sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

"Como Não Deixar Que o Ego Nos Prejudique Na Vida Amorosa"

"Como Não Deixar Que o Ego Nos Prejudique Na Vida Amorosa"



Pergunta de leitor:

“Olá Pedro, antes de mais um bom ano a todos, desejo as melhores felicidades ao Cool Vibes e a todos os que participam dele.

Agora minha pergunta :D
1º do ano xD

Sabes Pedro que o meu nível de consciência não é elevado, aliás, é muito limitado, mas eu ultimamente tenho tentado ser corajoso, servir os outros e desafiar-me. Prova disso é que eu sirvo até pessoas que não gosto nada só para desfazer o meu ego… oh yeah!! Mas a verdade é que todos os dias o ego me ataca sem aviso e pronto, está o dia estragado. Quando isso acontece procuro contemplar, manter-me consciente, mas não gosto da sensação, e quando chego a casa e penso sobre o que fiz de errado, consigo perceber no que errei, porém no momento faço tudo mal, por isso queria fazer-te algumas perguntas:

A primeira é, o que me vai ajudar mais, a contemplação / ausência de pensamentos, ou o combater o ego? Como meu nível não é grande coisa, tenho sempre procurado pensar que atitudes tomar perante as situações, porque eu penso assim: se for espontâneo, nunca vou ter consciência das asneiras e o mais provável é não evoluir, porque eu às vezes sou espontâneo e só sai asneiras xD...

Outra coisa que gostava que me ajudasses antes que seja tarde demais, é que eu estou a ir para o caminho do orgulho, devido ao facto de como referi acima estar a servir, a ser corajoso, a enfrentar meus medos, eu recebo muitos elogios das pessoas e como é óbvio gosto de ouvir isso, mas não faço isso para receber elogios, mas sim porque quero que essas coisas façam parte de mim, por isso minha pergunta é, como lidar com os elogios de forma integra?

P.S.: lembras-te Pedro da última pergunta que te fiz em que estava interessado numa rapariga com namorado? Olha, ela já não tem namorado xD fiz o que pediste, não me aproximei nem me meti na relação, mas agora que acabou vou ver no que dá, ela diz que está bem solteira, mas eu não acredito xD… passei o ano novo a agradecer as coisas boas que tenho e surgiu-me na cabeça uma frase que escrevi num papel que foi "Partilha Amor, o resto aparecerá" ou seja, vou dar o meu amor e mostrar aquilo que eu sou, o resto fica nas mãos do divino.

É verdade Pedro só mais uma pergunta. Vi num dos teus áudios Como se declarar a uma mulher, disseste que um homem não devia declarar-se, mas sim demonstrar pois o namoro acontecia naturalmente, ainda partilhas dessa opinião? Porque minha situação é a seguinte, eu interessei-me pela rapariga, comecei a demonstrar as minhas intenções, mas não levou muito tempo ela arranjou o tal namorado e eu deixei de mostrar as minhas intenções e com isso passei da lista dos potenciais namorados para a lista dos amigos conselheiros xD, eu quero voltar outra vez para a lista dos potenciais namorados dela xD então o que é melhor fazer, falar com ela e dizer "olha não quero ser teu amigo, quero ser teu namorado" ou demonstrar através de atitudes as minhas intenções? Escrevendo isso estou-me sentido tão entusiasmado só por ter problemas para resolver com mulheres xD já não sei aos anos que isso não me acontecia, até já me estou a rir xD

Muito obrigado Pedro. Abraço :) “


Resposta, comentários:

Temos um novo recorde, pois o P.S. é ligeiramente mais longo que o texto normal :D

Obrigado e Bom Ano para ti, e para todos.

Não sei se foste o primeiro, tem que se confirmar isso com o photo finish :D

“ultimamente tenho tentado ser corajoso, servir os outros e desafiar-me”

Óptimo! Continua.

