aparecer ou em fazer-me entender ou então são elas que nao querem entender, porque eu digo as coisas serias meio na brincadeira, mas digo, mas nao sei acho que elas nao percebem a mensagem, acho que vou dizer as coisas de uma forma mais seria.. obrigado Pedro

Romário Belarmino disse...

Pedro, gostaria de pedir a tua sugestão para o seguinte: A minha pasta, contendo alguns documentos pessoais, nomeadamente uma caderneta do banco, desapareceu de forma estranha. Ou seja, tinha-a deixado dentro da gaveta da minha secretária, fechada à chave, quando ausentei-me, para alguns dias de férias, e quando regressei, já lá não estava. Agora, o que acontece é que nós somos quatro colegas, sendo eu o único entre as mulheres a trabalhar na mesma sala. Dois de nós tínhamos ido de férias e as outras duas ficaram. Entretanto, já dei a todas elas o conhecimento deste facto, mas, infelizmente, nenhuma delas soube-me dizer sobre o paradeiro da minha pasta. Pedro, já pensei em apresentar uma queixa à Polícia Juciária, uma vez que eu encontrei a gaveta, fechada à chave, como a tinha deixado e sem nenhum sinal de que tinha sido violada e, para o meu espanto, a pasta, simplesmente, desapareceu. Tenho como suspeita uma delas, já que ela é uma pessoa muito curiosa e que adora emiscuir na vida dos outros, pois, desde daquele dia, ela tem estado a olhar para mim com cara de alguém que anda muito desconfiado e que, se calhar, tenha a culpa no cartório. P.S. Todas elas são mulheres casadas e com uma um certa idoneidade. Pedro, o que me sugeres?

Pedro C. disse...

Romário Belarmino: "tinha-a deixado dentro da gaveta da minha secretária, fechada à chave, quando ausentei-me, para alguns dias de férias, e quando regressei, já lá não estava."

Primeiro, eu não voltaria a deixar documentos pessoais e uma caderneta do banco no trabalho. Eu nunca o faço, pois sei que a maior parte das pessoas não são íntegras e não conseguem resistir à tentação de, por curiosidade ou maldade, mexer naquilo que não é deles. Esta atitude evita problemas como o que estás a ter, e eu sugiro que faças sempre os possíveis para não voltares a deixar no trabalho nada teu.

E sim, vai à Polícia Judiciária, mas não acuses nenhuma delas. É normal que queiras recuperar os teus documentos e caderneta, por isso não há razão para não ires à polícia. Mas não acuses nenhuma das tuas colegas, simplesmente expõe a situação e responde às perguntas que te fizerem. Pode até nem ter sido nenhuma delas, portanto explica apenas que deixaste na tua gaveta os tais documentos e caderneta, fechaste-a à chave, foste de férias, quando regressaste das férias a gaveta estava fechada à chave, mas os documentos e caderneta já lá não estavam. Se tens mesmo a certeza que deixaste essa pasta na gaveta, então é perfeitamente normal que vás à polícia para a tentares recuperar.

Romário Belarmino disse...

Pedro, muitíssimo obrigado pela sugestão. De facto, eu tenciono ir à Polícia Judiciária não só para tentar reaver os meus documentos, mas, sobretudo, por uma questão de auto-respeito. Penso que, só desta forma, todo o mundo passará a saber quem é quem.

Angelo disse...

Obrigado pela resposta Pedro! Desde que li o post que disfruto muito mais quando toco, parece que se resolveu uma parte importante da minha vida e isso é bom. Quero te comentar uma coisa: Aconteceu-me que nas ultimas semanas estava com muita ansiedade e medo mas à uns dia foi-me passando pouco a pouco. Agora ando mais calmo e presente só que nao me apetece nada falar e paso quase todo o dia calado (no trabalho e por ai). Nao me apetece nada esforçar-me para falar. Tu uma vez num post dizias que durante um tempo é bom que só falemos se alguem no pergunta alguma coisa. Podes falar um pouco mais sobre o tema. Obigado Pedro, abraxo!

Pedro C. disse...

Romário Belarmino: "mas, sobretudo, por uma questão de auto-respeito"

Auto-respeito é essencial para a nossa confiança e felicidade. Não deixar que os "lobos" ataquem aquilo que amamos, ou tentem sabotar e destruir o que temos de bom e bonito na vida. Assim para a próxima pensam duas vezes antes de decidir meterem-se contigo, e no processo desmascaras os falsos "simpáticos" e "amigos". Boa sorte!

Pedro C. disse...

Ângelo: "Agora ando mais calmo e presente só que não me apetece nada falar e passo quase todo o dia calado"

Porque largaste a percepção negativa do ego em relação a tocares o instrumento, agora mais luz e energia do Espírito podem "passar" e preencher-te, o que te permite estar simplesmente e tranquilamente a desfrutar tocar, e te deixa mais feliz a tocar. Repara, estás a fazer exactamente a mesma coisa, apenas a tua percepção mudou, mas estás mais feliz ao fazê-lo. E isso é bom, sem dúvida. Agora imagina quando o fizeres com tudo em ti e na vida :)

Eu não me lembro do contexto em que disse isso, mas parece-me que baralhaste um pouco o princípio. Se estás numa fase em que te apetece falar menos, então fala menos. É isso que significa ser-se autêntico, seres tu próprio. Segues as vontades interiores inocentemente. És um ser humano, não um rádio humano lol não temos de estar sempre a falar. Devido às exigências normais da vida humana, é bom que tenhamos a competência de responder e falar quando necessário e apropriado, mas se te apetece falar menos, fala menos, ou não fales de todo quando possível. Haverão outras fases em que te apetecerá socializar e interagir mais, e outras em que te apetecerá mais estar sozinho em casa e tocar o instrumento, por exemplo. Em relação a isso está tudo certo, faz tudo parte do caminho de evolução. São diferentes fases pelas quais todos temos de passar, pois todas elas contêm lições essenciais, e é o Espírito (e não o ego) que sabe o que é melhor nos acontecer, pois o contexto da vida é sempre de aprendizagem.

Lembro-me de partilhar que apenas devemos dar conselhos, ou opiniões, ou sugestões quando são solicitadas. Quando alguém claramente e directamente nos pede um concelho ou sugestão. Isto para contrariar a arrogância do ego de "eu sei o que é melhor para os outros, e os outros têm de me ouvir, de ser como eu e de seguir as mesmas ideias que eu". É portanto um exercício que nos leva à atitude natural de humildade. As pessoas não conseguem ser diferentes do que são, e a prova disso é que se conseguissem já o estariam a ser. Logo não há como mudá-las com as nossas opiniões lol a verdade é que cada um de nós é como é, pois está numa fase diferente da evolução da sua alma, e todas as fases são válidas. É o Espírito que sabe, e o Espírito está sempre a tratar de tudo na perfeição, mesmo que o ego não o compreenda e não queira aceitar :D portanto deixamos as pessoas serem como são e apenas damos a nossa "iluminada" opinião quando esta nos for pedida.