AMOR

"Ensina só Amor, pois é isso que tu és"

quarta-feira, 29 de abril de 2009

“O Que Fazer Relativamente ao Ego Humano, Como Se Ver Livre dos Seus Bloqueios e Sofrimento, Evoluir e Contribuir para o Todo”

“O Que Fazer Relativamente ao Ego Humano, Como Se Ver Livre dos Seus Bloqueios e Sofrimento, Evoluir e Contribuir para o Todo”


Hoje é o dia da grande solução.

Como é que se deixa de ser bloqueado pelo ego? O que se tem de fazer para se livrar do sofrimento por ele causado?

Como é que a evolução a sério começa de facto a acontecer, e se passa a contribuir para o Todo?

Nos últimos 3 posts partilhei contigo vários aspectos diferentes do ego humano:

O que é, como funciona e qual é o problema;

As 10 formas mais comuns como se manifesta e expressa na vida em geral;

Como afecta e prejudica a vida amorosa e relação com o sexo oposto.

Se ainda não leste algum dos posts anteriores, é importante que os leias ou não irás perceber este post na sua totalidade.

Em vários posts anteriores eu disse coisas como “matar o ego”, “eliminar o ego”, ou “mandar o ego para o caixote do lixo juntamente com as cascas de banana e os pacotes de leite dobrados”. É importante que percebas que eu usei essa linguagem mais agressiva e cómica para chamar à atenção para a questão do ego: que algo tem mesmo de ser feito de forma radical e intencional.

Mas a solução não é eliminar o ego. Na Verdade há duas coisas a fazer em relação ao ego: torná-lo saudável e transcendê-lo.

Portanto a solução não é eliminar o ego, é eliminar o controlo que ele tem sobre nós. Isso é que tem de ser eliminado, não o ego em si. Porque não há nada de errado no ego em si. O único problema que existe é quando o ego nos controla, quando nos identificamos com ele. Quando pensamos que somos apenas este eu separado, material, mental e emocional, que está sempre à mercê de tudo o que se manifesta à sua volta.

Não há nada de errado com o ego humano em si, ele é apenas um animal selvagem perdido, que vive em constante sofrimento, e que precisa de ser domesticado e direccionado. Só o ego pode ter algo contra o ego... só o ego pode sentir raiva e ódio em relação ao ego... só o ego pode querer eliminar o ego porque é aquela coisa, aquele inimigo que anda a causar todo o sofrimento que ele sente, e ele quer ver-se livre disso tudo.

Quando o ego se apercebe da sua existência e do que anda a fazer, vai-se julgar a si próprio e odiar-se, tipo macaco a olhar-se ao espelho.

E é óbvio que isso nada tem a ver com a solução.

Vamos então falar do que concretamente se tem de fazer:

Uma das coisas é tornar o ego saudável. E tornar o ego saudável pode-se chamar de desenvolvimento pessoal. Isto trata-se de evoluir mentalmente, físicamente e emocionalmente. E este é o típico trabalho que se faz em workshops de desenvolvimento pessoal. Aprende-se a usar melhor a mente para se alcançar objectivos e para pensarmos sobre tudo de uma forma mais positiva, aprende-se sobre as emoções, como nos sentirmos mais motivados, como criar em nós emoções que desejamos sentir através da mente e do corpo, aprendemos sobre linguagem corporal, etc, etc. Fazemos o nosso eu separado evoluir e crescer, aprendendo a usar melhor as suas 3 dimensões, e o seu potencial para nos sentirmos melhor, termos o que desejamos, etc, etc.

Outra parte importante de tornar o ego saudável é a psicoterapia. Isso ajuda-nos a olhar-mos para nós próprios honestamente e vermos aquilo que de facto está mal e tem de ser corrigido ou modificado. Seja o significado que damos a certas experiências, seja a imagem que temos de nós próprios, a forma como vemos os outros, o mundo e a vida, etc. A dimensão mental aqui é trabalhada para que não hajam dinâmicas disfuncionais que nos prendam ou prejudiquem os que nos rodeiam.

Agora, eu não estou a dizer que tens de fazer psicoterapia. Se te sentires motivado a fazer ou se sentires que precisas de fazer, faz. Caso contrário não tens de fazer, pois eu também nunca fiz. Se fores honesto contigo próprio e identificares que estás errado em algo ou que estás mal e muito pouco desenvolvido em algo, então irás conseguir fazer esse trabalho sozinho. Os primeiros passos em termos de desenvolvimento pessoal sério, são um pouco isso. Vemos que somos uma desgraça em determinada área (como eu era na área amorosa e social, por exemplo), aceitamos isso, assumimos a inteira responsabilidade disso estar assim e de o mudar, e entramos em acção num processo de estudo e desafio constantes.

Isto torna o eu separado, ou ego, saudável, sem grandes pancas, bloqueios, problemas, tristezas, inseguranças, etc. Um ego saudável consegue funcionar bem na vida, integra-se bem na sociedade, é normal, alcança objectivos, muda as suas circunstâncias, tem sucesso, torna-se milionário, torna-se famoso, bate um recorde mundial, etc.

Mas continua a sofrer.

Não interessa a quantas workshops de desenvolvimento pessoal vais pular, gritar e celebrar, não interessa os PNLs que aprendas, os coachings e terapias que faças... não interessa a quantidade de dinheiro que ganhes, a quantidade de amigos que tenhas, a quantidade de coisas que alcances na vida, o sucesso que tenhas na vida, a quantidade de sexo que faças, o positivo que sejas, as 1001 ferramentas e bengalas emocionais que tenhas e uses...

Quando chegar o momento difícil, vais sempre sofrer. Quando chegar o desafio a sério, vais sempre sofrer. Quando chegar o problema grave, vais sempre sofrer. Quando perderes algo ou alguém que adoras, vais sempre sofrer. Palavras vão-te continuar a afectar. O ego vai-te continuar a pregar rasteiras... irás reagir a tudo o que se manifestar à tua volta... tudo te irá incomodar e controlar. Continuarás viciado e agarrado às mesmas coisas...

Porquê?

Porque continuas identificado com o bicho (ego). E o bicho continua a ter necessidades e desejos, medos, e está sempre preocupado consigo próprio, e ele sozinho não se consegue colocar no lugar dos outros e ter verdadeira Compaixão, logo as desonestidades, manipulações, cenas de controlo, e decisões que prejudicam os outros vão continuar. Vão continuar a haver discussões, conflitos e guerras porque “sou eu separado de ti e sou eu contra ti e só um pode ganhar, e eu quero ganhar!”.

Tornar o ego saudável é importante pois permite-nos lidar com o mundo material o melhor possível. Permite-nos tirar dele e criar nele o melhor possível em todas as áreas. Desenvolvimento pessoal é parte da equação.

A segunda parte da equação é transcender o ego. Isto significa que nos deixamos de identificar com ele, logo deixamos de ser controlados por ele. As coisas deixam de nos fazer sofrer e de nos condicionar.

Para se transcender o ego é preciso haver evolução espiritual. É preciso trabalhar a nossa dimensão espiritual. Tanto estudar espiritualidade como meditar são duas práticas essenciais.

Isto funciona mais ou menos assim: somos controlados pelo ego (eu separado) pois identificamo-nos com ele. Identificamo-nos com ele pois não temos a nossa dimensão espiritual (eu Universal) trabalhada e desenvolvida para nos identificarmos com ela, que é o que realmente somos: a Testemunha. Temos um corpo, mente, emoções e vida, mas não somos nada disso. Nós somos a Consciência que testemunha todas essas manifestações no mundo material do eu separado.

As coisas deixam de nos incomodar e fazer sofrer pois estamos desidentificados com tudo. Sentimos mais as coisas pois estamos abertos a tudo e vemos tudo pelo que realmente é... se é bom sentimo-mos ainda melhor (prazer), se é mau sentimo-nos ainda pior (dor), mas não há sofrimento pois estamos meramente a observar o que se está a manifestar. As emoções não nos controlam nem têm um efeito a longo prazo. Seja o que for que aconteça, sentimo-lo e vemo-lo pelo que é, mas não nos faz sofrer.

Passamos a viver a vida de uma forma mais completa, integral e consciente, dedicando-a ao Todo, e sempre tratando equilibradamente do nosso eu separado.

Surge uma natural e verdadeira consideração pelos outros, uma despreocupação saudável em relação a resultados, passa-se a “ver” e a “perceber” coisas que a maior parte das pessoas nem sonha, tudo acontece no contexto da partilha e da contribuição, a energia do Amor está sempre presente, sempre “ligada”, e mais uma série de coisas diferentes do género.

É fácil perceber e saber qual é a grande solução para o ego humano, aplicá-la é que é mais complicado. Fazer o eu separado evoluir já é difícil, mas mais difícil ainda é transcendê-lo. Aí é que os desafios a sério começam. Transcender o ego é na sua essência sentirmo-nos confortáveis com qualquer coisa que aconteça no mundo material, seja ela qual for. Seja dor, problemas, perdas, rejeição, solidão, medos, doenças, a falta de algo, etc, etc.

Lembra-te que o Super-Homem é o Super-Homem não porque se consegue desviar das balas, mas porque uma vez atingido em cheio por estas, elas não o afectam. Agora, não é por causa disso que o Super-Homem se mete intencionalmente à frente das balas. Mas ele está disposto a levar com elas por contribuição. Pelo Todo. Por valores e princípios espirituais como a Autenticidade, a Integridade e a Compaixão.

Isto significa que ser Autêntico não te garante ser aceite por todas as pessoas, serás sempre rejeitado. Mas para o espiritualmente evoluído isso é irrelevante, ele não tem essa fraqueza, ele não tem esse medo de ser rejeitado. Para ele isso não tem qualquer impacto. Para ele é mais importante ser ele próprio, ser Autêntico e contribuir para o Todo. Neste caso para a percentagem de pessoas autênticas e não para a de pessoas falsas. E como consequência positiva será rejeitado pelas falsas e irá atrair as autênticas.

Só transcendendo o ego se consegue tomar uma decisão que pode magoar o ego ou fazê-lo perder algo, mas ao mesmo tempo fazer o Todo, ou a outra pessoa, ganhar algo.

Este é um caminho de guerreiro no qual só se verdadeiramente avança se se estiver disposto a ir frente até às últimas consequências.

É um trabalho difícil e pesado, no qual não pode haver desculpas, hesitações, brincadeiras ou as tretas do costume. É dar o passo difícil em frente ou continuar na mesma.

Mas é possível para ti e para todos, é apenas uma questão de querer. Está ao alcance de todos. Tudo aquilo de que precisas já existe em ti, só tens é de aprender a alcançá-lo e a usá-lo.

Para acabar, tudo afecta o ego (eu separado). Se é bom controla-o e ele não consegue resistir, e vai fazer tudo para o obter (desonestidade, manipulação e prejudicar os outros ou a si próprio incluídos). Se for mau vai fazê-lo sofrer, ele não tem escolha. E neste caso pensar positivo, afirmações, visualizações, PNLs e outras coisas do género para pouco ou nada servem. Servem sim para fazer o ego evoluir e torná-lo capaz de criar uma realidade mais agradável a maior parte do tempo. Fazer certas coisas boas acontecer e alcançar certas coisas, para se sentir bem ou melhor.

Transcender o ego vai fazer com que nós deixemos de precisar das coisas, e passemos a não sofrer por causa delas. Isto não quer dizer que não as tenhamos, quer dizer sim que as vemos de outra forma, e que não negligenciamos nada nem ninguém por elas. O Todo passa a estar sempre em consideração, logo os outros também. Ter ou não ter algo não nos incomoda a um nível profundo. Seja bom ou mau o que aconteça, não nos controla. Sentimos o que é pelo que é, mas não nos controla nem incomoda. Passamos a ser testemunhas das emoções, e não as emoções.

Porque é isso que todos nós Verdadeiramente somos: a testemunha. A Consciência que escreveu este texto e que a está a ler agora. Nós somos o Todo. A vida do eu separado é uma espécie de sonho do qual temos de acordar. Temos não como regra imposta, mas como solução para acabar com o sofrimento. Quando à noite vamos dormir e sonhamos, depois acordamos, e tudo o que aconteceu durante o sonho desaparece e deixa de nos afectar. Isto é muito semelhante a transcender o ego. Passamos a viver numa outra realidade, na qual coisas fantásticas são possíveis.

Perguntas:
CoolVibesClub@hotmail.com


Obrigado por teres lido,
Pedro Constantino

terça-feira, 21 de abril de 2009

“Como o Ego Humano Afecta e Prejudica a Vida Amorosa e Relação Com o Sexo Oposto”

“Como o Ego Humano Afecta e Prejudica a Vida Amorosa e Relação Com o Sexo Oposto”

Hey mais um post fantástico no Cool Vibes sobre o ego humano!

Este é o terceiro da série. No primeiro fiz uma introdução ao ego humano na qual expliquei o que é, como funciona e qual é o problema de se ser controlado por ele. No segundo falei sobre as 10 manifestações e expressões (reacções, decisões e atitudes) mais comuns do ego humano.

Hoje vou partilhar contigo como o ego humano afecta e prejudica a vida amorosa e relação com o sexo oposto.

Por nenhuma ordem especial:


CIÚMES

Esta simples, muito comum e fácil de compreender. Ciúmes é um fenómeno que ocorre quando determinado ego se apercebe que outro ego está a obter atenção de alguém de quem ele deseja obter atenção. Por exemplo, um homem conhece uma mulher e anda a sair com ela. A certa altura ele sabe que ela anda a sair com outros homens, e apesar de não terem nada um com o outro, ele fica com ciúmes. Ele não gosta que ela ande a sair com outros homens, porque enquanto ela anda a sair com outros homens, está-lhes a dar atenção/validação. Atenção/validação essa que poderia lhe estar a dar caso não estivesse com eles. O ego vê então o outro como um obstáculo e inimigo a abater, e por causa ciúmes o ego é capaz de tudo. Ele não sente que está a ser o especial, e por isso sente-se inferiorizado, e não gosta. E vai fazer tudo o que poder para se ver livre disso, e mudar essa realidade.

Esteja numa relação com alguém ou não, o ego vai sempre sentir ciúmes quando a pessoa de quem ele quer obter atenção/validação, a está a dar a outra pessoa qualquer. O que o ego não consegue perceber é que ninguém lhe tem de dar atenção especial e exclusiva. Ninguém é responsável por lhe aliviar o vazio interior e a baixa auto-estima. Ele é. Somos nós próprios que temos de transcender a nossa necessidade de obter atenção/validação, de sermos aceites. Os outros têm todo o direito e liberdade de não o fazer, e de estar com quem bem entenderem. De darem a atenção a quem quiserem. Principalmente se não estão numa relação íntima com ninguém. Caso estejam, a questão não é que não estão a dar atenção especial ao ego e a estão a dar a outra pessoa, e este tem de arranjar uma solução para só lha darem a ele. A questão é perceber que essa pessoa pode não ser íntegra e de confiança e acabar a relação com ela. Não pelo que não se está a obter dela, mas por quem ela se está a revelar ser. Se ela de facto está numa relação íntima com alguém e anda a conhecer pessoas do sexo oposto e a sair com elas, muito provavelmente não é o tipo certo de pessoa.

Ciúmes destroem relações e são sempre desnecessários. Não são uma prova de que se gosta da outra pessoa, são uma prova de que se precisa de obter algo da outra pessoa que ela está a dar a outra pessoa que não nós. São uma prova de que se tem um vazio interior que queremos que seja a outra pessoa a preencher, que é essa a sua responsabilidade. Mas não é. Nunca é. A responsabilidade é apenas nossa.


MEDO DA REJEIÇÃO / MEDO DE NÃO SER ACEITE, APROVADO ou VALIDADO

Há uma coisa que paralisa sempre o ego: o medo de ser rejeitado. O ego está sempre preocupado com o que os outros pensam dele e de como as coisas vão correr. Ele precisa de resultados, reacções e opiniões positivas para se sentir bem com ele próprio, pois constrói a sua identidade através do que acontece no mundo material. Se for bom ele acha-se o maior e melhor que os outros, e sente-se bem. Se for mau, ele vai-se abaixo, sente-se triste ou furioso, e procura ver-se livre da causa dessas emoções negativas.