“todos os dias o ego me ataca sem aviso”

Bem-vindo ao planeta Terra ^_^

“Quando isso acontece procuro contemplar, manter-me consciente, mas não gosto da sensação, e quando chego a casa e penso sobre o que fiz de errado, consigo perceber no que errei”

O dia não tem de ficar estragado por causa disso. Só tens de aceitar que tens um ego, ver isso como normal, e não ter aversão aos estados do ego. É a tua percepção do ego que te faz sofrer, e não os seus estados. Os estados do ego são sempre temporários, e a única coisa que tens de fazer é estar consciente deles, e sem pensar no estado / emoção esperar que ele passe. É isto que te permitirá depois, no momento, não seguir uma sugestão do ego que te leva a cometer um erro. Só depois de cometer o erro é que percebes no que erraste, pois no momento em que fizeste a escolha que te levou ao erro estavas inconsciente da Realidade, e seguiste cegamente uma sugestão do ego. Temos de contemplar as sugestões / emoções do ego para que passemos a estar num nível em que estamos conscientes delas no momento, e para que nesse mesmo momento consigamos dizer-lhes que não e fazer a escolha certa. Sem erros não há evolução, sem experiência não há Sabedoria. É normal e aceitável cometermos erros, e é apenas a saturação do sofrimento vindo desses erros que depois nos leva a querermos ser diferentes e capazes de fazer melhores escolhas. Mas para isso é essencial que quando surge um estado / emoção do ego, a contemplemos e esperemos que ela passe. Basta ganharmos consciência do ego, pois ele só nos controla (e leva a cometer erros, o que por sua vez leva a sofrimento) se estivermos inconscientes dos seus estados / emoções. Por outro lado é essencial não ver os estados negativos do ego como algo mau, mas apenas como algo que, apesar de desconfortável, é normal na vida humana, e algo sempre temporário. É desconfortável, mas temporário, logo qualquer ódio ou aversão é desnecessário e só vai contribuir para perpetuar o sofrimento. Qualquer julgamento relativamente ao ego e aos seus estados negativos / desconfortáveis é apenas uma percepção do próprio ego.

“o que me vai ajudar mais, a contemplação / ausência de pensamentos, ou o combater o ego?”

Não é possível combater o ego. É o ego que quer “combater” o ego lol isso não é transcender o ego, mas apenas seguir um tipo diferente de sugestão / percepção do ego. O ego não se muda, é impossível. O ego é algo do qual ganhamos consciência e desistimos. O ego larga-se, não se combate ou muda. Para isso basta ganharmos consciência do ego e não pensarmos sobre o seu estado negativo quando este surge, e ele irá ter cada vez menos poder sobre nós. Só somos controlados pelo ego quando estamos inconsciente dele e das suas emoções. Assim que ganhamos consciência do ego e não seguimos as suas sugestões, ele perde a sua soberania sobre nós.

“se for espontâneo, nunca vou ter consciência das asneiras e o mais provável é não evoluir, porque eu às vezes sou espontâneo e só sai asneiras”

Se já sabes que certo tipo de escolha será um erro e potenciará sofrimento, obviamente não vais voltar a fazer essa escolha. O teu problema é que estás como que a tentar fingir ser mais evoluído do que és. Repara, sai asneira por seres espontâneo pois é o teu nível de consciência actual. Mais à frente na evolução és espontâneo e não sai asneira nenhuma. O ser espontâneo é o mesmo que ser autêntico, mas ser autêntico não significa ser perfeito, evoluído ou íntegro. Significa ser autêntico, sermos nós próprios como somos agora, qualidades e defeitos. Só há evolução cometendo erros e ganhando experiência. Se não fores espontâneo é que nunca irás evoluir, pois nem sequer irás ganhar consciência de como realmente és, o que não te permitirá sequer seres autêntico e tu próprio. Uma lição aprendida é uma lição aprendida. Fizeste uma escolha, entraste em acção, erraste, sofreste, ficaste farto desse sofrimento, não queres repetir esse erro, que veio dessa escolha, que veio por sua vez de uma emoção do ego, que veio de uma percepção do ego; logo tens de ganhar consciência dessa percepção e emoção do ego, para que depois, no mesmo tipo de situação / contexto, quando ela surgir, estarás consciente e podes dizer a ti próprio: “não obrigado, já sei no que vai dar, e por isso, porque neste momento estou consciente da verdadeira origem desta sugestão do ego, não a vou seguir e vou fazer a escolha certa, mesmo que me sinta nervoso ou que sinta que vou perder alguma coisa que satisfaria o ego”.

“como lidar com os elogios de forma integra?

Com gratidão. Aceitas e agradeces os elogios, e em vez de veres a origem dos elogios em algo especial que há em ti (ego), o que leva a orgulho, reconheces e admites todo o mérito sendo do Espírito, pois a verdade é que tudo o que de bom temos, somos e nos acontece é sempre, sem excepção, uma dádiva divina do Espírito, e tem sempre como origem o Espírito.

