AMOR

"Ensina só Amor, pois é isso que tu és"

sexta-feira, 17 de julho de 2009

"Entrevista a Daniel Sá Nogueira pelo Notícias Magazine - Versão Completa!"

Se não tiveste a oportunidade de ler a entrevista de fundo que fizeram a Daniel Sá Nogueira no Notícias Magazine, então tens aqui no Cool Vibes a entrevista completa. Lê e descobre mais sobre o homem que está por detrás da We Create, "Trata a Vida Por Tu" e "Os Catalisadores"...


Entrevista a Daniel Sá Nogueira por Carla Maia de Almeida.
Fotografia Rui Coutinho

«Trata a Vida por Tu. Motivação. Objectivos. Autoconfiança. Criatividade. Cooperação. Eis algumas das palavras que se ouvem nos cursos e workshops de Daniel Sá Nogueira, especialista em desenvolvimento pessoal que tem no currículo grandes empresas, mas quer falar para um Pavilhão Atlântico cheio… e ainda este ano. O seu estilo é uma mistura de guru espiritual e personal trainer, Gato Fedorento e one-man-show. É preciso vê-lo para entendê-lo.»


Num dos folhetos em que divulga o seu trabalho define-se como «o Astronauta». Porquê?
Daniel Sá Nogueira: Não consigo encontrar uma maneira exacta de me definir. Não me vejo como formador, nem como guru, nem como especialista de desenvolvimento pessoal, orador ou palestrante. E houve alguém que um dia me disse isso: «O que tu és é um grande astronauta!» Claro que não faço viagens espaciais, mas atrai-me essa figura que vai para o desconhecido e para o futuro. O astronauta sai da sua zona de conforto, até fisicamente, e no meu trabalho isso é muito importante. Neste momento, sou uma das pessoas mais ousadas no meio do desenvolvimento pessoal, disso não tenho dúvidas.


O que é ser um «especialista em desenvolvimento pessoal», como também se define?
Daniel Sá Nogueira: Podemos dividir o desenvolvimento pessoal em duas áreas: a parte mais oriental, tudo o que tenha que ver com o tarot, a astrologia, a meditação; e a parte mais ocidental, que tem que ver com o coaching, a programação neurolinguística, a psicologia, as psicoterapias… tudo o que é aceite pelo comum do mortal. Claro que dentro de cada área há práticas que são mais aceites do que outras. Há cinquenta anos, quem ia ao psicólogo era um «coitadinho». Hoje já é normal que uma pessoa vá ao psicólogo quando se sente deprimida.


Segundo essa lógica, diria que uma formação em desenvolvimento pessoal é mal vista?
Daniel Sá Nogueira: Depende da tónica. Se for um desenvolvimento pessoal mais virado para a psicologia ou para o coaching, é mais fácil. Estes temas terra-a-terra, que têm que ver com atingir objectivos profissionais ou compreender os nossos padrões emocionais, não são tão mal vistos. Mas a maior parte dos cursos em desenvolvimento pessoal falam da questão das «energias», e isso para o público em geral ainda é bastante obscuro. Dentro desse grupo há uns que gostam e há outros que estão contra e ficam muito assustados. Acham que os tarólogos e astrólogos são todos uns charlatães…


Mas o desenvolvimento pessoal distingue-se do tarot ou da astrologia, não?
Daniel Sá Nogueira: É uma área que engloba todas essas diferentes coisas. No sentido lato da palavra, aprender uma nova língua ou tirar a carta de condução também é desenvolvimento pessoal. Mas há muitas pessoas que aos 30 anos estagnam por completo, acham que já aprenderam o que tinham a aprender e que «agora é para trabalhar».


A sua vida tornou-se um modelo daquilo que ensina aos outros?
Daniel Sá Nogueira: A minha vida interior, sim. Tive de construir esse modelo, há dez anos não o tinha. Para outras pessoas, o meu estilo de vida é absurdo: aviões a toda a hora, formações em muitos países diferentes… Se alguém me disser que o seu objectivo é ser mãe, viver no campo e dedicar-se à família, se isso interiormente for verdade, acho fantástico. Eu não penso casar-me, mas isso não quer dizer que ensine o «não-casamento».


Tem alguma espécie de âncora?
Daniel Sá Nogueira: A minha âncora é Portugal e não quero ter outro país de residência. Tenho nacionalidade portuguesa desde que nasci.