Quando um ego vê alguém do sexo oposto por quem se sente atraído, ele fica paralisado pois tem medo dessa pessoa não o aceitar. Pois para ele não ser aceite é ser fraco e inferior, é uma prova do seu baixo valor. Quem é controlado pelo seu ego nunca conhece lá muitas pessoas do sexo oposto, principalmente do tipo que mais deseja, pois é sempre bloqueado por este medo e nada faz.

Ou então só conhece aqueles que tem a certeza que o vão aceitar, pois aí é seguro. É garantido que não vai ser rejeitado.

Em relação a conhecer pessoas o ego arranja duas “soluções”:

1. Detectar demonstrações de interesse.

Esta é clássica. Como o ego tem medo de ser rejeitado, ele procura tudo aquilo que lhe possa garantir que não vai ser rejeitado. Ele procura perceber se a outra pessoa está interessada, se é seguro ir lá. O ego só se mete em jogos que sabe que vai ganhar. Se fosse um clube de futebol iria apenas jogar contra as equipas teoricamente muito mais fracas. Ridículo. É um sistema de defesa que vem de fraqueza. Da fraqueza de não saber lidar com a rejeição, por isso procura evitá-la ao máximo. Portanto o ego adora analisar todos os sinais que possa para perceber se vai ser seguro ou não. Se vai ser aceite e validado ou não. E ele precisa disso. Outra coisa que ele gosta muito de fazer é depois de ser rejeitado tentar dar a volta à situação. Ele não consegue mesmo viver sabendo que houve alguém que não gostou dele e não o quis conhecer, ou falar com ele.

Mas a Verdade é que rejeição apenas significa incompatibilidade. Não significa que se tem menos valor que a outra pessoa, ou que não se tem valor. Significa apenas que se é diferente da outra pessoa, que segue um caminho diferente, e que por isso não é possível haver naturalmente uma boa interacção, ligação ou relação entre ambos. Mas como o ego se identifica com tudo o que surge, isto preocupa-o. Ele precisa sempre da esmola emocional para aliviar o vazio interior. Para se conseguir sentir bem com ele próprio.

2. Manipulação

O medo de ser rejeitado faz tanto o ego tentar perceber se é seguro lá ir falar, perceber através da interpretação de sinais se vai ser aceite ou não, como também tentar controlar a pessoa para evitar ser rejeitado. Aqui entram todos os truques, esquemas, desonestidade, falsidade e jogos do costume, nos quais vale tudo para ser aceite e não ser rejeitado. Nesta situação não há qualquer consideração pela outra pessoa, ela é vista como uma mera fonte de validação, atenção ou de prazer físico de quem se tem de sacar algo a todo o custo.

O ego tem sempre medo de ser rejeitado e não sabe lidar com a rejeição, por isso tenta evitá-la ao máximo, seja antes de ir conhecer a pessoa através da interpretação de sinais, seja durante a interacção através de manipulação. É uma fraqueza, um busca desesperada por evitar ser rejeitado. Mas rejeição não significa nada relativamente ao nosso valor pessoal. Se de facto não estamos a ter consideração pela outra pessoa, não estamos a contribuir, temos más intenções e estamos a ser falsos, então sim, revela algo sobre o nosso comportamente e atitude. Mas caso contrário, é apenas uma demonstração de incompatibilidade.

Nós não agradamos a todos, nem nunca iremos agradar a todos. As pessoas são diferentes umas das outras, e apenas atraimos o que somos. Haverão sempre pessoas que não gostarão de nós, seja porque razão for. Isso não significa que não prestamos e que não temos valor, apenas que somos diferentes delas. Claro que para conhecermos alguém temos de criar naturalmente desejo nessa pessoa, mas isso nada tem a ver com procurar sinais de interesse ou manipular. Tem a ver com evoluir socialmente, tornar-se naturalmente atraente, com desenvolver qualidades, adquirir uma compreensão profunda sobre essa actividade, etc. Mas isto não garante que não sejamos rejeitados, não garante que consigamos conhecer todas as pessoas que desejamos. Significa que temos a escolha, conseguimos fazer as coisas acontecer. Conseguimos ir lá falar, e quando a pessoa é compatível connosco, nós vamos conhecê-la. Quando não é, ela não irá querer falar connosco. Nesse momento haverá uma demonstração de incompatibilidade. Haverá uma “rejeição”. Mas neste nível de consciência acima do ego a rejeição tem outro significado (o certo), não nos afecta, não nos incomoda, não nos mete medo, não nos paralisa ou bloqueia, e não nos faz ter a necessidade de através de sinais ter a certeza que não vamos ser rejeitados, ou ter a necessidade de manipular e controlar para não sermos rejeitados e sermos aceites à força toda.

Rejeição é uma ferramenta preciosa de selecção consciente. Usa-a para teu benefício.


TRAIÇÕES

Outra comum e fácil de compreender. O ego trai pois só quer saber do que obtém, não quer saber dos outros. No momento em que trai, o ego só está a querer saber do prazer que está a obter, do que está a ganhar, e não está a querer saber do outro com quem tem uma relação. É uma clara manifestação de separação e da mentalidade “eu só quero verdadeiramente saber de mim, das minhas necessidades e desejos”. Zero compaixão. As pessoas que traem apenas estão a demonstrar como são, o seu nível de consciência, que vivem controladas pelo seu ego, e que uma relação com elas dá sempre no mesmo: traição.


JOGOS

Dos jogos fazem parte qualquer acto de manipulação ou tentativa de controlo. O ego precisa de sentir que é o melhor e é quem está a ganhar, logo precisa de fazer jogos. Jogos também o “safam” de ser rejeitado. Em vez de ter prazer em conhecer alguém, de ter interacções estimulantes, de se divertir com alguém e de contribuir para a vida de alguém, ele faz jogos para a outra pessoa andar atrás dele, a validá-lo. Faz-se de difícil, inacessível, distante, faz saudades, faz ciúmes, faz os famosos jogos da distância e das migalhas, não responde, procura tirar valor ao outro, é antipático, dar falsas esperanças, etc, etc. O ego adora sentir-se perseguido e desejado, contribuir é que está quieto. Anda ali a criar um mega trailer sobre si, quando depois vai-se a ver o filme e não é lá grande coisa. É a dinâmica dos trailers: “olha que eu sou muito bom, vem ver-me”. O flyer é bom, mas depois a festa é uma desgraça. Jogos são uma forma de se criar desejo artificial para se obter validação, mas aquele que faz jogos e manipula nunca tem na verdade nada de especial para oferecer, contribuir e partilhar. Vive à caça de validação, nada mais. Procura preencher um vazio interior, não tem verdadeira consideração pelos outros a não ser quando sente ou sabe que vai obter ou pode obter algo deles.


RELAÇÕES como NEGÓCIO de VALIDAÇÃO/SEXO

Para o ego humano a vida amorosa é uma oportunidade para se aliviar o vazio interior. Uma oportunidade para se OBTER, e não para se CONTRIBUIR. E nesta dinâmica de necessidade e carência surge um fenómeno chamado o negócio de validação. Isto é muito simples: um ego precisa de algo de outro ego, e ambos se apercebem disso. Então o 1º ego dá ao 2º ego aquilo que ele precisa, seja mais emocional (validação) ou físico (sexo), na condição do outro lhe dar aquilo de que precisa. É um “amor” condicional. “Eu preciso de validação/sexo e tu queres validação/sexo, logo eu dou-te validação/sexo e tu dás-me validação/sexo. Mas se não me dás validação/sexo também já não levas validação/sexo. Dá-se para se obter, e quando não se está a obter também não se dá. Nestas relações não se gosta do parceiro, mas sim do que se obtém dele. E as simpatias e elogios são uma mera reacção ao que se obtém dele, e não um genuíno fascínio por ele, pelo Ser que é. Pois se assim fosse dava-se mesmo quando não se recebia. Receber tornar-se-ía irrelevante, pois a relação seria vista como uma oportunidade para contribuir e partilhar, e não para satisfazer carências pessoais. O ego precisa de meter sempre algo aos bolsos, por isso quando ele controla dá sempre neste tipo de relações. Se for um negócio de validação ou de “amor” (atenção especial), a relação será de dependência e muito disfuncional, assombrada pela insegurança atroz constante de perder o outro (como se fosse um objecto comprado que de repente é propriedade de alguém). Quando é mais um negócio de prazer físico (“quero ter um orgasmo mas não sei ter uma ligação autêntica e profunda com outro ser humano, pois só quero saber de mim e do que obtenho”), temos uma relação fast-food, superficial, das curtes e dos meros encontros sexuais.