“fiz o que pediste, não me aproximei nem me meti na relação, mas agora que acabou vou ver no que dá, ela diz que está bem solteira, mas eu não acredito”

Eu não pedi nada lol eu sempre e só, apenas sugiro atitudes e escolhas que sei por experiência que vão aliviar, reduzir ou evitar sofrimento e karma negativo. Se ela diz que está bem solteira, em vez de escolheres não acreditar nas suas palavras, escolhe aceitá-las. É comum quando um ser humano acaba uma relação, não lhe apetecer logo meter-se noutra, seja porque razão for: ou porque ainda se sente magoada, ou porque prefere desfrutar a vida e liberdade de solteira, etc. E só temos é que, com Humildade, aceitar a escolha dessa pessoa, em vez de forçar aquilo que o nosso ego deseja.

«"Partilha Amor, o resto aparecerá" ou seja, vou dar o meu amor e mostrar aquilo que eu sou, o resto fica nas mãos do divino.»

Essa atitude é excelente, mas a verbalização induz em erro. Amor não se partilha como sendo uma coisa física que se distribui, tipo rebuçados. O Amor também não é nosso (orgulho), não é algo que vem de nós, que está no nosso bolso e do qual temos um recibo ou factura :D Amor é uma dádiva do Espírito, e é algo que se é. Vem do Espírito, nunca de nós. Podemos Amar, mas não podemos partilhar Amor. É uma atitude e maneira de ser no mundo, não é algo que se distribui ou partilha tipo cobertor. Logo, uma melhor verbalização para se ter em mente todos os dias será: “Basta Amar, mostrar como sou e o resto fica nas mãos do Divino”.

“disseste que um homem não devia declarar-se, mas sim demonstrar pois o namoro acontecia naturalmente, ainda partilhas dessa opinião?”

Sim.

(final da transmissão)

:D

Primeiro, não é uma opinião. É uma Verdade da qual ganhei consciência através de experiência. Quando me refiro a declarar-se, refiro-me a um discurso sentimental vindo de um nível, ou estado, de carência / desejo (que é sempre narcisista), com a secreta ou inconsciente intenção de manipular a mulher, tentado fazê-la escolher e aceitar o homem como seu namorado. Este princípio foi partilhado para ajudar os homens que vivem prisioneiros dessa maneira de ser, e que não os leva a lado nenhum em termos de felicidade na vida amorosa, ou com as mulheres no geral. Assim sendo, temos como atitude mais elevada e sincera a demonstração. Sendo um namoro algo que acontece sempre, (SEMPRE), espontaneamente, automaticamente e naturalmente (apesar do ego achar sempre que foi graças a alguma escolha sua que o namoro aconteceu lol), é ridículo e desonesto tentar-se forçar o seu início, tentando controlar o que a mulher acha de nós. Basta nos darmos a conhecer, demonstrar como realmente somos e expressar o nosso interesse pela mulher (verbalmente, criativamente, silenciosamente, não interessa como, mas de forma sincera e clara), e se for suposto aquela mulher gostar de nós, nos querer beijar, querer fazer amor connosco, namorar connosco, etc, isso irá acontecer mais rápido e facilmente. Se não for suposto acontecer por ambos serem demasiado diferentes (ausência de compatibilidade mínima nos aspectos mais importantes), então com humildade aceita-se que ela não era mulher para nós, e largamo-la e esquecemo-la, deixando-a livre para encontrar o melhor homem possível para ela, podendo nós assim também encontrarmos a melhor mulher possível para nós. Porque escolher estar com uma mulher que não é para nós é burrice e isso só potencia e perpetua um estado de sofrimento. Sendo aqui a intenção alcançar novos e mais agradáveis estados de felicidade, isso é um erro.

