terça-feira, 9 de setembro de 2008

"Neo-Monogamia: Na Era Das Relações Abertas (Revista Happy Woman)"

Ontem ía a andar na rua e reparei num placar que tinha um poster da capa da revista feminina Happy Woman do mês de Setembro.

Duas coisas chamaram-me de imediato à atenção:

A primeira delas foi a mulher que está na capa. Quer dizer, não foi bem a mulher que está na capa... foi a roupa que essa mulher tinha vestida.

Ao ver aquilo pensei “Hey, saiu mais um filme da saga Star Wars! De que raça/planeta será ela...? Hey, talvez seja o Darth Vader versão palhaço!”

Repara que eu não estou a falar da mulher, apenas da roupa. E num segundo olhar mais atento cheguei então à conclusão: “Ah espera... é apenas moda”.

Que muitas vezes no fundo é a mesma coisa que o que se passa com os extraterrestres de filmes de ficção científica: não tem naaada a ver com a Natureza e a Realidade.

Cuidado: vestir aquele tipo de roupas pode ser muito fixe para a mente humana, pois é original e satisfaz a sua necessidade constante de curiosidade... mas atracção nada tem a ver com a mente humana.

Aquele tipo de roupa esconde e distorce as formas naturais da mulher, aquilo que faz dela mulher e feminina... logo mata a atracção natural.

Parecer um robô colorido ou um Darth Vader versão palhaço não causa atracção. Pode causar curiosidade (ou muitos risos), e de facto chama à atenção e dá nas vistas (validação). Mas validação não tem naaada a ver com atracção.

Ou vives em sintonia com a Natureza ou vives afastado dela. E viver afastado dela garanto-te que não traz lá grandes resultados. Se és uma mulher usa roupas que não escondam as curvas e formas naturais do teu corpo... porque a Natureza meteu-as lá por uma razão. Aquelas roupas ficam bem num filme futurista de ficção científica... mas na tua vida amorosa e íntima, esquece.

E isto não é a minha opinião, é como a Natureza funciona.

Mas mais importante do que o robô colorido da capa – e não estou a falar da mulher, estou apenas a falar da roupa – foi um dos temas que tratavam nessa revista:

“Neo-Monogamia: Na Era Das Relações Abertas”

Não sei como trataram desse tema nem o que disseram em relação a ele pois não li essa revista. Este post não é a minha opinião sobre o que disseram nessa revista sobre esse tema, nem é sobre a minha opinião em relação à revista Happy Woman. Nunca a li, por isso não sei o que se passa para além da capa.

Sei que a revista anda a tratar de temas sobre a atracção, erotismo e sexualidade, e isso é muito positivo. Não sei o que andam a escrever sobre essas temas nem sei qual é o nível de consciência dos autores dos textos... mas sei que é um passo na direcção certa, e isso é sempre bem-vindo.

Mas aquele tópico na capa motivou-me a falar sobre relações abertas. E é esse o tema deste post.

Primeiro de tudo: o que é uma relação aberta?

Simples: é uma relação sexual na qual se tem um parceiro fixo e se pode andar a curtir e a fazer sexo com outras pessoas.

Muito fixe não achas...?

Bem, a Verdade sobre a situação não é tão cor-de-rosa como o termo “neo-monogamia” quer parecer fazer crer.

Então que mal tem em ter-se uma relação aberta?

Não tem mal nenhum. A questão não é essa... a questão é: o que se passa realmente para certos seres humanos sentirem a necessidade e motivação de ter relações abertas?

Isso sim, é uma informação útil para ti.

Então, o que é que se passa aqui nisto das relações abertas?

No Hi5 havia (e se calhar ainda há) pessoal que colocava no estado da relação “relação aberta” para parecer fixe, ou apenas para deixar na dúvida os membros do sexo oposto que visitassem o seu profile.

Também não há mal nenhum nisso... a questão é: de onde vem isso das relações abertas?

Se és um seguidor fiél do Cool Vibes acho que já deves ter a resposta na tua mente por esta altura... aquela bela palavra de 3 letras chamada... EGO.

Passo a explicar:

O ego humano necessita constantemente de validação exterior, logo faz com que as pessoas andem sempre atrás dela.

Nada de mal aqui, tirando que isto faz com que as pessoas sofram e façam sofrer.