Veio da África do Sul para cá aos 15 anos. Não sabia nada do país dos seus pais?
Daniel Sá Nogueira: Nada. Já era tão difícil conhecer a minha realidade, quanto mais outra. Eu não sabia o que era a Europa, para ser franco. Da mesma forma que um adolescente cá não sabe nada do que é a África do Sul.


Como era viver na África do Sul, em duas palavras?
Daniel Sá Nogueira: Era fantástico. Gostei muito de viver lá por causa da educação britânica e holandesa: a seriedade, o rigor, o perfeccionismo, a responsabilidade… Isso atraía-me muito. Quando cheguei, achava isto um pandemónio. Na minha primeira semana de escola, vi um miúdo atirar um bocado de bolo ao chão e dizer: «Anda, professora, anda!». Fiquei chocado. Na África do Sul isso não poderia nunca acontecer, seríamos açoitados pelo director. Pelo menos quando eu saí de lá ainda seríamos.


Agora vou citá-lo: «Aos 21 anos, eu era um bronco inconsciente que acabava de sair da faculdade.» O que lhe aconteceu para dar uma reviravolta tão grande?
Daniel Sá Nogueira: Li um livro chamado A Profecia Celestina [James Redfield, 1995]. Foi o livro que me abriu a cabecinha, embora não seja necessariamente o melhor, aquele que eu recomendaria hoje. Até aí nunca tinha lido nada, estava completamente desinteressado destes temas e peguei nele por insistência de uma amiga. Logo a seguir aconteceram uma série de coisas fantásticas, mas a que interessa para a pergunta é que com aquele livro eu vi que alguém me conseguia compreender melhor do que eu me compreendia e apontar-me soluções para o que eu estava a viver. Como é que vamos para a faculdade e não nos dão estes livros?! Não este em concreto, mas outros que nos poderiam abrir a mente para temas relacionados com a nossa psicologia… A partir daí tornei-me num leitor voraz e tudo o que me aparecia à frente era novidade. Passei de bronco inconsciente para bronco consciente em pouco tempo.


Ouvi-o falar sem grande fé no ensino universitário. É uma desconfiança geral ou a sua experiência não correu bem?
Daniel Sá Nogueira: É um misto de várias coisas. Essencialmente, aborrece-me a excessiva importância que damos ao ensino universitário. O jovem tem de ter um diploma – e da maneira que a faculdade acha que um diploma se deve tirar. Se não alinha nisto, é excluído profissionalmente. Depois, é muito difícil ter milhares de professores de qualidade. Ou temos muito dinheiro para investir ou temos de aceitar uma qualidade medíocre onde quer que seja. Não podemos esperar a excelência em tudo, mas na educação e na saúde dava jeito que isso acontecesse… Preocupa-me a desproporção que existe entre a importância que damos aos professores universitários e aquilo que eu considero ser uma inteligência e uma intuição inacreditáveis dos alunos.


Qual é a sua formação?
Daniel Sá Nogueira: Economia, na Universidade Nova de Lisboa. Mas deixei o curso a meio, embora tivesse sido pressionado para não desistir. Por outro lado, também foi um alívio para os professores e certos colegas… Não sou contra o ensino universitário, de forma nenhuma. Acho é que temos de ensinar os jovens a perceber que a faculdade é só uma parte da aprendizagem que devem fazer. Porque também devem ser voluntários de uma causa social, devem organizar-se em associações, devem trabalhar em part-time, devem saber mandar um fax... E essa aprendizagem deve começar a ser feita no secundário, como parte do curriculum escolar. Estar na faculdade e achar que vamos sair de lá economistas é uma ideia bárbara.


E agora dedica-se a ensinar adultos. É difícil?
Daniel Sá Nogueira: Eu começaria por dizer o que torna fácil: é que toda a gente tem sede de ser mais feliz, seja em que tribo do mundo for. Essa é a motivação necessária para fazer a educação para adultos. O difícil é aquilo a que se chama na linguagem PNL [programação neurolinguística] de «mapas do mundo», e que tem que ver com as diferentes maneiras de pensar de cada um. É mais difícil lidar com essa diversidade nos adultos, especialmente se têm 40 ou 50 anos, do que nos jovens ou nas crianças.