Não te convenças que estavas na lista de potenciais namorados dela… pois se estivesses, terias de facto namorado com ela. É essa a mensagem que a Realidade te está a trazer. Na Realidade és para ela um amigo conselheiro. Porquê? Pois foi essa a relação que aconteceu entre vocês, e não há mal nenhum nisso. Dizes que começaste a demonstrar as tuas intenções, mas chegaste a beijá-la? Não. Então é porque não és homem para ela. Ela namorou com o outro pois ele beijou-a, e haviam certas compatibilidades essenciais, e atracção mútua. Quando algo é suposto acontecer, acontece. Com Humildade aceitas que não és homem para ela, e segues com a tua vida. Ainda por cima ela já te disse que está bem solteira. Achas mesmo que uma mulher quando gosta de um homem diz-lhe isso? Hahaha!! Tenta manter uma mulher afastada de um homem de quem ela gosta, é impossível! Mesmo que ele a trate mal, se houver a tal compatibilidade em termos de nível de consciência, personalidade e atracção, esquece, ela não o deixará por nada. Muito menos virá com desculpas para se tentar afastar dele ou para evitar que algo aconteça entre ambos =)

Independentemente disto tudo, se tens vontade em voltar a tentar para ficares tranquilo pois sabes que fizeste tudo o que podias, eu acho que podes tentar uma última vez. A minha sugestão é a tal conversa de, “gosto de ti, sinto-me atraído por ti. Não estou interessado em ser apenas teu amigo, mas sim em namorar contigo, e não aceito apenas amizade pois isso iria fazer-me sofrer e o meu auto-respeito não me permite deixar isso acontecer”.

Outra questão é, se nunca a beijaste e não sabes como é beijá-la e sair com ela nesse contexto de ligação física/sexual, como sabes que queres namorar com ela? Lol Não se salta assim de umas saídas de conversa para um namoro. Há um processo natural, com fases diferentes, que pode ser mais rápido ou mais curto, mas que está sempre presente. Começa-se sempre por uma conversa ou convívio, durante o qual percebes se gostas da companhia da pessoa, e se a queres voltar a ver ou não. Tendo a certeza disso podes beijá-la, e conforme for o beijo, ou se ela aceitar o beijo, sabes se há atracção mútua ou se queres continuar a sair e a beijá-la. A mesma coisa com o fazer amor: revela se há compatibilidade essencial para um namoro. Só depois disso, de teres experienciado tudo isso com a pessoa, de estares consciente, por experiência, de todos esses factores essenciais sobre ela e sobre o convívio entre os dois, é que sabes se queres uma relação com a pessoa.

Tu sabes que tu te sentes atraído, e por isso vais meter conversa com a mulher para te dares a conhecer e descobrires no que dá. Mas se nunca tiveste essa primeira conversa, como sabes que queres voltar a conversar com a mulher? Se nunca saíste com a mulher, como sabes que queres voltar a sair com ela? Se nunca beijaste a mulher, como sabes que a queres voltar a beijar? Como sabes que queres fazer amor com ela? Se nunca fizeste amor com ela, como sabes que queres voltar a fazer amor com ela? Como sabes que queres namorar com ela? A escolha é baseada em que experiência real? Como sabes que queres determinada pessoa como teu amigo se nunca conviveste e conversaste com ele?

Querer namorar com alguém e ter essa proximidade e intimidade, tendo apenas como base a conversa e a atracção que sentimos, não é uma escolha consciente. A escolha deve ser feita tendo como base todo o tipo de experiências reais comuns que se tem com uma mulher quando se namora com ela, como se fosse uma espécie de simulação: sabes como é conversar com ela, sair com ela, beijá-la, fazer amor com ela, sabes como te sentes ao fazer tudo isso com ela, logo assim poderás saber se queres namorar com ela ou não. Assim evitas o sofrimento de más relações e de pessoas que só te trariam experiências desagradáveis e emoções negativas.

“Escrevendo isso estou-me sentido tão entusiasmado só por ter problemas para resolver com mulheres xD já não sei aos anos que isso não me acontecia, até já me estou a rir xD”

Sim, é engraçado =) E há uma fase em que o problema é, “qual destas 3 mulheres vou convidar para sair no Domingo?”. E depois há uma 4ª mulher que te convida para sair no Domingo :D é a comédia.


Obrigado pela tua pergunta.

12 comentários:

Pedro Ribeiro disse...

Hey Pedro!
Para servirmos uma mulher que achamos ser atraente, que outras coisas podemos oferecer além daquelas dependentes da posse de dinheiro? Um simples elogio é válido? Isto tudo com o objetivo de desfazer-me do ego e alinhar-me mais com o espírito, enfrentando assim o estado de desejo.
Obrigado, Abraço!

Bernardo Correia disse...

Desde já agradeço muito por disponibilizar tanta informação interessante no seu blog, e por tentar ajudar sempre o próximo sem olhar a quem e sem pedir algo em troca. É uma pessoa que admiro.