Nem uma nem outra têm qualquer mal, mas são extremamente incompletas, e mais uma fonte de sofrimento, insegurança e preocupações do que outra coisa qualquer. É importante perceber que há um tipo de relação muito mais completa, integral, e estimulante a todos os níveis para AMBOS os parceiros, e que por isso não se tem de ficar por estes dois tipos.


COBRANÇA DE ATENÇÃO e PROIBIÇÕES

Estes são também simples. O ego precisa de atenção, logo quando ele não a está a obter, vai cobrá-la. Como só quer saber de si próprio, para ele os outros podem sempre dar-lhe atenção quando ele deseja. Podem e devem, e é a sua responsabilidade. Como se os outros não tivessem vida, como se os outros não tivessem o seu próprio caminho para percorrer e lições para aprender. Esta cobrança de atenção acontece tanto em relações como fora delas, mas mais especialmente nas relações negócio de validação. É quando um dos parceiros exige ao outro que este lhe dê atenção. “Devias ter-me telefonado”, “Não devias ir ter saído com os teus amigos. Foste sair com eles e não foste sair comigo”, “Nunca mais disseste nada”, “Nem sequer perguntaste como foi”, etc, etc. É quando um dos parceiros sente que o outro devia ter dado atenção e não deu. Devia ter-lhe aliviado o vazio interior e não aliviou.

Isto leva ao fenómeno das proibições. O ego, para evitar não obter atenção do parceiro, vai proibi-lo de fazer tudo o que potencialmente o possa fazer perder essa atenção/validação. Então é proibi-lo de sair com os amigos, de sair com as amigas à noite, de vestir mini-saia ou usar decote, andar a controlar quem telefonou, onde está, com quem está, o que está a fazer, etc, etc. Tudo o que o afaste dele ou que o faça poder conhecer alguém e perdê-lo. Mais uma vez não é uma demonstração de que gosta dele, mas sim de que precisa de algo dele, da sua atenção e validação.

Na sua essência, o ego vê a vida amorosa e o sexo oposto como uma oportunidade para satisfazer carências, desejos e necessidades pessoais, e não como uma oportunidade para partilhar algo e contribuir para a vida do outro, fazendo-o feliz. Não há nada de errado em satisfazer carências, desejos e necessidades pessoais em si, mas como o ego nunca tem o outro em consideração é sempre apenas uma questão de tempo até fazer algo que prejudique o outro e o faça sofrer. O ego claro também se prejudica a si próprio e causa sofrimento a si próprio, pois vive em constantes bloqueios, preocupações, problemas e medos desnecessários, que nunca o deixam criar e ter a vida amorosa extraordinária que deseja com o tipo de pessoa que deseja.

Para a semana é o último post da série sobre o ego humano, e irei partilhar contigo a solução. O que se faz então em relação ao ego? Como se deixa de ser prejudicado e bloqueado por ele, e se começa a viver livre do sofrimento criado por este?

Perguntas:

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Evolução de Consciência para uma Vida Extraordinária – o novo espectacular programa áudio completo do Cool Vibes em http://www.youtube.com/view_play_list?p=1E97D6BC2DCD26FA
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Pedro Constantino

segunda-feira, 13 de abril de 2009

“As 10 Reacções, Decisões e Atitudes Mais Comuns do Ego Humano”

“As 10 Reacções, Decisões e Atitudes Mais Comuns do Ego Humano”

No último post fiz uma breve introdução ao ego humano. Expliquei o que é, como funciona e qual é o grande problema que ele traz. Basicamente o ego humano é a causa de todo o sofrimento humano. Está sempre completamente à mercê do que se passa no mundo material, pois tudo o afecta, tudo o incomoda. E depois, porque o ego humano é a noção de eu separado, este funciona tendo-se apenas a si em consideração, acabando assim por não querer saber dos outros prejudicando-os, e apenas estando concentrado no que pode ganhar, no que deseja, em como pode sair beneficiado ou obter o que quer.

Agora imagina milhões de egos a circular por aí... e o consequente caos e constante sofrimento. Bem-vindo ao nível de consciência actual da humanidade.

Para perceberes melhor todo este processo, é essencial que leias o último post.

Hoje vou partilhar contigo quais são as mais comuns reacções, decisões e atitudes do ego humano. Este post vai-te ajudar a compreender melhor que tipo de coisas vêm directamente do ego e devem ser evitadas para evitar consequências negativas e sofrimento. Estas claro não são todas, mas uma lista das 10 mais comuns. E não é muito difícil encontrá-las... basta saíres à rua 5 minutos. O difícil está em detectá-las em nós e não as deixar controlar-nos. O difícil está primeiro em detectá-las, parar e não as seguir, e depois eliminá-las de vez e substituí-las por outra coisa... que só se atinge subindo de nível de consciência.

Por nenhuma ordem especial:


1 – Julgamento

O ego humano vive em constante julgamento. Está sempre a colocar rótulos às pessoas e situações/resultados/circunstâncias. O passatempo favorito do ego (porque o faz sentir-se melhor consigo próprio) é julgar e criticar os outros, dando-lhes uma identidade de baixo valor, inferior à sua. Uma coisa é apercebermo-nos que de facto alguém, pela forma como vive a vida (controlada pelo seu ego) não é uma boa escolha para se ter uma ligação, amizade ou relação íntima. Outra coisa é odiar essa pessoa, e falar/pensar sobre ela com raiva criticando-a, chamando-lhe nomes, etc. É desse tipo de julgamento que falo. Quando alguém comete um erro, falha, faz algo que a pessoa não gosta, etc, o ego salta logo em julgamentos raivosos de ódio. Como um cão raivoso a ladrar descontroladamente a um desconhecido que está a entrar na casa do dono. O objectivo destes julgamentos é claramente inferiorizar a outra pessoa (superiorizando quem julga), fazê-la sentir-se mal com ela própria (uma espécie de vingança emocional) e castigá-la de alguma forma. No fundo resume-se tudo à expressão “Tu és pior que eu!”. Estes julgamentos são completamente desnecessários pois todos os seres humanos têm o mesmo valor, sejam eles quem forem, façam eles o que fizerem, e não são palavras, textos verbais ou mentais, que vão mudar isso.

E para julgar o ego pega em tudo: a roupa que a outra pessoa está a usar, alguma atitude que teve, algo que disse, um crime que cometeu, algo que não fez e que podia ter feito, etc. Vem tudo de raiva interior e ódio e não tem qualquer utilidade. Julgar alguém é como beber o veneno e pensar que a outra pessoa vai morrer. Está-se apenas a criar em nós emoções negativas inúteis e nada mais. A pessoa que julga e critica constantemente os outros, está-se a colocar em estados de raiva e ódio prejudiciais para tudo... é como mergulhar voluntáriamente num esgoto podre. Claro que ao fazer estes julgamentos o ego se sente melhor com ele próprio pois está a superiorizar-se a alguém. Mais uma vez só está a pensar nele próprio e não está a ter os outros em consideração. Pois como já disse, todos temos o mesmo valor, e todos sofremos na vida. Mas no desporto do julgamento o ego não consegue ver que está a julgar outro ser humano, que não interessa quem é ou o que fez, tem o mesmo valor que ele e que também vive a tentar e a esforçar-se para se sentir bem e eliminar o seu sofrimento. Claro que uns fazem-no com consideração pelos outros, e outros não, mas isso trata-se de descobrirmos as coisas e saber distingui-las através de Selecção Consciente e não de reacções de julgamentos raivosos de inferiorização.

No último post desta série, em que vou falar da solução relativamente ao ego, vais perceber melhor o porquê dos julgamentos e pelo que devem ser substituídos.


2 – Comparações e Competição

Este é muito comum. Um mais passivo, o outro mais activo. Só se podem comparar duas coisas separadas... e porque o ego só tem a noção de eu separado dos outros, vai-se sempre comparar aos outros para verificar o seu valor pessoal. Muitas mulheres passam a vida a comparar-se umas às outras em termos de beleza. Se a mulher que vê outra e se compara achar que a outra é mais bonita, vai-se sentir mal com ela própria e catalogar-se de feia. Se se achar maios bonita vai criticar a outra (julgamento) e sentir-se bem consigo própria até surgir alguma mulher que ela considere mais bonita. Isto é completamente desnecessário, e concursos de beleza são das criações mais patéticas do ser humano, pois só contribuem para a baixa auto-estima de mulheres fantásticas que na verdade são bem atraentes ao contrário do que pensam. A moda também ajuda muito nesse aspecto.

