AMOR

"Ensina só Amor, pois é isso que tu és"

terça-feira, 9 de setembro de 2008

"A Maior Mentira Do Cinema Sobre Atracção"

Certamente já viste pelo menos uma comédia romântica. Apesar de divertido, este tipo de filme tem um grave problema:

Transmite conceitos disfuncionais e completamente errados em relação à atracção e ao relacionamento com o sexo oposto.

O que acontece é que as pessoas depois são bombardeadas constantemente por este tipo de informação, pensam que é a solução, usam e não resulta, sentem-se mais frustradas e não fazem a mínima ideia do que fazer em relação à sua vida amorosa e como criar ligações saudáveis com o sexo oposto.

Estes filmes foram criados para entreter... não para verdadeiramente educar, ajudar ou fazer evoluir.

E porquê?

Porque foram escritos e realizados por seres humanos que apesar de terem valor e serem excelentes profissionais da sua área, têm o mesmo nível de consciência de 96% da população humana: o nível do ego humano.

E este nível de consciência não permite ter uma vida amorosa e íntima de qualidade, porque neste nível de consciência da mente (ego) humana, o ser humano é completamente controlado por uma constante necessidade de validação exterior e funciona através de medo e inseguranças (zona de conforto).

Isto não tem mal nenhum... mas faz as pessoas sofrer. Tal como me fez a mim, e provavelmente faz a ti. E isso para mim é completamente desnecessário...

Por isso vou aqui e agora desmistificar um dos piores conceitos de todos os tempos, em relação à atracção, que o cinema instala na cabeça das pessoas há muitos (mesmo muitos) anos e basicamente... dá-lhes cabo da vida amorosa.

Já deves ter visto filmes deste género:

O “herói”, ou personagem principal, é um pobre desgraçado sexualmente frustrado, inseguro e tímido, que tem uma extrema dificuldade em se relacionar com o sexo feminino.

Depois há a mulher ou rapariga super atraente e bonita, que tem muitos homens a andar atrás dela, ou tem um namorado badboy (o típico homem masculino imaturo), ou que é famosa. É aquele tipo de mulher que é apresentada como “inalcansável”.

Um dia, ou noite, devido a um estranho alinhamento de planetas e elefantes verdes aos losangos amarelos, a nossa amiga sexy e cheia de opções troca um olhar com o nosso amigo sexualmente frustrado.

Resultado: ele fica perdidamente apaixonado por ela. O seu cérebro fica como que encravado na imagem e aparência dela, e ele já não pensa em mais nada.

“Eu tenho de obter o amor dela! Eu amo-a! Eu tenho de a conquistar!!”

E o que acontece a seguir é mais um filme de terror do que uma comédia romântica. E atenção que estas coisas não acontecem apenas em comédias românticas... acontecem também noutros tipos de filmes, sejam dramas, thrillers, acção, fantasia, etc.

O plano do nosso amigo frustrado é sempre uma variação disto:

Demonstrar à mulher atraente o quanto ele gosta dela, ou o quanto a ama, para assim convencê-la a aceitá-lo.

Atenção: convencê-la lógicamente a ter intimidade com ele. Que neste caso traduz-se para validá-lo (dar-lhe “amor”).

Então o que é que ele faz?

As 1001 demonstrações de interesse. Durante todo o filme ele faz todo o tipo de sacrifícios para conquistar o coração da mulher. Ele demonstra de muitas formas diferentes o quanto está apaixonado por ela e como gosta mesmo dela...

Como gosta mesmo dela... ou seja, “Hey, comigo validação é garantida! Por isso podes-me validar que eu a seguir vou-te validar de certeza!!”

Cá está o ego em acção... ;)

Vou-te agora fazer uma análise consciente do que realmente se passa...

Este nosso amigo sexualmente frustrado tem claramente baixa auto-estima e é feminino. Porque se ele fosse masculino não teria de fazer sacrifício nenhum para estar e sair com a mulher atraente... se ele fosse masculino haveria polaridade masculino/feminino, logo haveria atracção natural, logo ela estaria logo interessada nele e curiosa em relação a ele.

Não logo para sexo ou relação, mas para estar e sair com ele, para o conhecer.