O meu nome é Bernardo Correia e tenho 20 anos e sou relativamente 'novato' no que toca à consciência e em alguns outros temas que aborda.

Pelo que vejo de mim mesmo sou uma pessoa com alguma baixa de auto-estima, e quando encontro alguém que gosto de certa forma tenho medo que ela me troque (mulheres), porque pode encontrar alguém melhor, portanto sofro com isto.. Eu sei que isto faz tudo parte do EGO e gostaria de combater isto e outras coisas que sinto relativamente ao tema (EGO).

Tenho tantas dúvidas sobre o que diz que se torna realmente complicado sintetizar, vou fazer o meu melhor.

Relativamente ao EGO, quando nós nos apercebemos que estamos a ser 'atacados' por ele, o que realmente devemos fazer? Observá-lo e perceber que esses pensamentos são inúteis porque apenas nos vão trazer sofrimento? Ou depende muito do assunto que seja? Porque filosofando como se costuma dizer, se existe a felicidade também tem que existir a tristeza, certo? Com isto pretendo dizer que apesar de a pouco e pouco vamos eliminando o EGO, os sentimentos estão sempre presentes, ou eles também fazem parte dele? Desculpe se me estou a expressar mal, mas é que quando penso nisto é como se fosse um poço sem fundo, tantas perguntas sem resposta, daí querer aprender.

Muito obrigado por me 'ouvir' : )

Cumprimentos,

Bernardo Correia

Matheus Alencar disse...

Pedro, como saber o que amamos fazer?
Sei que tem muitas pessoas que têm paixões na vida mas não a seguem por medo; por não dar dinheiro, ser arriscado etc. Mas e no caso de alguém (como eu) que não encontrou tal paixão, qual o caminho para descobri-la? Deve-se largar o que está fazendo? Trabalhar em algo que não ame é algo que realmente impede de ser feliz?

Leandro sc disse...

Pedro, é normal não se sentir nada, nenhum tipo de sentimento, pela dor e perda dos outros?

Acabei de ver uma senhora idosa cair no chão e, aparentemente, eu fui o único a não ter iniciativa de querer ajudar... no momento que percebi isso me senti um monstro.

P.s.: Sou frio em vários outros tipos de situação também.

Romário Belarmino disse...

Pedro, agora, fiquei com uma dúvida. Ora,se por um lado, dizes que "a ex-namorada é uma má opção", por outro lado,dizes que a "A escolha deve ser feita tendo como base todo o tipo de experiências reais comuns que se tem com uma mulher quando se namora com ela, como se fosse uma espécie de simulação: sabes como é conversar com ela, sair com ela, beijá-la, fazer amor com ela, sabes como te sentes ao fazer tudo isso com ela, logo assim poderás saber se queres namorar com ela ou não. Assim evitas o sofrimento de más relações e de pessoas que só te trariam experiências desagradáveis e emoções negativas." Por conseguinte, o que acabas de dizer só se faz com a mulher com quem já estamos a namorar. Daí que eu acho isto uma contradição. Peço desculpas, mas, agora, fiquei confuso.

Pedro C. disse...

Pedro Ribeiro: "Para servirmos uma mulher que achamos ser atraente, que outras coisas podemos oferecer além daquelas dependentes da posse de dinheiro?"

O Serviço está na intenção de fazer a mulher sentir-se bem. Nós Servimos através do que Somos, o que no momento se pode expressar de formas diferentes, conforme a nossa essência. Se não Formos grande coisa, também não podemos Servir grande coisa :D mas podemos sempre fazer algo com a intenção de deixar a mulher a sentir-se bem :)

Se temos dinheiro para isso, podemos usá-lo para oferecer algo à mulher, conforme o contexto. Se não temos dinheiro suficiente para isso, um elogio é uma boa opção. Nesse caso a intenção tem de ser ir falar com a mulher apenas para lhe fazer um elogio, que pode ir de ela ser bonita a ter bom gosto na forma como se veste, etc, e depois desejar-lhe um bom dia/noite, e irmos embora. É dar o elogio e ir embora, basicamente, sem tentar conversar depois. Se depois houver conversa é apenas porque a mulher a iniciou com alguma pergunta ou comentário depois de lhe fazermos o elogio.

Pedro C. disse...