Uma vez que o ego humano só quer é obter, obter, obter (validação) não é muito difícil perceber que através dele é impossível haver partilha e compaixão.

Partilha e compaixão são as bases de uma relação íntima de qualidade.

O pessoal das relações abertas não tem as qualidades necessárias para ter uma relação íntima de qualidade. E eles sabem isso...

É o ego que controla as suas vidas. E porque eles sabem que não conseguem ter uma relação íntima de qualidade com uma pessoa, porque não conseguem lidar com isso nem com a outra pessoa do sexo oposto, e ter algo de qualidade a longo prazo (porque a curto prazo é muito fácil), então chegaram a esta conclusão:

“Bem, relações só com uma pessoa não dá para mim. Por isso a solução deve ser ter com mais do que uma sem estar ‘preso’ a ninguém. Assim posso obter prazer físico e validação de quem quiser quando quiser!”

Obter, obter, obter... sem ter de partilhar. Porque para partilhar é preciso ter algo para partilhar, e isso é muito difícil. No estado de necessidade constante de obter validação não se tem nada para partilhar. Na Verdade tem-se... mas o ego cria a ilusão de que não se tem e de que se precisa é de obter mais e cada vez mais.

A mentalidade é esta:

“Bem, eu sinto-me atraído por ti e quero fazer sexo contigo. Gosto de ti (porque me dás validação) e não te quero perder (não quero perder a tua validação porque preciso disso constantemente). Mas como não tenho nada para partilhar e não consigo criar uma relação íntima de qualidade só com uma pessoa, e não sei lidar com o sexo oposto de forma a criar uma ligação emocional verdadeira na qual há harmonia e não as discussões e maus momentos do costume, bora ter uma relação aberta. Assim posso obter prazer físico e validação de quem quiser quando quiser (e é o meu corpo e mente que controlam a minha vida completamente em vez de ser eu), e ao mesmo tempo tenho uma fonte de prazer físico e validação garantida, à qual posso voltar de vez em quando, quando não estiver a conseguir nada com mais ninguém e já estiver à rasca”.

=)

Claro que as pessoas não verbalizam assim as coisas na sua cabeça, mas é isto que se passa.

Se estás numa relação aberta ou estás a pensar em meter-te nisso, força, porque não tem absolutamente mal nenhum. Se estiveres a ser autêntico e honesto com o teu parceiro aberto, então tudo bem.

Mas ter orgasmos com estranhos, ou com pessoas fora da relação, seja ela aberta ou não, é traição à mesma.

Traição não tem só a ver com a mentira verbal ou com o fazer algo sem o consentimento do outro... e é aqui que as coisas se tornam muito difíceis de compreender para a mente/ego humano.

Porque é mistura de energias à mesma... e uma atitude de falta de auto-respeito.

Lá porque o parceiro sabe e concente, isso não muda a Realidade. Está-se a fazer a mesma coisa... só que no caso da relação aberta é um mercado livre de validação. É uma parceria para juntos obterem validação sexual do sexo oposto.

Lá porque não é uma mentira nem é falsidade, lá porque a outra pessoa sabe e és claro em relação ao que fazes, isso não muda a Realidade do que está a acontecer.

Há um nível acima chamado Integridade. Mas pronto, para o ego humano esse nível é uma folha em branco. Ele não o consegue ver e mesmo quando o vê não o compreende.

Porque não tem a ver com obter... tem a ver com partilha e compaixão.

Porque andar a ter relações abertas e orgasmos com estranhos não tem mal nenhum... desde que seja feito com honestidade e autenticidade.

Mas isso é como afectas os outros. Falta nessa equação uma pessoa muito importante: que és tu.

És fiél a ti próprio?

Respeitas-te?

Tens orgulho por ti próprio?

Tens compaixão por ti próprio?

Validas-te ou andas sempre atrás da validação dos outros?

Sentes um vazio interior, ou sentes-te tão cheio que queres partilhar essa paz interior e felicidade com os outros?

Quando um ser humano partilha o seu corpo aleatoriamente com estranhos para ter orgasmos e satisfazer o desejo sexual que sente, ele não está a ser selectivo. Ele não está a ter auto-respeito. E isso é porque ele não tem auto-estima.

Porque se tivesse iria ver-se como alguém com valor (porque o tem) e não se iria partilhar sexualmente com qualquer ser humano apenas porque ele tem um corpo que o excita.