Como se convence uma empresa a investir numa formação para o optimismo, se as chefias não transmitem esse optimismo?
Daniel Sá Nogueira: Neste momento isso é o mais fácil. Esta época de crise é extraordinária para qualquer mercado, mas depende sempre da postura que a empresa tem. Há duas opções: ou a direcção diz «bem, isto é por causa da crise, nada a fazer», o que é péssimo porque está a dar luz verde para as pessoas continuarem a ser incompetentes; ou então diz: «Espera aí, a competência geral desta empresa tem de aumentar significativamente!»


Voltando à sua formação: fazer consultoria e coaching para empresas não implica perceber razoavelmente de política e economia? Ouvi-o dizer que não vê telejornais, que mal sabe quem é o primeiro-ministro de Portugal… Porquê esse desinteresse?
Daniel Sá Nogueira: Porque a informação é muito repetitiva e negativa. Eu dantes adorava ver telejornais, era muito interessado em política, via o canal do Parlamento e tudo. Só lentamente é que comecei a ganhar consciência. Estar uma hora inteira a ouvir informação negativa tem um impacte, disso não há dúvida. Bom ou mau, não estou a julgar. Só estou a dizer que para mim é desinteressante pôr o meu cérebro a pensar em tanta coisa chata, que ainda por cima se repete a toda a hora. Tive um mestre que me disse: «Não é a mesma coisa ter dez anos de experiência e ter um ano de experiência vezes dez.»


Insisto: para actuar no nível micro, como faz, não é necessário entender o macro?
Daniel Sá Nogueira: O essencial chega-me por outras vias, não preciso de ver telejornais para saber o básico. O que é realmente importante é o meu estudo e a minha compreensão do que está por debaixo do icebergue, e para isso leio livros e revistas sobre temas que me interessam. Estamos periodicamente em crise, mas importa mais perceber o que é que criou a crise. Ou o que é que fez que as mensagens SMS se tornassem no fenómeno global que são, quando no início ninguém o previa. Isso para mim é muito mais interessante, é melhor do que estar constantemente informado sobre o que se passa à superfície. O que eu digo às pessoas é que pensem na quantidade de informação que realmente está a contribuir para a sua felicidade.


Vamos então falar dos seus workshops, começando pelo título. O que significa «Tratar a Vida por Tu»?
Daniel Sá Nogueira: Quando cheguei a Portugal tive muita dificuldade com a questão do «tu» e do «você», porque no inglês é tudo «you». Aborreci muitos professores porque não sabia dizer as frases gramaticalmente correctas. Criei a sensação de que era tudo muito mais simples se nos pudéssemos tratar por tu. Portanto, esta é uma das mensagens: simplificar as coisas. Não é uma crítica para quem trata os filhos e as pessoas em geral de outras maneiras, mas de facto acho que é importante ser simples com a vida, ser directo, ser tu cá, tu lá…


O que pretende com estes workshops gratuitos para quinhentas pessoas?
Daniel Sá Nogueira: Há muitas respostas para essa pergunta, mas a mais importante é: ajudar o mundo a mudar, mudando os níveis de consciência em Portugal. Acho que vivemos no período histórico mais consciente, que eu tenha conhecimento, e quero ajudar a acelerar esse processo. Quero que daqui a vinte, trinta ou quarenta anos sejamos pessoas mais conscientes com os nossos filhos, pessoas mais apaixonadas, mais tolerantes com os nossos colegas de trabalho, mais capazes de se ajudar e de se conhecer melhor.


No início do workshop disse que pessoas estavam ali para se divertirem. Disse que umas iam aprender alguma coisa e outras se iam transformar por completo. Acredita que em três dias isso possa acontecer?
Daniel Sá Nogueira: A transformação não acontece de um momento para o outro, claro que tem de haver um trabalho prévio e um processo de consciencialização. No entanto, a decisão tem de ser tomada e, por incrível que pareça, temos vários exemplos de pessoas que tomaram a decisão de mudar a sua vida no workshop. Infelizmente muitas pessoas transformam a dor em sofrimento, mas isso não é obrigatório. Eu posso ser despedido, o que me traz dor, mas posso optar por não sofrer com isso e ver o problema como uma oportunidade de crescer.