Bernardo Correia: "se existe a felicidade também tem que existir a tristeza, certo?"

O ego alimenta-se e mantém o seu domínio sobre nós através do negativo. Todas as emoções negativas são o ego, e são desnecessárias. Têm como origem ilusões e percepções erradas da Realidade. Na Verdade só existe Felicidade. Quando largamos as ilusões que nos fazem experienciar emoções negativas, apenas Felicidade existe em nós. O ego tem todo o tipo de justificações, desculpas e racionalizações espertas para nos fazer aceitar as suas emoções negativas, mas é tudo baseado em ilusões e falsidade, logo é irrelevante e não interessa. Custa largar essas justificações e emoções pois a curto prazo dão um prazer narcisista ao ego. Tornam a sua falsa existência mais convincente, mas se largarmos esse prazer a curto prazo que tristeza ou orgulho trazem, descobrimos sensações e experiências subjectivas muito mais agradáveis e estimulantes, para além da nossa imaginação.

O ego não se combate nem elimina, transcende-se. Amando o ego ganhamos a capacidade de Ver como ele é e o que é e o que representa, e passamos a conseguir ignorar as suas sugestões (ataques/emoções/pensamentos). Há o ego e o Espírito, e ou escolhemos um ou o outro. O ego dá sempre em sofrimento, por isso na prática é estúpido (lol) seguir o ego. Mas é aceitável que se o faça, pois este é altamente convincente, esperto e insistente. Com Compaixão aceitamos a nossa ignorância (falta de consciência), e começamos a colocar em prática o que nos fará libertar do labirinto de ilusões e sofrimento do ego.

Se queres ter namorada tens de estar disposto a ser trocado por outro homem melhor. É uma chatice para o orgulho mas orgulho é um estado narcisista do ego e não interessa aqui. Com Humildade aceitas que não és o homem ideal para todas as mulheres, e que uma mulher pode-te largar quando quiser pela razão que quiser.

Quanto ao ego, basta ganharmos consciência dele e escolhermos não seguir as suas ilusões (emoções/pensamentos). Quando estas surgem, estamos conscientes delas, percebemos que vêem do ego, e esperamos que passem, sem pensar nelas, focando a nossa atenção no momento presente. Contemplação tem de ser um estilo de vida, ou nada feito, pois sem esforço e treino contínuo vamos sempre falhar no momento da verdade em que o ego nos desafia. Quando começamos a transcender o ego, este incomoda-nos e controla-nos cada vez menos. Cada vez menos surgem as suas sugestões, emoções, pensamentos e ataques. Contemplar, servir, estar diante de fontes de energia positiva e integridade, experienciar a vida, enfrentar os nossos medos, e estudar e aplicar princípios espirituais são as actividades principais que nos vão a longo prazo permitir evoluir e experienciar estados mais elevados de felicidade.

Pedro C. disse...

Matheus Alencar: "como saber o que amamos fazer?"

Não é preciso ter como profissão aquilo que amamos fazer. Podemos fazer aquilo que amamos fora do horário de trabalho. Descobre-se aquilo que se ama fazendo, indo fazendo tudo aquilo que nos apetece fazer. É experienciando diferentes actividades que se descobre do que realmente gostamos, ou não gostamos de fazer.

Nos níveis mais baixos de consciência não é possível descobrir-se o que se ama fazer, pois não há a capacidade de se amar fazer seja o que for lol não há energia suficiente para isso. A vida resume-se a adquirir o máximo de prazeres a curto prazo possíveis, sempre que possível, e a preocupar-se com a sobrevivência. É preciso merecer-se karmicamente descobrir o que se ama fazer, e depois merecer karmicamente ter essa actividade como profissão. Não é algo que se controla, é algo que se deixa acontecer. Tem que haver o mínimo de amor pela vida para se ir fazendo coisas, porque temos vontade de a experienciar, o que nos leva a descobrir por acaso a nossa paixão e verdadeiro talento. Temos é de largar o medo de experimentar coisas novas, e a nossa opinião sobre como a nossa vida deve ser e o que deveríamos fazer. É assim que se deixam os milagres acontecer. As coisas são como são pois têm de ser assim, mesmo que não perceba-mos as razões porque têm de ser assim. A vida é evolução e é o Espírito que manda. O orgulho do ego diz que não, tenta controlar a vida e ficamos em eterno sofrimento pois assim não deixamos a felicidade acontecer. É tão cómico que nem conseguimos ser normais com o sexo oposto ^_^

Pedro C. disse...