Não tem mal nenhum viver-se assim. Não tem mal nenhum ter-se relações abertas e andar a ter orgasmos com estranhos. Não tem mal nenhum ter-se baixa auto-estima e ter a vida controlada pelo ego. Mas há consequências, há sempre consequências para todas as decisões que tomamos na vida. E nós criamos a nossa vida através das nossas decisões.

Agora, quem é que anda a tomar essas decisões?

É o teu corpo, a tua mente... ou és tu, conscientemente?

O Inferno não é um local para o qual vamos depois de morrer, e que está todo a arder, e no qual vivem seres com cornos, asas, caudas em bico e com tridentes nas mãos para nos torturar.

O Inferno é um estilo de vida que se escolhe ter aqui e agora. É consequência do nível de consciência do ego humano.

A questão é: como queres que seja o teu estilo de vida? O que queres sentir? Porque tipo de experiências queres passar? Que tipo de pessoas queres ter na tua vida?

Ter uma relação aberta com um parceiro aberto pode ser fixe e dar gozo a curto prazo porque se obtém validação e alimenta-se o ego. Mas a longo prazo... o vazio interior continua a existir.

Perguntas:

CoolVibesClub@hotmail.com

4 comentários:

Anónimo disse...

Trair é algo inventado pelo ego. Se ego = mente. Tu só trais, se sentires que tás a trair na tua ment ;)

Pedro Constantino disse...

Não. Presta atenção a isto:

Trair não é algo criado pelo ego. É uma consequência da necessidade constante de obter validação, mais o desejo sexual do corpo.

Ego não é igual à mente. Ego está na mente, mas não é o mesmo que a mente. É uma criação da mente humana (é uma identidade mental), mas não é a mente humana.

E traição não é algo que só se passa dentro da mente... é um acto real que acontece FORA da mente. É uma mistura de energias. É real, não é apenas um pensamento ou uma conclusão lógica.

Traição é desonestidade, e qualquer forma de desonestidade é medíocre. Ou há honestidade ou não há honestidade... é uma forma de funcionar na vida, é uma energia.

Rui disse...

Olá Pedro.

Ao ler os teus posts, eu fico com a ideia de que o ter-se prazer sexual com "estranhos" é algo que tu associas sempre ao ego, e à necessidade de obter validação. E que quem se partilha com estranhos é porque não tem auto-estima nem auto-respeito.

Custa-me a aceitar essa análise. Eu acho que há mais vida para além do ego, mesmo nas mentes das pessoas a quem uma certa dose de evolução pessoal fazia falta...

Existe a atracção sexual e o prazer sexual. Ou seja a experiencia sexual pode ser um fim em si, e não um meio de alimentar o ego. Uma pessoa pode fazer sexo por gostar de sexo, sem ter baixa auto-estima.

Nota, porém, que não estou a defender as relações abertas, nem nada disso. Estou apenas a falar na relação entre ego e sexo.

Um abraço!


PS - O titulo do artigo era mesmo esse? Ou era "Neo-Poligamia"? :)

Pedro Constantino disse...

Rui:

Era mesmo Neo-Monogamia.

Eu percebo o que queres dizer. E sim, de facto há outra coisa para além de querer obter validação.

Há o prazer de ter sexo pelo sexo.

Mas atenção:

Se o objectivo é apenas ter sexo e prazer sexual, então o único factor chave que determina a decisão é se a outra pessoa é físicamente atraente ou se cria desejo sexual.

Logo é apenas a imagem, aparência ou corpo da outra pessoa que determina a escolha...

E se é apenas isso, então não há selecção nenhuma. É por isso que eu digo que não há auto-respeito. Porque basta ser físicamente atraente e já está escolhida... partilha-se o corpo com estranhos só porque eles criam desejo sexual ou atracção sexual.

Não há o mínimo de selecção consciente. Não se questiona se realmente a outra pessoa tem determinadas qualidades ou valores... porque o que interessa para o mero prazer sexual é se a outra pessoa excita ou não.

Não se trata apenas de obter validação porque se foi para a cama com alguém... trata-se de não ter auto-respeito porque partilha-se o corpo com qualquer pessoa apenas porque ela cria desejo sexual.

É uma diferença subtil, mas tem a mesma origem. Porque quando não se tem auto-respeito não se tem auto-estima. E quando não se tem auto-estima é porque é o nosso ego que controla a nossa vida, não nós.