O seu estilo é uma mistura de guru espiritual e personal trainer com Gato Fedorento. Não receia tornar-se demasiado espectacular?
Daniel Sá Nogueira: Eu ainda queria ser mais show, a maneira de ensinar os adultos é muito chata… Mas para as pessoas que não gostam, também há momentos que não são show. Há ali quatro tipos básicos de atitude, ligada à teoria dos quatro elementos. Há um homem sério e sóbrio em cima do palco, que apela ao lado mental (Ar), no sentido de dar boa informação e boas ferramentas. Depois há uma parte emocional (Água), que é o show. Há pessoas que não conseguem assimilar a teoria se não tiverem oportunidade de se mexerem e de dançarem, tem que ver com o seu mapa do mundo. A parte física (Terra) tem que ver com conseguir resultados práticos; e, por fim, há um lado espiritual (Fogo) que é mais difícil de explicar. O «Trata a Vida por Tu» tem de ser integral. As pessoas têm de sair de lá e dizer: «Houve umas partes de que eu gostei mais e outras menos, mas vou voltar porque ele disse coisas que me interessam.»


Assisti à maior parte do workshop e questionei-me várias vezes sobre se haveria ali uma verdadeira adesão emocional. Quando se incita quinhentas pessoas a pular ao som do Too Sexy for My Shirt, é natural que ninguém queira ficar de fora… Isso não será apenas a psicologia das multidões a funcionar?
Daniel Sá Nogueira: Para muitas pessoas há uma verdadeira adesão emocional. E podemos pôr as coisas ao contrário: então e as que gostariam de dançar mais e não podem, porque há quinhentas pessoas à volta delas que estão quietas? Para quem gosta de pôr o corpo e as emoções a mexer, aquilo que fazemos nos workshops é muito pouco.


Inicialmente o workshop ia chamar-se O Segredo. Depois descolou-se dessa referência ao livro de Rhonda Byrne. Porquê? Sentiu que ia gerar anticorpos?
Daniel Sá Nogueira: Não, pelo contrário. A questão é que eu quase não falava de O Segredo e algumas pessoas vieram ter comigo e disseram-me isso, então resolvi mudar.


Recomenda o livro?
Daniel Sá Nogueira: Claro! E principalmente o filme. Qualquer livro que tenha sucesso, eu recomendo, porque terá alguma coisa para nos ensinar. Há livros de pouco valor e que não têm sucesso. Há livros que têm muito valor, mas não têm sucesso. Por exemplo, os Tipos Psicológicos, de Carl Jung, um livro difícil, mas das obras mais esclarecedoras sobre a psicologia humana que alguma vez li… Quem o lê? Quase ninguém. Depois, há os livros de sucesso. Na minha óptica todos os livros de sucesso têm imenso valor, porque estão a preencher as necessidades humanas de quem os lê, de uma forma que nem eu nem ninguém está a conseguir fazer. Dantes também achava que ver telenovelas e futebol era um desperdício de tempo, mas agora não. Evidentemente, se a pessoa só fizer isso, claro que é um desperdício, mas se significa o seu momento de descanso do dia e a faz feliz, tudo bem.


No workshop, elogiou explicitamente uma marca que é sua cliente. São habituais essas citações no meio de um discurso que mexe com emoções e os sentimentos muito pessoais?
Daniel Sá Nogueira: Também falei dos casinos de Las Vegas… Isso pode continuar a acontecer, sim, é uma espécie de product placement. É importante para mim que a plateia perceba o meu trabalho para empresas. Não vejo mal nenhum, dentro de certos limites. Mas há produtos e serviços a que eu não quero estar associado, nem sequer quero dar formação a certas empresas.


Dividiu o auditório em freaks e cépticos. Ou seja, os que se interessam e embarcam facilmente nas teorias do desenvolvimento pessoal e os que são resistentes à partida e querem tudo muito bem explicado. No entanto, o seu discurso dirigiu-se fundamentalmente aos freaks… Tem essa percepção?
Daniel Sá Nogueira: Claro, porque oitenta por cento das pessoas presentes no workshop eram freaks! Eu estou lá para proporcionar uma oportunidade de aprendizagem a quem quer aprender. Se oitenta por cento das pessoas são jardineiros, vou dirigir-me invariavelmente mais para eles. Se forem oitenta por cento de advogados, pois será para os advogados.