Mas voltando às comparações, o ego só se consegue sentir bem com ele próprio quando chega à conclusão que é melhor que alguém nalguma coisa. Seja uma mulher sentir-se mais bonita que outra, seja outra coisa qualquer como comparação de vida – ou seja, achar-se que se é pior que alguém porque a outra pessoa tem mais dinheiro ou tem mais quantidade e variedade material que nós. Então compara-se a roupa, o corpo, a cara, o emprego, os resultados, os amigos, quantidades, variedades, preços do que se tem, áreas da vida, saúde, objectos, namorada, namorado, etc. O ego não aguenta que alguém tenha uma televisão melhor que ele... não aguenta que o namorado da amiga seja mais fixe que o dela... e não aguenta esse tipo de coisas pois cria a sua identidade e valor através delas. E se elas lhe dão uma identidade e valor não desejados, valor baixo, o ego fica tramado pois não quer ser assim.

Vai sempre haver alguém com mais do que nós, e sempre alguém com menos do que nós. Vai sempre haver alguém melhor que nós, e alguém pior que nós. Isso não significa absolutamente nada. Ser mais bonita ou menos bonita que outra mulher não significa absolutamente nada. Ter mais amigas ou menos amigas que outro homem não significa absolutamente nada. A única coisa que interessa é se estamos a seguir o caminho que desejamos ou não, e se estamos a criar a nossa vida como a desejamos ou não. Compararmo-nos aos outros é inútil. Não temos que ser como os outros, nem sequer melhor que eles. Temos que ser nós próprios, Autênticos. Porque a pessoa “A” pode ter mais dinheiro que a pessoa “B”... porque depende disso. Vive dependente do materialismo, é escrava de compras e dos alívios que o dinheiro pode trazer. Enquanto que a pessoa “B” não precisa disso para nada para se sentir realizada e em paz, e tem uma vida amorosa e social extraordinárias tendo pouco dinheiro, e a pessoa “A” tem muitos objectos, janta muitas vezes fora, viaja muito, mas não as tem. As comparações são inúteis.

Depois vem a competição, que é uma forma de comparação activa. Há muito disso no desporto. Não há nada de errado com o desporto em si, mas sim e apenas na atitude de competição: “Eu tenho que ser melhor que ele!”, “A minha equipa tem de ser melhor que a deles!”. Claro que isto não existe apenas no desporto, bem pelo contrário, há muito mais fora do desporto. Sempre que dois seres humanos estão activamente a comparar capacidades e qualidades, chama-se a isso competição. É a dependência do ganhar. É a atitude de “Eu tenho que ganhar, custe o que custar. Eu tenho que sair disto visto como o melhor!”. E depois muitas vezes o ego acaba por fazer batota e até tentar eliminar o adversário. Não é a actividade em si que o apaixona (o jogar futebol, o conduzir um carro, o cantar), é o desespero pela vitória que o controla completamente. O medo de perder e de ser visto como fraco ou inferior.

Comparações e competição trazem a atitude de querer ser melhor ou ganhar custe o que custar, mesmo que para isso se tenha de ser desonesto, ou até eliminar o adversário. Prejudicá-lo, “cortar-lhe as pernas” para que não possa ser melhor.

Por isso é que ter amigos que não querem saber de evolução para nada é perigoso para quem quer ser feliz e criar a vida que deseja. Porque eles vão ver isso como uma tentativa de ser melhor que eles, de se sentir melhor que eles (quando não tem nada a ver com eles, mas com o desejo da própria pessoa de mudar), e vão entrar no modo de competição e tentar puxar a pessoa para baixo. Vão tentar destruir as poucas coisas novas positivas que ela criou. Vão tentar desmotivá-la a dedicar-se à sua evolução. Vão gozar com ela, mandar bocas, fazer jogos, tentar controlá-la, ameaçá-la, criticá-la, falar mal dela aos outros, etc, etc. Isto é o ego em acção.


3 – Inveja

Esta é muito simples: “Ele tem o que eu desejo, por isso a culpa de eu não ter o que desejo é dele. Porque ou era ele ou eu a ter, e é ele que tem. Logo ele está lixado comigo!”. Mais uma vez lá vem a raiva interior. Inveja surge no ego quando alguém tem algo que ele gostava de ter mas não tem. Não faz sentido nenhum, pois é uma típica atitude que vem de mentalidade de escassez (“Só há um disto!!”). Talvez uma pessoa gostasse de ter um determinado carro, e o vizinho compra honestamente um desses. O ego dessa pessoa fica logo aos pulos pois começa logo a julgar “Porque é que ele tem e eu não?? Ele é melhor que eu??”, e em vez de tentar descobrir uma forma de ter o que deseja, passa o tempo a ruminar no pensamento de que o vizinho tem e ele não, e em como pode destruir ou sabotar a felicidade do vizinho. Muito giro e completamente inútil.


4 – Conflito

Quando um ego quer “A” e outro ego quer “A”, nenhum dos dois é suficientemente evoluído para largar “A” ou ir procurar “A” noutro sítio, e então inicia-se um conflito. “A” pode ser qualquer coisa... um objecto, uma pessoa, um título, um local, etc. Um caso muito fácil de compreender é o de dois homens a lutar por uma mulher. É fácil de perceber que ambos querem a mesma mulher... e vivem dependentes dela. Por outras palavras: não têm outras opções. Muitas pessoas acham este tipo de coisas muito bonitas e dão-lhes um significado glorificado, quando na Verdade o que se passa é que nenhum dos homens tem outras opções, não tem capacidade para conhecer outras mulheres do mesmo género, e depois também não querem que seja o outro a ganhar. Raramente tem alguma coisa a ver com a mulher... mas sim com a carência e escassez em que os homens vivem, incapacidade de conhecer outras mulheres do mesmo género, e o medo de perder (competição) aliado ao desespero de precisar de ganhar sempre. No conflito já nem há bem o desejo de alcançar algo, mas sim mais de impedir o outro de lá chegar. “Sou eu contra ti e só um pode ser visto como o melhor!”. Isto é tudo muito primitivo, e infelizmente destrói muitas vidas e relações. O ego não consegue ver a longo prazo, apenas reagir à emoção do momento, como um saco de plástico do Minipreço a voar ao vento e a ir na direcção que este sopra.

Muitas pessoas querem aprender a gerir conflitos, mas a solução não é essa. É aprender a evitá-los, é deixar de precisar de os ter para se sentir melhor consigo próprio. Uma coisa é uma troca de ideias diferentes, outra coisa é querer-se destruir o outro e vê-lo como um adversário. Uma guerra onde morrem e sofrem pessoas inocentes é um conflito. Não há nada de útil em conflitos, em querer destruir o outro lado só para um ego se sentir melhor com ele próprio porque pode pensar “respondi-lhe à letra”. É completamente desnecessário. Conflitos evitam-se, não se gerem. Só o ego humano é que não os consegue evitar pois vive constantemente em estados emocionais negativos que levam naturalmente a essas situações, e uma vez desafiado precisa sempre de mostrar e provar o seu valor.


5 – A eterna necessidade de ter razão

Esta é uma das grandes causas de todos os conflitos: “Eu é que tenho razão, tu estás errado, e tens de aceitar a minha superioridade a bem ou a mal!”. Muitas discussões nada têm a ver com chegar a uma solução para algo ou evoluir. Têm só e apenas a ver com quem sai a ganhar no final e esmaga o adversário. É uma mera luta de galos cegos que reagem violentamente a tudo o que surge. Por causa desta necessidade de ter razão e de não se saber ver quando não se tem, e é a outra pessoa que de facto está certa e deve-se aceitar isso naturalmente, destroem-se muitas relações. E é óbvio que um ego não pode ter boas relações: ele só quer saber dele próprio, e se uma relação é uma ligação com outro ser humano, se não se quer verdadeiramente saber dele (e as reacções negativas constantes provam isso, pois não se cometem erros quando afinal se gosta muito da pessoa – ou se tem Compaixão ou não se tem. Pois quando se tem não se comete esses típicos erros em que depois se diz à pessoa que de facto se gosta muito dela), então é apenas uma questão de tempo até se fazer ou dizer algo contra ele, que de alguma forma o prejudique, dê problemas ou faça sofrer. Que o faça sentir-se repelido.


6 – A eterna necessidade de ser aceite

O ego não consegue viver sabendo que alguém não gosta dele, que não o aceitou, que não lhe deu validação. Muitas vezes simpatia é um esquema para se evitar ser rejeitado, não vem de Verdadeira consideração e Compaixão pelos outros. O ego, através de todo o tipo de coisas, sendo as mais famosas a adaptação e a manipulação, vai fazer de tudo para que nunca seja rejeitado ou não aceite por alguém. A consequência disto é nunca se ser Autêntico, pois cada pessoa que surge é analisada para o ego perceber como agir e ser de forma a ser aceite por essa pessoa. Muito giro, e de facto ele acaba por conseguir fazê-lo... mas quem é ele? Como é ele? Não é nada. Não é nada pois nunca é ele próprio, está-se sempre a adaptar. É como um camaleão sem cor própria. E pessoas assim nunca são de confiança, pois não há nada fixo em relação a elas. Elas não seguem nada que seja delas, apenas dos outros. O medo de serem rejeitadas controla-as completamente, pois criam a sua identidade através do que os outros pensam delas.

Rejeição só significa uma coisa: incompatibilidade. Se somos rejeitados por alguém isso não significa que não prestamos para nada e que há algo de errado em nós... significa apenas que somos diferentes da outra pessoa. As pessoas são diferentes umas das outras e apenas atraem e se sentem atraídas por pessoas do mesmo tipo, semelhantes. Que estejam a caminhar numa direcção semelhante... pois num barco se cada um estiver a remar numa direcção diferente, nenhum dos dois irá chegar onde deseja, e ao que mais o deixa feliz, em paz e realizado. Claro que, se prejudicá-mos alguém, se lhe fizemos mal, se lhe mentimos, se usámos um esquema qualquer desonesto para obter algo dela, etc, fomos rejeitados porque não tivemos consideração pela pessoa. Mas nesses casos o ego sabe sempre o que fez, e o que acontece a seguir é a vergonha de ter sido descoberto na sua fraqueza de precisar de ser desonesto e manipular para ter a companhia de alguém.


7 – Palavras incomodam

Só o ego pode ser magoado ou controlado através de palavras. Se ouvir uma crítica negativa, seja ela verdadeira ou falsa, incomoda alguém, então esse alguém é um alguém que está a ser completamente controlado pelo seu ego. O ego pega em tudo o que surge para criar a sua identidade e valor, e palavras dos outros não são excepção. Mas mais uma vez não faz sentido nenhum. Se uma pessoa é inteligente, vive a vida de uma pessoa inteligente, tem os resultados e benefícios de uma pessoa inteligente... se alguém lhe chama de burro, não faz sentido nenhum ficar incomodado com isso. Pois ela continua a ser inteligente, a ter a mesma vida, o mesmo potencial, os mesmos resultados e capacidades. As palavras não mudam nem definem nada no mundo material, fora da nossa cabeça. É o significado que lhe damos que depois cria em nós uma emoção e ou gostamos ou não gostamos. Na sua essência, o que alguém nos diz é apenas ar e som, nada mais. Depois é interpretado pela mente claro, mas no mundo real fora da nossa cabeça é apenas isso. Não afecta nada. Certamente já ouviste dizer que “As palavras leva-as o vento”. E é verdade, só que o ego consegue muitas vezes aceitar isso quando se trata de elogios ou promessas... mas quando é uma crítica negativa o vento já não as leva. Ele fica encravado nelas, a ruminar, e não tem outra escolha senão reagir-lhes e dar-lhes importância. Ele não gosta do seu significado uma vez que este lhe tira valor à identidade, e por isso sente a necessidade de as mudar. Mas são meras palavras, não mudam nada nele nem na sua vida.

Responder às coisas, defendermo-nos de palavras, não é um acto de força... bem pelo contrário. É uma expressão da grande fraqueza do ego de precisar de defender-se de algo que não tem qualquer poder. É como desembainhar a espada cada vez que uma formiga ou uma mosca passa. O Super-Homem não é o Super-Homem porque precisa de se defender dos tiros. Porque precisa de os evitar ou torná-los noutra coisa. Ele é o Super-Homem porque os tiros não o afectam. Ele leva com eles, e não o afectam. Ele não precisa de fazer nada pois estes nem o magoam nem mudam nada na sua realidade.


8 – A eterna necessidade de mudar os outros

Esta é gira. O ego nunca consegue aceitar as coisas como elas são, principalmente se são diferentes dele ou negativas para si. Ou seja, nos seus constantes julgamentos ele acha que a pessoa “A” devia ser mais “B”, e que isso está certo e que ela é parva por não ser mais “B”. Até porque ser mais “B” até seria melhor para ela e para os que a rodeiam. Esta é a típica reacção do ego quando este começa a aprencer sobre si, e identifica nos outros reacções do ego. Depois critica-os e acha que eles deviam mudar e meter-se na evolução pessoal.

Outro exemplo são os homens ou as mulheres que conhecem alguém de quem gostam muito, mas que tem algo na sua personalidade que prejudica a relação. E então o seu objectivo torna-se mudar essa pessoa para que a relação resulte. Ou então questionam-se se o tempo não poderá mudar a outra pessoa.

Tanto no primeiro exemplo como no segundo trata-se do próprio ego humano a querer controlar os outros e impôr a sua visão. A nossa missão não é mudar os outros, é mudarmo-nos a nós e dar o exemplo. Ter Compaixão pelos outros não é achar que há algo de errado com eles e querer mudá-os, é dar-lhes a Liberdade de seguirem o seu caminho, e de poderem escolher como e quando mudar. Porque estamos cá todos para que cada um de nós aprenda as suas lições por si próprio. Só assim se evolui. Com “ajuda” de fora o que acontece é que se ganham uns alívios mas continuamos no mesmo nível de consciência.

Certamente conheces o provérbio “Não dês um peixe, ensina a pescar”. Há um nível depois disso... pois está correcto não dar o peixe (alívio) mas sim ensinar a pescar (contribuir longo prazo pois a própria pessoa aprende a fazer algo sozinha). Só que há mais um nível a seguir... que é não precisar de peixe. Mas isso não se consegue fazer pela outra pessoa. Podemos dar um peixe, podemos ensiná-la a pescar e a satisfazer sozinha essa necessidade. Mas a necessidade continua lá. A identificação com o peixe continua lá. É aqui que entram os desafios e as decisões difíceis que nos fazem transcender o ego.

Vou dar um exemplo mais prático e realista: um homem quer uma namorada. Alguém que o quisesse ajudar podia apresentar-lhe uma amiga. Nada de errado nisso, mas o homem iria continuar a não ter capacidades pessoais para conhecer mulheres. E essas capacidades pessoais, ou qualidades, são algo necessário para depois manter a ligação com essa mulher apresentada pelo amigo, fazer as coisas avançarem naturalmente e chegar ao namoro. São qualidades que ele tem de ter para atrair naturalmente uma mulher, para ser um homem desejado, e a razão pela qual ele não tem namorada é porque não tem essas qualidades. O amigo na Verdade não o estava ajudar, apesar de ter a melhor das intenções estava apenas a tentar aliviar o sofrimento dele. O que iria acontecer é que eles iriam falar um pouco mas a mulher pouco ou nada se iria sentir atraída, pois a interacção não iria ser estimulante, e as energias da Atracção Natural não iriam estar presentes. Portanto ele “tinha” o peixe, mas continuava a não saber pescar, nem sequer sabia o que fazer com o peixe.

O nível seguinte é de facto ensiná-lo a pescar. Ensiná-lo como conhecer mulheres, como ser aceite por mulheres, ter a sua companhia e chegar a algo físico com elas. E ele até podia aprender tudo isto muito bem... mas como? Como é que ele o estava a fazer? Através de truques e esquemas? Através de jogos, desonestidade e manipulação? Com medo de ser rejeitado? Dependente da validação das mulheres para se sentir um homem? Dependente de resultados e quantidade? E apenas para obter algo delas?

São este tipo de coisas que surgem quando o ego controla. Ele só quer saber dele próprio e do que obtém, logo o que interessa são os resultados e não como ele chega a estes. Vale tudo.

Portanto o homem sabe agora pescar sozinho e arranjar o seu próprio peixe. Mas questiona-se: “Porque a qualidade do peixe não me satisfaz a um nível profundo? Porque será que não consigo estar muito tempo sem ter um peixe novo e diferente? Porque será que me sinto mal quando não tenho um peixe e preciso de fazer os outros saber que pesco peixes regularmente? Porque será que apesar de ter todos estes peixes regularmente, continuo a ter medo de não conseguir pescar um, e continuo a sofrer na vida, a sentir um vazio?”

Este é o 3º nível: não precisar do peixe. É uma mentalidade e atitude completamente diferentes. Não quer dizer que vai deixar de pescar... quer dizer que essa actividade se torna diferente. Ele deixa de precisar do peixe, deixa de o ver como algo que precisa e tem de obter, como um prémio ou algo que o faz sentir-se bem com ele próprio, e passa a relacionar-se com o peixe pelo puro prazer de fazer o peixe sentir-se bem e feliz.

A metáfora não é perfeita, até porque as mulheres não são peixes, e conhecer mulheres não tem nada a ver com pescar, mas o homem deixa de ver o peixe como algo que precisa, como um “mal” necessário para se sentir bem, que tem de pescar senão está tramado... e passa a vê-lo como um amigo, como algo especial que o fascina, com quem quer nadar, e para quem quer contribuir e fazer sentir bem e feliz. O homem deixa de apenas pensar nele, e passa a pensar nos dois. Sim, porque se o peixe for um tubarão, se calhar não é boa ideia nadar com ele. O homem não precisa de julgar raivosamente o tubarão, não precisa de lhe fazer mal, nem de lhe mandar uma boca, nem de o prender, nem de nada. Simplesmente apercebe-se que não é boa ideia ir nadar com o tubarão e por isso afasta-se em silêncio, não julgando o tubarão, tendo Compaixão por ele e pelo sofrimento dele, e deixando-o seguir em paz o seu caminho.

E ele não sente a necessidade de mudar o tubarão, pois não há nada de errado com o tubarão. Ele é como é, está a seguir o seu caminho, e irá aprender as suas lições e evoluir a seu tempo. A única coisa que se passa é que no momento em que o homem descobriu o tubarão, este estava num nível de consciência que lhe podia ter destruído a vida ou trazer muito sofrimento desnecessário e problemas/dores de cabeça extras. Quando falo em tubarão estou claro na Verdade a falar, por exemplo, dos manipuladores desonestos.

Para acabar este ponto, a nossa missão não é mudar os outros. Não é impôr uma mudança aos outros. É ajudar a essa mudança se formos requisitados para isso. E se não formos, mas vermos que a outra pessoa tem algo sério que prejudica a relação, então a decisão mais útil não é ficar à espera que ela mude nem é ficar com ela independentemente disso... é deixá-la ir e seguir o seu caminho, enquanto nós seguimos o nosso. Saber deixar os outros ir e desaparecerem da nossa vida é um dos processos mais poderosos em termos de evolução e transcendência do ego.


9 – Dependência material

Se é muito importante para alguém ter algo material, então temos um ego a controlar. Se é muito importante para alguém ter um determinado carro, ou guitarra, ou máquina, ou roupa, ou objecto, essa é uma típica e clara expressão de identificação com o mundo material. Quando o que existe no mundo material é demasiado importante para alguém... vai haver sofrimento. As pessoas criam a sua identidade e valor à volta e através de objectos, quando são coisas completamente desligadas. O segredo não está em ter-se finalmente algo que se deseja, mas sim não se precisar de o ter. Não quer dizer que não se o tenha também, quer dizer é que não se depende disso para nos sentirmos bem e em paz, e se não tivermos o que desejamos/precisamos não ficamos incomodados com isso.

Uma das coisas que mais em ajudaram, e foi das primeiras que eu fiz na minha caminhada consciente de evolução, foi deitar coisas para o lixo. Noutras palavras, todo o tipo de objectos que eu percebi que não me estavam a ajudar a mudar na direcção que desejava. Desidentificação com objectos é super importante, e esta só acontece quando de facto são coisas às quais damos muita importância e significado. Querer comprar algo, poder comprar e não comprar, é outro processo muito útil.


10 – Manipulação e desonestidade

Estas são as ferramentas favoritas do ego humano para obter dos outros aquilo que deseja. O ego humano adora aprender sobre manipulação e como controlar os outros. Ele está sempre aberto à ideia de mentir desde que obtenha o que deseja. Ele adora forçar as coisas com os outros quando não consegue obter o que deseja à primeira. Não lhe interessa se a outra pessoa está na Verdade a ser enganada por ele, ele não quer saber dela para nada. Ele quer é obter o que deseja dela e pronto. E depois, claro, arranja justificações bonitas para o fazer. Pinta toda a actividade de manipulação, persuasão e influência de cor-de-rosa para que a possa praticar sem ser julgado pelos outros.

Não só é um nível de consciência muito baixo pois não há qualquer consideração pelos outros, como ainda é um processo de auto-destruição, uma vez que manipulação atrai manipulação e desonestidade atrai desonestidade. As pessoas íntegras e autênticas, ao se aperceberem que estão diante de um manipulador desonesto não se vão sentir atraídas. Aquela é a última vez que ele as vê. E não há discussões, nem críticas, nem bocas, nem nada. A ligação desfaz-se tão naturalmente e pacíficamente como surgiu, pois é tudo realizado através de Compaixão. Mas quando um manipulador desonesto se apercebe que está diante de um manipulador desonesto (MD), a primeira e única coisa que lhe vem à cabeça não “ele é um MD, logo não vou investir mais nesta ligação”, mas sim “como é que eu consigo obter dele o que desejo e fazer isto resultar?” lol

Torna-se numa competição ridícula, um jogo de poder infantil e primitivo que não serve nenhum dos lados. É cada um a puxar para o seu lado a querer derrubar o adversário. Não há qualquer tipo de selecção, contribuição ou compaixão. E depois estas pessoas metem-se em relações íntimas umas com as outras e admiram-se que foram traídas, espancadas, enganadas e questionam-se porque as suas relações nunca resultam.

Dica: como se lida com manipuladores desonestos? Como se lida com egos humanos? Não se lida, evita-se. Corta-se ali a relação ou ligação. Procurar lidar com eles é meter-se na actividade dos jogos, manipulações e desonestidades, sem consideração, sem ver que há um ser humano do outro lado que também sofre, que também tem problemas, preocupações e inseguranças. Há um afastamento natural sem julgamentos e nada mais. Cumpriste a tua parte de ter Compaixão, a outra pessoa meteu-se com jogos e não a soube aceitar, então é o adeus pacífico, firme e honesto. Investe o teu tempo e energia em quem de facto te merece, em quem vive com Compaixão, Coragem e Integridade, e não com mentiras, jogos e manipulações. Com quem vive para Contribuir para o Todo, e não para meter “matéria aos bolsos” e “sacar energia” aos outros. Com quem de facto tem prazer em viver e apreciar a tua companhia e partilhar momentos divertidos e estimulates contigo, e não com quem apenas está contigo e passa esses momentos contigo pelo que pode vir a acontecer a seguir.

E de uma forma breve e simples são estas as 10 reacções, decisões e atitudes mais comuns do ego humano. No próximo post irei falar sobre como o ego humano afecta a vida amorosa dos seres humanos, ou seja, de que forma a prejudica e destrói facilmente, tornando-a numa fonte de sofrimentos, problemas, dores de cabeça e desmotivação e não no que ela realmente é: uma fonte de felicidade, prazer, diversão, energia, contribuição e intimidade.


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Pedro Constantino

segunda-feira, 6 de abril de 2009

“Introdução Ao Ego Humano – O Que É, Como Funciona E Qual É O Problema”


Como já tinha anunciado aqui no blog, Abril é o mês do ego humano no Cool Vibes.