A baixa auto-estima é fácil de ver: sem saber NADA sobre a mulher, ele sente-se perdidamente apaixonado. Sem saber NADA sobre a mulher ele decide auto-inferiorizar-se constantemente para a validar e tentar obter a sua validação. A qual para o seu nível de consciência é “amor”... é aquilo que vai preencher o vazio interior que ele sente.

Aqui está um ser humano completamente controlado pelo ego: necessidade de validação. Idealização da atracção física que sente e da necessidade de validação que sente. Resultado: “estou apaixonado!”

Mas o que se passa na verdade é que o seu ego (mente) vê a mulher atraente como uma potencial fonte de validação constante que lhe vai “resolver” o problema do vazio interior (“eu não tenho valor, tenho de o ir buscar lá fora a alguém do sexo oposto”).

O mais assustador é que no final do filme este nosso amigo sexualmente frustrado consegue mesmo conquistar a “hot babe” com o seu plano de demonstrar-lhe o quanto gosta dela (dar-lhe validação de 1001 formas diferentes: elogios, prendas, sacrifícios, auto-inferiorização, ajuda, favores, declarações, discursos lógicos de “amor” que fazem todo o sentido mas que não servem para nada, etc).

Na vida real este nosso amigo NUNCA teria intimidade com esta mulher. Ela nunca o aceitaria como seu namorado.

Porquê?

Porque na vida real atracção não tem nada a ver com validação. Não se atrai alguém do sexo oposto com meras demonstrações de interesse, insistindo, e tentando, e experimentando, e voltando a tentar, e persistindo, e perseguindo, etc.

Isso repele. Pois apenas demonstra à mulher que o homem não tem uma vida nem tem outras opções. E no momento presente ele com essa atitude cria emoções negativas na mulher...

É como estar a comer constantemente a mesma comida estragada (tipo, beber leite azedo) sabendo que ela já está estragada. Cria emoções negativas repelentes. Porque este amigo funciona através de insegurança e carência... funciona através de “eu não tenho valor” (ego)... e tudo o que ele faz apenas expressa isto:

“Quero obter validação de ti, dá-me validação! Quero obter validação de ti, dá-me validação! Quero obter validação de ti, dá-me validação!”

Isto é extremamente bizarro...

Ele não está a partilhar nada com a mulher, nem a criar naturalmente emoções positivas nela. O que ele está a fazer é uma pura e clara tentativa de manipulação “Eu dou-lhe validação e depois ela também me vai dar...”.

Ele está completamente dentro da cabeça onde tudo fora dela é um monsto assustador do qual se tem de fugir, e validação é como oxigénio que precisa de ser respirado todos os segundos.

Dar validação apenas alimenta o ego a outro ser humano... não cria atracção. Nada tem a ver com desejo sexual que leva à intimidade (namoro ou relação íntima).

Não podes convencer logicamente ninguém a sentir-se atraído por ti. Ou és naturalmente atraente ou tudo será um plano de manipulação que até pode resultar a curto prazo, mas a longo prazo só atrai e cria mediocridade e problemas.

Isto funciona assim: se não há polaridade masculino/feminino não há atracção. Se não há atracção, não há desejo sexual. Se não há desejo sexual o homem e a mulher serão apenas amigos. Bons amigos... mas apenas amigos. Não haverá qualquer ligação física ou intimidade. E não interessa o quanto gostam um do outro, se um não for masculino e o outro feminino, jamais haverá sexo entre ambos. Sem esta atracção não há intimidade nem namoro, apenas amizade.

Bombardear alguém com validação apenas resulta em pessoas de baixa auto-estima, que também andam a correr atrás de validação exterior, e que não têm opções na sua vida amorosa nem as sabem criar.

Mas o que vai acontecer é que a relação será um negócio/jogo de validação... não há atracção, e mesmo que haja, partilha e compaixão de certeza que não existem. Porque isso exige qualidades específicas que só uma libertação do ego permite ter.

É tudo infelizmente um jogo de poder, controlo e inseguranças, troca de validação, caos e discussões, e uma infeliz ilusão de que isso é amor.

Enfim, é o que temos por agora. Claro que isto não são todas as relações... são “apenas” as relações de 96% dos seres humanos.

A sociedade e a cultura precisam de evoluir para um novo nível de consciência no qual as grandes verdades sobre o ser humano, a vida e atracção são senso comum.