Por outro lado, os cépticos ficam desmotivados…
Daniel Sá Nogueira: Não, não ficam. Se ficou desmotivada, foi porque estava mais no seu papel de jornalista e porque não esteve no workshop até ao fim. Nunca tive um céptico que viesse ter comigo e dissesse: «Não gostei nada!» Mas, se vier, vou querer esmiuçar a reacção e perceber porque é que não cheguei a essa pessoa. Já tive quem me dissesse: «Isto não é a minha onda.» Óptimo! Isto não é onda para toda a gente.


Fala na importância de as pessoas traçarem objectivos a longo prazo, para aumentarem as hipóteses de ser felizes. Muitos especialistas do desenvolvimento pessoal concordam nisto, independentemente das estratégias que propõem. Mas «ser feliz» não é um objectivo muito vago?
Daniel Sá Nogueira: Ser feliz não é nada, no sentido em que ser empresário também não é nada. Mas já é muito bom quando as pessoas dizem e repetem todos os dias que querem ser felizes. De resto, poucas pessoas têm objectivos; e são muito menos as pessoas que sabem quais são e os põem no papel, em consciência. Quase ninguém escreve os seus objectivos, e isso é fundamental.

Mas toda a gente diz que quer ser feliz.
Daniel Sá Nogueira: Nem toda a gente diz. Há quem tenha um discurso completamente fechado, percebe-se logo que esse não é o tema deles. O tema é «a que horas é que eu tenho de acordar amanhã» e coisas assim. Quando as pessoas me dizem que têm o objectivo de serem mais felizes, depois é só ajudá-las a definir mais e melhor os seus objectivos, passo a passo. Mas quero clarificar que não estou a falar só de objectivos socialmente aceitáveis: querer ser mais rico, ou mais magro, ou mais famoso, ou dono de uma empresa. Esses são óptimos objectivos, mas querer ser uma boa mãe, ou ser humilde, ou contribuir para um mundo melhor também são óptimos objectivos. Temos uma ideia um bocado masculina desta questão, a ideia de fazer mais e melhor do que os outros. Mas eu posso ter o objectivo de acordar todos os dias bem-disposto e acreditar que vou ter um bom dia. Aqui surge uma crença autolimitadora: as pessoas pensam em coisas que socialmente não serão aceites, e então acham que não têm objectivos.


Podemos saber quais são os seus objectivos?
Daniel Sá Nogueira: Vai achar isto muito «bimbo» – e espero que me cite directamente quando digo isto –, mas o meu maior objectivo é ser feliz. Neste momento, isso passa por simplificar a minha vida, ter poucas pessoas, poucas coisas e poucos projectos, e ter muito mais tempo livre. Já estou a conseguir fazer isso. O meu principal objectivo profissional é encher o Pavilhão Atlântico, em Outubro deste ano. O supraobjectivo é ter os três principais estádios de Portugal cheios, na mesma noite, com formação em desenvolvimento pessoal. Passar do Atlântico para os estádios não vai ser difícil, o mais difícil será encontrar outros formadores, porque não posso estar em todo o lado ao mesmo tempo. E eu acho que o grande erro é quando o guru só se reconhece a si próprio como tal. Estou a fazer este trabalho, mas daqui a uns dois ou três anos vou ter de me retirar para reflectir, para depois voltar e continuar a servir as pessoas. Neste momento ainda sirvo muito o meu ego.


BI
Daniel Sá Nogueira, 32 anos, nasceu na África do Sul, filho de pais emigrantes que lhe deram a nacionalidade portuguesa. Aos 15 anos apresentaram-no a um país atrasado e desconhecido, onde teve de ajustar-se a outra mentalidade e a outra língua, além de tudo o resto. Aprendeu a falar português com outros adolescentes como ele, numa linguagem muito «tu cá, tu lá» que se reconhece na designação dada aos workshops de desenvolvimento pessoal por si concebidos: «Trata a Vida por Tu». Na mesma área, faz formação de formadores no curso «Os Catalisadores». Falando para cinquenta ou quinhentas pessoas, para multinacionais ou para o público em geral, diz que apenas uma intenção o preocupa: «Ser autêntico». Orador, formador, presta serviços de consultoria e coaching corporativo a empresas e ONG nacionais e europeias, à frente da equipa We Create (http://www.wecreate.pt/). Daqui a alguns anos, não sabe onde poderá estar. Os recomeços não o assustam.

Sem comentários: