quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

"Como Evitar Ser Vítima De Violência Doméstica e Acabar Com Ela De Vez"


Há uns dias atrás estava a passear por Lisboa à tarde, quando uma mulher me abordou com um folheto. Era uma iniciativa para ajudar as mulheres vítimas de violência doméstica e motivá-las a falar da sua situação e a pedir ajuda.

Este é sem dúvida um passo na direcção certa: falar do problema e torná-lo visível. Chamar à atenção para ele e para as suas consequências.

Isso é excelente, mas é apenas metade da equação. A outra metade é de facto chegar a soluções e partilhá-las.

E é por isso que hoje vou-te falar acerca deste tema delicado mas extremamente importante: Violência Doméstica.

Aquilo que vou partilhar contigo é a visão do Cool Vibes sobre este assunto, assim como possíveis soluções para evitar e resolver este tipo de situação.

Então, porque existe violência doméstica?

Qual é a realidade e Verdade por detrás desta situação?

Porque é que há mulheres (e homens também) que são vítimas de abuso físico, mental e emocional por parte do seu parceiro íntimo?

Bem, não há muito a dizer em relação a isso:

É tudo mais uma consequência negativa do nível de consciência do ego humano.

Confessa, já estavas à espera que eu dissesse isto não estavas? ;)

Sendo uma das principais características do ego humano a sua necessidade constante de obter validação exterior para aliviar o vazio interior que sente, não é muito difícil chegar-se à conclusão de que violência doméstica não é nada mais do que uma forma de quem a pratica sentir-se superior à vítima, e assim aliviar a sua baixa auto-estima.

Sim, o ego precisa sempre de se sentir “ melhor” do que alguém para que se consiga sentir bem consigo próprio. É o velho sistema do “tenho de ganhar para me sentir bem”, ou seja, alguém tem de ficar a perder. O que é completamente desnecessário... quando se tem auto-estima e se vive num nível de consciência acima do ego.

Assim sendo, um homem bate na sua mulher... para se sentir um homem. Tal como muitos homens precisam de andar a ir para a cama com várias mulheres para se conseguirem sentir um homem, há homens que só se sentem um homem batendo nas mulheres, superiorizando-se assim físicamente a elas.

Eles buscam por uma ilusão de poder. Buscam “respeito”, obediência e submissão à força e à bruta... porque o seu nível de evolução e consciência não dá para mais.

Sim, violência doméstica é o melhor que eles conseguem fazer na vida.

Eles têm baixa auto-estima, e buscam todas as formas para a aliviarem e sentirem que têm valor. O ego humano só consegue sentir que tem valor se de alguma forma inferiorizar outro ser humano. Porque assim ele vai sentir que consegue fazer a diferença e ter influência na vida de alguém.

E tem. De uma forma negativa, mas tem.

E para ele isso serve na perfeição, porque na sua limitada existência de comparações e competições, se ele ver que saiu por cima de uma situação, ou foi o melhor em algo, vai-se sentir brutalmente bem como nunca antes. Quase como se tivesse tomado uma droga qualquer. E validação exterior na sua essência é mesmo isso: uma espécie de droga. Uma espécie de droga que faz a pessoa sentir-se bem no momento, mas que a longo prazo vai-lhe destruindo a vida e as relações.

Quando se vive preso ao ego e escravo deste, para além de baixa auto-estima desenvolve-se também muitos sentimentos de revolta e raiva interior... que muitos homens gostam de mandar para cima das suas mulheres, sob a forma de violência física, mental ou emocional.

Não é nada de pessoal contra elas... é algo que eles mandam contra tudo e todos, de várias formas e intensidades diferentes. É algo que está dentro deles e os acompanha para todo o lado, todas as situações, momentos, interacções e áreas da vida.

E é através disso que eles criam a sua vida e relações.

Uma vez transcendido e ultrapassado o nível de consciência do ego humano, toda a violência doméstica desaparece. Porque em vez de se viver com um vazio interior e uma necessidade constante de obter obter obter...

...passa-se a viver com auto-estima, cheio de coisas boas para partilhar, dar e contribuir.

Só podemos dar aquilo que temos... logo se não temos Amor em nós, jamais o poderemos “dar” aos outros e partilhá-lo com os outros. A única coisa que poderemos fazer é dar validação, o que não tem naaada a ver com Amor.

E nas relações onde há violência doméstica há apenas uma mera troca de validação... um negócio de validação: “eu demonstro-te que gosto de ti, e tu demonstras-me que gostas de mim, e assim aliviamos a baixa auto-estima e o vazio interior um ao outro”.

Esta é a parte difícil de perceber do post...

Porque a forma de evitar a violência doméstica é não se meter numa relação com o tipo de pessoa que cria violência doméstica.

Trata-se de selecção consciente. De ser-se conscientemente selectivo. De perceber como a pessoa realmente é, antes de nos metermos numa relação com ela.

Porque este homem que bate na mulher já era assim antes de estar numa relação com ela e de a conhecer... só não tinha era uma mulher em quem bater.

A sua personalidade já era assim. Ele já vivia no nível de consciência do ego humano. E tudo na sua vida e decisões expressava isso. Mas é preciso estar-se atento aos sinais. E para se estar atento aos sinais eles têm que ser importantes. E para eles serem importantes, a nossa prioridade deve ser sempre perceber que tipo de pessoa temos à nossa frente... e não perceber se ela nos vai dar validação e aceitar ou não.

Tem de haver auto-respeito, e não carência e desespero por ter algo com alguém do sexo oposto.

Se és uma mulher e queres aprender mais sobre a atitude de selecção consciente, lê este post:

http://coolvibesblog.blogspot.com/2008/02/como-saber-se-ele-gosta-mim-como-saber.html

Quando se conhece alguém do sexo oposto é essencial perceber-se que tipo de pessoa está à nossa frente. A maioria das relações começam ao calhas e às cegas, por carência e outras coisas do género, e é por isso que depois ou são más ou acabam mal.

E no caso da violência doméstica selecção consciente é a solução. Sem dúvida que mais vale prevenir do que remediar... mas muitas vezes as pessoas vão pela decisão fácil para aliviarem o vazio interior... em vez de tomarem a decisão dificil que lhes vai garantir qualidade de vida e evitar problemas muito graves.

Nós somos os únicos responsáveis pela nossa vida. Não temos a culpa que as coisas más nos aconteçam, mas somos responsáveis por criar a felicidade que queremos sentir.

Agora, para de facto se conseguir fazer uma selecção consciente é preciso estar-se num determinado nível de consciência, porque senão todos os sinais e pistas ser-nos-ão invisíveis e imperceptíveis.

É por isso que muitas pessoas dizem: “não é possível saber-se como as pessoas são”. O seu nível de consciência não dá para melhor.

Se queremos conseguir perceber se alguém está no nível do ego e tem baixa auto-estima, nós próprios temos de estar libertos do ego e ter auto-estima. Porque se estivermos no mesmo nível da outra pessoa tudo o que ela fizer e decidir vai-nos parecer perfeitamente normal e natural.

O Amor não é cego, ele vê tudo. A necessidade de validação é que cega as pessoas.

Portanto, tu como mulher que quer evitar ser vítima de violência doméstica, tens de perceber que tens valor e que não precisas de um homem. Podes querer ter uma relação com um homem de qualidade que de facto te faça feliz, mas não precisas dele. Estás completa como és e tens valor. O mesmo valor que todas as outras mulheres, seres humanos e seres vivos.

Não precisas de um homem para te completar, já estás completa. O vazio interior ou carência que podes sentir é uma mera ilusão do ego humano. Tu já tens valor, não precisas de ninguém que te o dê ou demonstre que o tens, ele já está dentro de ti e sempre estará.

Tens de te respeitar e tratar bem. Tens de te tratar como queres que os outros te tratem. Só assim serás respeitada e irás apenas atrair o tipo certo de homem.

Infelizmente a realidade é esta: uma mulher que se partilha com um homem que a trata mal é uma mulher que não tem auto-respeito, uma mulher que não gosta de si própria e que vive carente. Não foi selectiva e por isso meteu-se num buraco.