Mas isso ainda vai levar o seu tempo. Por isso começa por ti e vai criando a tua vida.

Voltando ao plano do nosso amigo sexualmente frustrado:

Repara bem que ele não faz a mínima ideia de como ela é... ele nunca esteve a sós com ela numa saída. Ele não faz a mínima ideia de que tipo de vida ela tem... quais são as suas qualidades e valores. Ele viu-a, conhece-a de vista (atenção: de vista!!) e já a quer. Mas... será que ela é honesta? Será que ela tem auto-estima? Será que ela é uma pessoa positiva?

Bem... talvez na sequela do filme eles nos demonstrem isso. Porque a única coisa que ele sabe sobre ela é...

Como é o seu corpo.

Ele não sabe mais nada. E a verdade é que nem quer saber. Ele só quer é obter a validação dela, e tudo o resto são idealizações e fantasias criadas através dessa necessidade.

Não há qualquer selecção no que ele faz, é o “tudo ao calhas”. E isso demonstra à mulher uma completa ausência de auto-respeito e claro, de auto-estima. E isso é repelente.

Poderia dizer muito mais sobre este tipo de filmes e a atitude deste tipo de personagem nestas situações. Mas o importante que deves reter hoje é que perseguir uma mulher e tentar convencê-la a aceitar-te como seu namorado ou parceiro íntimo... não resulta. Aliás, resulta: no tipo errado de mulher.

Então o que resulta?

Ser naturalmente atraente. Desenvolver uma personalidade naturalmente atraente. Começa por gostar de ti. Amor é algo que crias dentro de ti, e através do qual depois funcionas na vida e lidas com todas as pessoas. Não é algo que se vai buscar a outro ser humano, ou algo que só outro ser humano te pode dar para teres... é algo que crias dentro de ti e sentes constantemente em relação a ti. Só depois o podes sentir em relação aos outros... e atraí-los naturalmente sem manipulações e desonestidade, e sem atitudes disfuncionais de auto-inferiorização.

Perguntas:

CoolVibesClub@hotmail.com

6 comentários:

Cláudia Nóbrega disse...

Olá Pedro!

Estou a ver que estás de volta e em grande! :)

Quando li este post ocorreram-me vários filmes e julgo que se fizesse uma lista isso daria um outro post! :)

Mais uma vez o que se comprova com este post é que estamos rodeados de coisas que nos mantêm distraidos daquilo que verdadeiramente interessa. Sejam filmes, música, livros, noticiários, séries e afins. Por isso, temos que estar atentos a tudo isto e é bem mais razoável viver a vida com intenção pois se a deixarmos ao acaso não me parece que o resultado seja muito "famoso" ou que termine com a célebre frase"(...) e viveram felizes para sempre"!:)

Cumprimentos... :)

Pedro Constantino disse...

Cláudia:

É isso mesmo... há que viver com intenção para não se ser vítima de uma lavagem cerebral desnecessária. O nível de consciência actual da sociedade é assustador... e é preciso estar atento. É por isso que é preciso haver selecção consciente.

Anónimo disse...

eae pedro tudo bem???
Aqui é novamente o Ricardo do Brasil.
Muito legal o seu post. Mas você poderia me citar alguns filmes que estão relacionados com esse post, só para dar exemplos mesmo?
Um abraço.

Pedro Constantino disse...

Ricardo:

São muitos mesmo... não me lembro de nenhum título em específico mas há imensos.

Aqueles filmes sobre a malta no secundário ou faculdade têm muito disso. Mas há outros também...

90% ou mais dos filmes sobre relações amorosas são uma disfuncional glorificação da validação, e não têm nada a ver com verdadeira Atracção (Polaridade Masculino/Feminino) nem com verdadeiro Amor (Auto-Estima/Compaixão).

Anda tudo ali à volta de uma energia manhosa de baixa auto-estima, carência, necessidade de validação e mera atracção física e orgasmos com estranhos.

Anónimo disse...

O filme do homem aranha com timido peter parker e a beldade mary jane é um bom exemplo penso eu

Pedro Constantino disse...

Sim, o Homem-Aranha é sem dúvida um bom exemplo. Os filmes "Virgem aos 40" e "Doidos por Mary" também são bons exemplos do que falei no post.