Nas próximas semanas irei lançar 4 posts (a contar com este) sobre o ego humano. No post de hoje vou fazer uma introdução ao tema, explicando o que é afinal o ego humano, como funciona e qual é o Verdadeiro problema que este nosso amigo traz.

Este é daqueles temas super importantes, que todos os interessados na sua evolução (e estou a falar de evolução a sério) deviam saber, mas que infelizmente quase não se ouve falar sobre ele em lado nenhum.

É difícil falar sobre o ego e os problemas que causa pois ele nunca gosta que falem dele e das suas asneiras/disparates. Logo não é um tema que atraia muita gente a workshops, livros ou qualquer outra forma de transmissão de conhecimento.

Mas como isto é o Cool Vibes e não uma loja de validação, e porque o Cool Vibes é para quem quer evoluir e subir de nível de consciência a sério, aqui está com todo o prazer uma série de 4 posts super importantes.


(Que provavelmente vão apenas ser lidos por 3 ou 4 pessoas lol)

Então, o que é o ego humano?

Presta atenção porque isto é muito simples... é que o problema está em experienciá-lo, não em compreendê-lo.

O ego humano é o nosso eu separado.

O nosso corpo, a nossa mente, as nossas emoções... aquilo que temos separado dos outros no mundo material.

É a noção de eu separado, aquilo com que te identificas em contraste com tudo o resto no mundo material.

O meu corpo, os meus pensamentos, o meu nome, as minhas emoções, as minhas necessidades, os meus desejos...

E o nosso amigo eu separado, ou ego, está sempre preocupado com ele próprio. Com o que lhe acontece, com como está.

Até aqui tudo bem. Ele tem de se proteger porque está sempre à mercê das 1001 coisas diferentes que se vão manifestando na sua vida material.

Tudo o afecta, porque ele está lá.

E porque tudo o afecta, ele cedo começou a perceber que tem de evitar certas coisas e ter outras para se sentir bem. Logo tudo o que ele percepciona ou experiencia no mundo material interessa-lhe. Isto significa que lhe vai dar atenção e importância. Que se vai identificar com tudo o que surge... pois tudo o afecta, tudo cria e define algo nele.

Então a forma básica como ele funciona é um estado constante de protecção e uma espécie de preocupação com o seu estado, com como está, com como vai sair das situações, se vai perder algo, se vai sair prejudicado, se se vai sentir mal, etc.

O que se passa com este nosso amigo ego, é que vive em constante julgamento e crítica para se proteger. “Isto é bom ou mau?”

E como no fundo o ego, ou eu separado, está sempre “indefeso”, este estado de preocupação/julgamento está sempre ligado, a funcionar, e é utilizado em relação aos outros egos e eus separados.

O resultado é simples: constante comparação com os outros egos... e definição de valor próprio através dessa comparação.

Então qual é o problema?

São vários... o que torna a vida numa aventura e viagem bem “interessante” e “divertida”.

O primeiro deles todos é que o ego está sempre a sofrer. Se tudo o afecta, tudo o irá fazer sofrer. Porque se surgir e for mau, enquanto existir irá fazê-lo sofrer. Se surgir e for bom, quando desaparecer vai fazê-lo sofrer.

Ele não tem escolha, está sempre à mercê do mundo material e do que neste surgir.

O outro problema, para além de viver em constante sofrimento sem ter escolha, é que para se preocupar com ele próprio... não se pode preocupar com os outros. E é aqui que as coisas começam a tornar-se muito “engraçadas”.

Para o ego estar bem, só pode tratar de si e ter-se a si próprio em consideração. Para ele é sempre o que ele ganha e obtém que interessa, pois é a única solução que tem para se aliviar do sofrimento constante em que vive. O grande problema surge quando numa das suas comparações com outro ego ele chega à conclusão que o outro está a obter mais que ele, ou que de alguma forma está melhor ou é superior a ele.

Aí começa a festa.

A grande festa que o ego tanto adora. Que é tentar mandar abaixo os outros e prejudicá-los para se sentir bem ou melhor consigo próprio.

Este estado de não querer saber dos outros expressa-se essencialmente de duas formas: ou o ego quer obter algo de alguém e por isso faz tudo o que achar que pode resultar não querendo saber de como a outra pessoa se sente ou fica, e vai usar desonestidade, manipulação e outras coisas fantásticas do género...

Ou ao se aperceber que alguém está melhor que ele ou é superior a ele, vai tentar prejudicá-lo, mandá-lo abaixo, ou de alguma forma destruir o seu bem estar e sucesso.

É óbvio que quando estas duas expressões tomam proporções grandes, temos todo o tipo de crimes, injustiças, traições, abusos, violência, guerras, conflitos, etc, etc.

Porque para o ego funciona assim:

“Sou eu contra ti, e só um se pode sentir bem no final disto. E podes ter a certeza que não vais ser tu!”

Bem, uma forma um pouco limitada e primitiva de viver mas hey, é o nosso amigo ego humano =)

Tanto se prejudica a si próprio como aos outros, é a causa de todo o sofrimento humano.

Agora vem a parte difícil de compreender. É que não há nada de errado com o ego humano e a sua existência. Para quem começa a compreender este fenómeno do ego e as suas consequências negativas, surge logo um ódio em relação a ele e um desejo de o criticar severamente e eliminar. O engraçado desta reacção é que nada mais é do que o próprio ego a compreender a sua existência e a mandar bocas a si próprio.

Então se não há nada de errado no ego humano, o que se faz?

O problema não está na existência do ego humano, está no seu controlo sobre nós e na nossa identificação com ele. Transcender o ego não significa eliminá-lo, significa vermo-nos livres do seu controlo. Ele continua lá, e devemos não só transcendê-lo como também fazê-lo evoluir e torná-lo saudável.

E é isto. Agora estás livre de todo o sofrimento humano e és verdadeiramente Feliz.

Hã? Como? Ainda não?? Então mas eu já expliquei a cena...

Era fixe que fosse assim tão simples, saber e pronto, já está. Mas não é... até porque saber algo, ter a informação dentro da cabeça e pensar nela, continua a ser uma experiência do ego.

Os meus pensamentos, lembras-te?

Então como é que se sai disto??

Isso é o que te vou explicar nos próximos posts. Há uma solução e todos estão à altura de a usar. Se há algo que não ajuda absolutamente ninguém é dar à actividade de transcender o ego uma aura de “algo quase impossível que apenas 2 ou 3 seres humanos conseguem”. Isso não é verdade, todos temos em nós o que precisamos para transcender o ego e fazê-lo evoluir. É preciso é entrar em acção, e estar pronto para muitos desafios a sério. Como eu já disse, relativamente ao ego é quando a evolução humana se torna menos atraente, pois o processo não é nada fácil nem rápido. Mas para o ser humano que quer de facto subir de nível de consciência e contribuir para o Todo, este é um trabalho sério de evolução que tem mesmo de ser feito.

Agora, lá porque eu estou aqui a falar disto não quer dizer que seja porque sou um guru iluminado e porque já transcendi o meu ego com uma perna atrás das costas, e só estou disponível ou para quem me pagar milhares e milhares de euros, ou para quem conseguir descobrir a gruta onde vivo afastado do mundo e da humanidade ;)

Obviamente que continuo o meu caminho, aqui não há gurus, mestres nem campeões... eu apenas partilho aquilo que tem feito a diferença na minha vida. E se eu nunca experienciei algo, então também não falo sobre isso aqui.

E se há algo que eu tenho experienciado, é uma cada vez mais liberdade relativamente ao meu ego, e uma cada vez maior Compaixão e paz interior, independentemente das pessoas e das situações. É por isso que decidi partilhar contigo aqui no Cool Vibes, ideias e conceitos sobre o ego humano, para que tu, se estiveres interessado, possas ter mais paz na vida e contribuir para a vida dos outros através do teu novo nível de consciência.

Hoje vou ficar por aqui. Foi apenas uma breve introdução ao ego humano, nos próximos posts vou entrar em mais pormenores, casos concretos, e dar uma visão mais prática e realista.

O próximo post vai ser sobre reacções, decisões e atitudes comuns do ego humano.

Até lá, segue as tuas paixões!
Pedro Constantino

Perguntas:

CoolVibesClub@hotmail.com

PS: Evolução de Consciência para uma Vida Extraordinária – o novo espectacular programa áudio completo do Cool Vibes em
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