Ela está com o homem não porque gosta dele, mas porque gosta da validação que ele lhe dá (pois alivia-lhe o vazio interior) e porque há atracção (desejo sexual ou de ter intimidade), ou seja, polaridade masculino/feminino. O que para quem não sabe o que é ou não conhece, é uma energia muitas vezes confundida com Amor.

O homem por sua vez também não gosta da mulher... dá-lhe jeito a validação pelas mesmas razões e sente-se atraído por ela. Quando não há Amor dentro de nós, quando não há coração aberto, não se pode gostar genuínamente de ninguém, nem Amar ninguém. Pois há apenas ego e um vazio interior, e nesse caso dá-se validação para se obter validação, e gosta-se da validação que se obtém, ou seja, “ama-se” quem nos “ama”. É um mero negócio de validação para aliviar o vazio interior um do outro.

Eu no futuro vou falar mais sobre este conceito aqui no blog, mas fica aqui uma pequena definição:

Ou se Ama tudo, ou não se Ama nada. Por exemplo: No caso dos homens, Amor não é algo que se sente apenas pela mulher por quem nos sentimos atraídos e que se sente atraída por nós (ou seja, que nos “aceita” e com quem temos algo). É algo que se sente por todas as mulheres, sintamo-nos nós atraídos ou não por elas, sintam-se elas atraídas por nós ou não. É uma energia sem opiniões e julgamentos, é incondicional. É na Verdade um nível de consciência. É uma forma de caminhar pela vida e de lidar e se relacionar com tudo e todos.

Mas voltando ao tema do post de hoje...

Tem então de haver evolução pessoal para que a mulher possa com sucesso fazer uma selecção consciente, perceber que com determinado homem iria ser vítima de maus tratos, e assim tomar uma decisão consciente e útil para si. Ou seja, afastar-se dele antes que seja tarde demais.

Mas então, e as mulheres que são neste momento vítimas de violência doméstica e não foram a tempo para a evitar?

Aqui a situação é mais complicada, porque a solução é mentalmente simples mas emocionalmente difícil:

É ir-se embora, para sempre.

Assim que houver a primeira vez, o primeiro momento de violência doméstica, a mulher afasta-se do homem, acaba a relação e nunca mais volta.

É um acto de coragem. Mas lembra-te que coragem não é algo com a qual ou se nasce ou não se nasce e nada feito. Coragem é um tipo de decisão que se toma na vida, e que todos nós sem excepção podemos tomar. É a decisão de fazer o que está certo fazer, independentemente de como nos sentimos, especialmente se temos medo.

Porque é fácil perceber que este tipo de homem não tem interesse nenhum em perder a sua mulher (ou seja, a sua fonte de validação e alvo de despejo de raiva interior, assim como talvez de prazer sexual). Logo ele vai ameaçá-la para que ela tenha medo e não o abandone.

Pois é precisamente isso que ela deve fazer: abandoná-lo. Ir-se embora para sempre sem vacilar ou hesitar. Não há volta a dar, o homem é o que é, e por muito que se lhe diga que está a cometer um erro ou que ele prometa que vai mudar e que gosta da mulher, ele jamais irá mudar. Porque essa mudança só vem com dedicação intencional... e se ele não se dedica à sua evolução pessoal, esquece lá isso. O tempo não muda as pessoas... são as pessoas que se mudam a elas próprias quando sentem uma motivação interior para isso.

E a nossa missão na vida não é consertar os outros como se fossem máquinas estragadas. Todos nós estamos cá por uma razão, com um propósito. Todos nós estamos a viver a vida que vivemos, e somos como somos, para aprendermos lições e evoluirmos. Só somos responsáveis pela nossa vida e existência, e é dela que devemos tratar. Ajudar os outros quando a ajuda é solicitada claramente é uma coisa, esquecermo-nos de nós próprios e negligenciarmos a nossa felicidade, bem estar e valores é outra completamente diferente.

Logo o homem não vai mudar... quem se tem de mudar é a mulher. E mudar para bem longe.

Tem de ignorar as ameaças do homem e ir-se embora. Tem de romper com o controlo e ser livre. Não se afastar porque ele a ameaça é render-se às ameaças e deixar ser-se controlada pelo medo... e ficar na mesma. Ela tem de se pôr a andar e fazê-lo o mais rapidamente possível. Ela tem de se respeitar e demonstrar que ninguém manda nela nem na sua vida, que ninguém a pode manipular e controlar.