Leandro SC: "é normal não se sentir nada, nenhum tipo de sentimento, pela dor e perda dos outros?"

Depende do contexto.

É normal lamentarmos o sofrimento dos outros, mas não precisamos de sofrer com eles, ou por causa deles, ou por causa do que lhes aconteceu.

Lamenta-se o sofrimento dos outros pois sabemos como é desagradável sofrer. Não precisamos de entrar em depressão porque a mãe de um desconhecido no café faleceu. Ou porque a mãe de um amigo faleceu. Ou porque a nossa própria mãe faleceu. Porquê sofrer seja com o que for? Qual é a utilidade disso? O que resolve? O que de bom traz? Nada.

É normal sentirmos uma emoção negativa temporária com essas coisas, isso é normal, é humano. É humano ficarmos tristes e chorarmos quando o nosso namoro acaba. O que já não é normal, é ficarmos num estado de depressão ou revolta durante dias ou meses, por causa disso. Isso é sinal que estamos a alimentar uma ilusão e percepção negativa do ego em relação à situação. Só a Realidade importa, logo só se reage às coisas no momento em que estas acontecem, durante uns breves momentos. Logo, se a situação ocorreu à 2 anos... está-se a reagir ao quê com a depressão? lol se no momento se está confortavelmente sozinho em casa em frente à TV e nada está a acontecer? :D

Não te preocupes por não ter ajudado a senhora. Decide que é importante para ti, para a próxima, ajudar uma senhora que precise de ajuda, seja a levantar-se, seja a atravessar a rua. Para ajudares as pessoas não te precisas de sentir mal por causa do que lhes aconteceu. Entras em acção e ponto final. E se não entrares em acção não te massacres por causa disso. Achas que quem a ajudou é íntegro só porque a ajudou? lol acção faz parte da aparência, é a essência que importa. Muitas das boas acções da sociedade são uma programação de falsa simpatia usada pelos não íntegros que querem ser vistos como boas pessoas, para obterem validação e aprovação, serem aceites e evitarem ser rejeitados. Logo a sua intenção é narcisista: é para controlar o que os outros pensam deles lol ajuda porque queres aliviar sofrimento aos outros e trazer-lhes uma pequena alegria, e nada mais. Não ajudes porque tens medo que os outros te vejam como mau.

Portanto, não te massacres por não teres ajudado a senhora ou porque achas que és frio em várias situações. Tem compaixão por ti próprio pois és vítima do ego, sê paciente contigo próprio, e começa a fazer um esforço por deixar as emoções fluir e fazeres algo pelos outros sem pensares em ti próprio.

Pedro C. disse...

Romário Belarmino: "o que acabas de dizer só se faz com a mulher com quem já estamos a namorar. Daí que eu acho isto uma contradição."

Não há qualquer contradição.

Repara, o que eu disse faz-se ANTES da relação, com a mulher com quem estamos a SAIR e a CONHECER. Faz-se com a mulher que ainda não é nossa namorada, para descobrirmos se a queremos como namorada. E só se gostarmos da experiência de conviver com ela e de fazer todas essas coisas com ela é que decidimos namorar com ela. Primeiro há a entrevista de emprego, depois é que vem o contrato de trabalho ^_^

Se a mulher for ex-namorada, já sabemos como é namorar com ela, logo não é necessário simular absolutamente nada. Ela é um caso arrumado ^_^ e se a relação acabou, é porque não é suposto namorarmos mais com ela, seja porque razão for. Aceitamos igualmente o início e o final das relações, pois é esse o karma (experiência, lição) que o Espírito tem para nós (tudo na vida é temporário e emprestado = dádiva do Espírito).

nelson goncalves disse...

O Ego não pode ser só negativo pode ser positivo?

Pedro C. disse...

Nélson Gonçalves: "O Ego não pode ser só negativo pode ser positivo?"

O ego é sempre negativo, e nunca positivo, pois é uma ilusão. Sendo uma ilusão, não existindo na realidade, não tem energia. Apenas o que é real tem energia. Não tendo energia é negativo, e está sempre a precisar de energia. Todas as emoções do ego são negativas, mesmo as menos desagradáveis como o desejo, raiva e orgulho, pois têm como origem uma ilusão, logo não têm energia e buscam por energia.