terça-feira, 14 de janeiro de 2014

“Como Se Sentir Confortável e Confiante Com As Mulheres”


Pergunta de leitor:
Nota: corrigi vários erros ortográficos no texto abaixo para que pudesse ser mais facilmente compreendido.

“Obrigado por mais um post fantástico. É bom ler e contemplar a forma como escreves e deixas as coisas tão belas e bonitas. Isso fez-me ganhar mais consciência do que me rodeia. O nosso amigo ego está sempre à espreita.  
Tu falas que quando estamos num certo nível de consciência estamos a ser a testemunha. Ultimamente tenho me sentido como essa testemunha.
Tenho-me apercebido que em conversas minhas com mulheres o meu "amigo" está ali ao lado a tentar controlar a situação ou o momento. Faço um esforço para voltar à contemplação e daí surgem sentimentos de angústia, frustração. Eu não devia ter dito aquilo, eu disse aquilo - Eu fiz um elogio - espectacular. (Parece que está sempre ali uma voz ao nosso lado.)

Ainda me sinto desconfortável quando estou junto a uma mulher em silêncio. Aquilo ainda parece a guerra das estrelas :D Às vezes vou à casa de banho para ver se aquilo passa, outras vezes fico com vontade de dizer algo e não digo. Ultimamente as mulheres têm-me desafiado mais a sair da minha zona de conforto.  Às vezes nem esperava certos convites da parte delas.
É desconfortável. Mas sinto que quando estamos vulneráveis, quando estamos perto delas para dar ou experienciar algo de positivo, são elas que se aproximam. Mas o nosso amigo depois quer abrir a porta e juntar-se à festa. É nesse momento que fico desconfortável, começo a sentir ódio de mim mesmo. A alegria com que estava no princípio da interacção começa a descair e só me apetece ir embora do sítio onde estou. Presumo que me vais dizer que o estado da minha consciência é baixo? Mas por vezes sinto lampejo de luz e está tudo às mil maravilhas.  

Isto é uma novela engraçada. Às vezes riu-me de mim próprio e da situação mas de outras parece que estou num buraco sem fundo. Pedro gostava da tua análise a esta novela apocalíptica lol gostava que me orientasses neste caminho que eu quero percorrer. Abraço”


Resposta, comentários:

Obrigado eu por teres investido o teu tempo para ler o post.

Apesar de estares a começar a te aperceber de certos aspectos do ego/mente, o que descreves não é o estado da testemunha. No estado da testemunha são se sente a angústia e frustração que sentes, nem se tem os problemas que descreves. Estás a começar a ganhar consciência de como o ego/mente sabota as tuas interacções e experiências com as mulheres e isso é óptimo, sente-te grato por isso pois sem isso, sem consciência das limitações estas controlam-nos, prejudicam-nos e sabotam-nos constantemente, impedindo-nos de experienciar o que a vida tem de melhor, e de estar à altura do que a vida tem de pior.

“Faço um esforço para voltar à contemplação e daí surgem sentimentos de angústia, frustração.”

Parece-me que não estás a contemplar devidamente, mas sim a julgar algo em ti. Quando contemplamos estamos apenas a “observar” a Realidade interior (emoções, pensamentos) e exterior (pessoas, situações, contexto) a acontecer, sem resistir a nada. Parece-me que estás a julgar e a odiar o facto de o ego/mente comentar as tuas interacções. Não é assim que te vais sentir confortável com as mulheres. Aliás, isso nem sequer existe. De uma percepção mais elevada, as mulheres não existem. Não existem como ser individual que está à nossa frente num corpo que fala e se mexe. Isto significa que não é possível sentires-te desconfortável, nem confortável, com as mulheres =) não é maravilhoso?

Então de onde vêm essas emoções desagradáveis quando estamos com as mulheres?

Quando te aproximas de uma mulher, estás na verdade a aproximar-te de ti próprio. Isto quer dizer que, dentro de um nível de percepção normal humano em que ganhas consciência da mulher, sentes atracção. Então aquilo com que te sentes desconfortável não é com a mulher em si, mas com a atracção que sentes por ela. O Silêncio amplifica a tua sensibilidade a essa atracção, daí sentires-te numa “Guerra das Estrelas” quando estás com uma mulher em silêncio. Eu calculo que esse silêncio seja apenas exterior, pois se fosse interior (Silêncio com “S” grande), só experienciarias Amor, o que é tudo menos desagradável e traz verdadeira confiança (pois não depende de circunstâncias ou confirmações exteriores).

Então como te podes sentir confortável e confiante com as mulheres?

Primeiro tens de deixar de avaliar a tua performance em directo tipo comentador de jogo de futebol. Foca-te apenas em desfrutar a mulher, a sua beleza e o momento com ela. Em vez de te perguntares “como me estou a safar?”, pergunta-te antes “como a posso servir?”. Ou mais simples “como posso tornar esta saída mais divertida para ambos?”. E quando te apanhares a avaliar a tua performance, em vez de odiares isso em ti, aceita-o. Não o vejas como mau, mas apenas como uma limitação normal humana. É o ego/mente a fazer disparates outra vez, como um gato que se mete dentro de um jarro e que tem dificuldades em sair de lá depois =) tens de ter uma visão mais benigna do teu lado humano, uma visão de compaixão para contigo e as tuas limitações. O passo seguinte é confessares à mulher que estás ali todo preocupado ou pensativo em relação a como te estás a portar perante ela. Porque a achas bonita e já tiveste entretanto 3 curto-circuitos, e um deles apagou-te a memória de onde vives =D a voz está ali sempre ao nosso lado quando nós a alimentamos. Não alimentes aquilo que não queres que cresça.

“Ainda me sinto desconfortável quando estou junto a uma mulher em silêncio.”

O silêncio em si não é desconfortável, é a tua percepção do silêncio, que vem do teu nível de consciência predominante, que te faz sentir desconfortável quando estás em silêncio com uma mulher. E há outra coisa, nem sempre é apropriado num interacção em contexto social estar em silêncio. Uma ou outra vez tudo bem, mas numa interacção com uma mulher só deves estar em silêncio a contemplá-la quando ela está a falar. Se ela estiver calada não estejas sempre em silêncio a olhar para ela… faz isso poucas vezes. E se o silêncio não for interior também, e não estiveres consciente dela e do que vos rodeia (visão periférica), esse “silêncio” de que falas não é o de que eu falo, e não é apropriado, pois vem de um esforço do ego, e não de um estado do Espírito, digamos assim. Uma coisa é estares presente no momento por Amor ao momento, outra coisa é simplesmente calares-te e olhares para a mulher na esperança que algo mágico que desejas aconteça.

“Às vezes vou à casa de banho para ver se aquilo passa, outras vezes fico com vontade de dizer algo e não digo.”

Fugir?! Lol não não não. Isso acabou-se caro amigo! =) vais ter de desenvolver a disciplina de enfrentar o desconforto perante a mulher, é assim que vais ganhar confiança e transcender o problema. Nada de fugir para a cada de banho, e começa a dizer aquilo que tens vontade de dizer. Chama-se a isso sinceridade. Se estás com uma mulher é essencial que o mais breve possível lhe reveles a tua intenção. Isto significa dizer-lhe que a achas bonita e/ou que te sentes atraído por ela. Qualquer mulher normal vai perceber que não estás apenas interessado em ser “amigo babysitter”, mas sim em namorar com ela. Depois basta fazeres as pequenas escolhas que levarão a vossa ligação para a frente nessa direcção, e cabe a ela se estiver interessada no mesmo deixar as coisas fluir e evoluir, aceitando os convites, o beijo, etc. Quando estiveres confortável com a atracção que sentes por uma mulher, estarás confortável e confiante com essa mulher, na sua presença, em silêncio e tudo.

“Às vezes nem esperava certos convites da parte delas. É desconfortável.”

Óptimo, isso significa que és humano. E as mulheres têm relações com homens da raça humana, portanto estás no bom caminho =) é normal isso trazer um certo desconforto pois és apanhado de surpresa. Se não trouxesse nenhum desconforto serias um psicopata lol isso sim, é mau =) o que tens a fazer quando isso acontece é revelares à mulher que ela te deixou sem jeito pois apanhou-te de surpresa, mas que gostaste da surpresa. Vais ver a diferença. Essa confissão vai libertar energia que vai logo energizar a vossa interacção. Até te esqueces de avaliar a tua performance! “Ok isto que eu disse faz-me ganhar 10,2 pontos ou 10,4 pontos?!” =D

Se o amigo quer abrir a porta e juntar-se à festa paga-lhe um copo e diz-lhe, “não sossinho, volta para a casota!” lol tens de tratar o ego como um animal de estimação que amas, mas que não podes deixar fazer disparates. Inventa um nome engraçado para ele, e quando deres por ele nas avaliações matemáticas ou ódios apocalípticos, na tua mente, ou em voz alta, diz para ti próprio o nome dele e acalma-o com uma frase qualquer engraçada, como se estivesses carinhosamente a explicar algo a um gato amoroso, mas patetinha. Porque na verdade é isso que o ego é: programação animal inocente. Inocente não porque não faça coisas horríveis, mas porque sem orientação e se for soberano, não sabe o que anda a fazer e vai só fazer escolhas malignas, para si e para os outros.

Portanto em vez de teres ódio de ti próprio, tem compaixão, pois é normal ter-se essas limitações quando se é humano. Tens é de te sentir confortável com elas, vendo-as como uma pequena chatice, mas não como um monstro sanguinário horrível que tem de ser eliminado. Apenas tens de ganhar consciência delas e aceitá-las, e confessá-las às pessoas, às mulheres. E trabalhar nelas com um caminho espiritual de estudo e prática consistente. Não faz mal essas limitações existirem, a mulher à tua frente também tem as dela, somos humanos e isso é bom. Uma visão benigna delas é a solução. Vê-las com humor é o caminho para as transcender. Podes tê-las e senti-las mas elas não te prejudicarem quando estás com uma mulher, se as vires com humor e compaixão, e se as confessares à mulher. “Sinto-me desconfortável, deve ser da tua cara gira”. Assim que aceitares as limitações em ti, irás aceitar nos outros sem os odiares, mas vendo-os com compaixão e lamentando o sofrimento que essas mesmas limitações lhes trazem. E isso é o princípio do Amor. Ama seres humano, e serás Amado como humano. Nunca há razão válida para a ausência de Alegria, pois nós Somos Alegria, e só o facto de Existirmos é razão para nos sentir-mos Alegres, pois temos a oportunidade de evoluir, experienciar uma série de coisas extraordinárias e voltarmos a Acordar deste sonho que é a vida.

“Presumo que me vais dizer que o estado da minha consciência é baixo? Mas por vezes sinto lampejo de luz e está tudo às mil maravilhas.

Tens de largar a ilusão de que és capaz de saber o que vai acontecer no futuro. Isso são super-poderes que só existem na Marvel. Perdes tempo em tentar imaginar o futuro, em vez de desfrutares o presente, que é onde tudo é possível e as escolhas são feitas. Independentemente do nível de consciência, há sempre altos e baixos. Tens de aceitar isso como normal e não o julgar. Por vezes parece estar tudo às mil maravilhas, por vezes parece não estar. E depois? :D desfruta quando está e sente-te grato, e quando não está lembra-te que é apenas temporário e algo extraordinário está ao virar da esquina à tua espera. As coisas são como têm de ser, e o contexto em que acontecem é de evolução. Sem o sofrimento vindo de erros de percepção e escolhas não há aprendizagem e não há evolução. Ainda bem que há baixos na vida, pois se não houvessem nunca corrigiríamos a nossa percepção e escolhas e nunca sairíamos daqui! Lol não somos nós que corrigimos a nossa percepção a nós próprios, é o Espírito conforme vamos conseguindo largar ilusões que nos impedem de Ver a Verdade, mas creio que percebes o que quero dizer com a expressão.

Às vezes riu-me de mim próprio e da situação mas de outras parece que estou num buraco sem fundo.”

Quando te parecer que estás num buraco sem fundo, ri-te sem fundo! :D Ama o fundo! Não catalogues o buraco sem fundo como algo mau, simplesmente experiencia-o pedindo uma lição, sem o comentar, julgar ou odiar, e verás que com Amor o tempo passará mais rápido e aquilo que antes parecia o fim, na verdade era um início disfarçado.


Obrigado pela tua pergunta e Coragem para o teu caminho!