Que ela tem valor, que gosta de si própria, e que merece muito mais e melhor do que um trolhó qualquer de baixa auto-estima que precisa de bater em mulheres para se sentir bem com ele próprio.

Não é uma decisão fácil, mas só as difíceis é que criam as grandes mudanças. As fáceis deixam sempre tudo na mesma... e o mundo está cheio delas.

Vai ter de haver desafio, risco, incerteza... a mulher vai ter de passar por isso. Mas depois de passar por isso uma vez, ela nunca mais se irá sentir bloqueada por essas coisas, e no futuro conseguirá sair, sem hesitar ou vacilar, de tudo aquilo que a prejudica e lhe destrói a felicidade.

Muitas vezes associa-se violência doméstica apenas a violência física, que é de facto um tipo de violência muito mau, mas infelizmente há outros tipos de violência doméstica aos quais se deve também dar atenção:

Possessividade, controlo, ameaças e manipulação são tipos de violência doméstica não física, mas emocional e mental, aos quais deves ter atenção como mulher.

Se sentes que não és 100% livre na tua relação, ou seja, que não podes viver a tua vida como desejas e estar com quem gostas porque o teu parceiro anda sempre em cima de ti a controlar-te, a fazer-te perguntas, e a proibir-te de várias coisas ameaçando-te, então está na altura de também lhe dizeres adeus e ires-te embora.

Tu mereces muito mais e melhor do que isso!

E é isto que tenho para partilhar contigo sobre violência doméstica. Se és uma mulher e foste ou és vítima de violência doméstica, quero que saibas que tenho enorme respeito e compaixão por ti. Este post pode de alguma forma ter dado uma imagem suave do sofrimento pelo qual as vítimas de violência doméstica passam, mas que fique claro que é tudo menos suave, e que estas pessoas precisam de apoio e ajuda.

Seja como for, só tu podes resolver a questão ou evitá-la. Eu sei que é fácil falar e que não são decisões fáceis, mas ou agimos e assim criamos uma nova realidade para nós, ou ficamos parados e deixamos as coisas continuarem na mesma e a fazerem-nos sentir na mesma.

Tens de romper com o controlo e as ameaças, e demonstrar o poder interior que tens em ti, porque tu tens valor, és uma mulher espectacular e mereces muito mais e melhor.

E quanto ao homem que abusa da mulher e lhe bate... para o ego a “solução” é contra-atacar da mesma forma, é odiá-lo e criticá-lo até ao fim da eternidade, é pagar na mesma moeda, é querer vingança e que ele sofra pelo que fez, etc, etc.

Faz tudo muito sentido... mas não serve para nada.

Deve-se ter compaixão pelas vítimas, mas também pelos abusadores. Porque ambos são “vítimas” da mesma coisa: o nível de consciência do ego humano.

Eu repito-me muito, é de propósito. E vou repetir isto até que todas as pessoas o compreendam e integrem na sua vida:

Deve-se ter compaixão por todos os seres vivos. Porque este homem que bate na mulher vive perdido, em sofrimento. Ele vive escravo do seu ego, a sentir constantemente emoções negativas, e é daí que vêm os seus comportamentos e atitudes.

Enquanto se alimentar as emoções negativas do ego humano, como o ódio e a raiva, então é isso que se estará a criar e a fazer crescer. Aí está-se a contribuir para que hajam mais coisas do género da violência doméstica.

Ter compaixão por esses homens não tem nada a ver com continuar a ter uma relação com eles ou dizer “coitadinho, deixa-o continuar a bater”. É sim afastar-se dele, responsabilizá-lo pelo que fez, mas não o odiar e querer vingança e deixá-lo mal. É saber e sentir a Verdade por detrás das suas decisões e acções. É largar a “necessidade desnecessária” de criticar e inferiorizar. Porque todos temos sempre o mesmo valor, só que uns cresceram com influências positivas e úteis, e outros não.

É tudo uma questão de energia e de nível de consciência.

Perguntas:

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Pedro Constantino