sexta-feira, 15 de agosto de 2008

"A Verdade Sobre o Casamento, Atracção, Relações e Intimidade"

"A Verdade Sobre o Casamento, Atracção, Relações e Intimidade"



Se estás a pensar em casar-te, ou já és casado, então este é daqueles textos que tens MESMO de ler.


Pois hoje vou falar-te acerca da Verdade por detrás do casamento, e sobre como ele se afecta a qualidade da relação íntima e a atracção que existe (ou não) entre os parceiros.

Estás pronto?

Casamento é apenas um título... logo é irrelevante para a qualidade da relação íntima.

Se dois seres humanos estão numa relação íntima, o que vai definir a qualidade dessa relação é sempre e apenas a personalidade dos parceiros.

É o seu nível de consciência, qualidades e valores... nunca um título exterior como o casamento.

Casar-se nunca vai tornar uma relação melhor ou provar seja o que for. Casar-se não garante nada.

A única coisa que pode tornar uma relação íntima melhor é a evolução pessoal dos parceiros... nada mais. A qualidade das nossas experiências nada tem a ver com as circunstâncias aleatórias do exterior... apenas com o nosso interior. Ou seja, a nossa personalidade.

Pois é através dela que criamos a nossa Vida e é através dela que lidamos com as circunstâncias aleatórias do exterior.

É sempre tudo uma questão de nível de consciência, qualidades e valores.

O casamento é então um mero título exterior. Estar-se casado é um mero título exterior. Tal como ser-se modelo, popstar, rockstar, VIP, estrela de cinema, etc.

É apenas uma catalogação da sociedade. Isto não quer dizer que é bom ou mau... quer apenas dizer que nada mais é do que uma palavra.

Claro que é uma palavra com significado... é uma palavra que representa algo, que significa algo.

E sabes qual é a única entidade em todo o Universo que apenas vive através do significado das coisas e das palavras?

O nosso amigo ego humano =)

Hey, por alguma razão nós somos o único animal neste planeta que se casa: é porque somos o único animal que tem ego.

Se pensares bem, vais descobrir que as bases do casamento são de facto a validação e a insegurança.

Repara bem nisto:

Muitos seres humanos (nem todos) pensam que estar casado demonstra à sociedade que eles têm valor. Porque estar casado significa que há alguém do sexo oposto que está interessado neles e que gosta deles.

Ou seja, que eles têm valor suficiente para serem desejados por alguém e para estarem casados com alguém.

O que é uma grande treta.

Porque todos os seres humanos têm valor, e têm exactamente o mesmo valor.

Estar casado ou não estar casado é igual. Tem-se valor à mesma, e tem-se o mesmo valor. E não se tem pouco ou muito valor, tem-se valor. Todos têm o mesmo valor.

Por isso casar não é a grande salvação que vai ajudar alguém a desenvolver auto-estima.

Achas mesmo que uma cena de metal à volta do dedo vai fazer alguma diferença na vida de alguém?

Claro que não. Talvez lhe dê validação e lhe alimente o ego... mas e depois? Auto-estima nem ver, e depois qual é a qualidade real do casamento? Tem qualidade? Satisfaz os dois? Estimula os dois todos os dias? Há atracção, intimidade e divertimento? Há fascínio, entusiasmo e humor? Há partilha e compaixão?

Se sim, então óptimo. Se não, então essa relação só existe por falta de opções, baixa auto-estima, insegurança e busca por validação.

Ah, e também busca por algum prazer físico... não sei se percebes o que eu quero dizer.

Portanto casamento é apenas uma forma de validação.

“Ele/a está casado, logo deve ter algum valor como parceiro íntimo”.

E certamente já ouviste comentários do género:

“O quê, ele/ela ainda é solteiro/a? Aaah... coitado/a!”

Ou então:

“O quê, ele/ela ainda é solteiro/a? Alguma coisa de errado se passa com ele/a para ainda não ter encontrado alguém”.

Sinceramente, isto faz algum sentido?

Claro que não. Como se não estar casado fosse uma prova e demonstração de baixo valor ou de não valor. Isso é ridículo.

O que isto faz é fazer as pessoas acreditar que há algo de errado em ser-se solteira/o. Não há nada de errado em ser-se solteirona, nem solteiro, nem casado... isso não é prova do nosso baixo valor. Nós temos sempre valor.

Se não estás numa relação íntima com ninguém isso não demonstra que não tens valor. É irrelevante. Tu tens valor mesmo sendo solteiro.

E se estás numa relação íntima com alguém, então já estás comprometido. Já tens uma ligação emocional e já tens intimidade. Não há mais nada a acrescentar. Casares-te não vai acrescentar nada à relação. Não a vai salvar nem melhorar. Vai ficar tudo na mesma porque são as vossas personalidades que a criam, não é um título exterior, uma palavra, que define a qualidade da relação e dos momentos em que estão juntos.

Não fiques preocupada porque a “coisa nunca mais avança para o casamento” ou “ele não fala em casamento”.

Porque casamento não tem nada a ver com ele gostar realmente de ti ou não. Não é por ele (ou ela) querer casar-se contigo que prova que realmente te ama ou gosta de ti.

Isso é algo que se demonstra SEMPRE que se está com a pessoa. SEMPRE. Todas as vezes, todos os momentos. E chama-se a isso Compaixão.

Casamento é irrelevante. O casamento não é “a felicidade” nem a grande solução... é apenas um título e uma forma de validação.

E se pensares bem no evento que é um casamento... todos os amigos e familiares a assitir (dar atenção), e a noiva com um belo vestido branco enorme (para dar nas vistas).

E depois, desde quando é que troca de texto, mostrar roupa e tirar fotos se tornaram mais importantes do que o que realmente nos mantém VIVOS? Tipo... comida!

É que sem comida é um pouco complicado estar vivo... mas num casamento isso é completamente negligenciado. Pensa bem: ao fim da manhã assistes à cerimónia, e depois com tudo o resto mais a eterna sessão de fotos, almoças lá para as 16h, 16h30.

Fotos: bocados de papel com tinta. Para recordar o dia mais importante das suas vidas: o dia de casamento.

Hey, TODOS os dias são o dia mais importante das nossas Vidas. TODOS sem excepção. A Vida é vivida no momento presente, no presente, no agora, e todos os segundos são valiosos pois são segundos em que estamos vivos a experienciar Existência.

E depois fotos... para quê? Para olhar para elas e recordar? Para viver através de memórias do passado? Enquanto se ignora e negligencia o momento presente...?

A qualidade da tua vida depende apenas daquilo que experiencias e sentes no momento presente. Se lhe viras as costas estás a assinar um contracto de aleatoriedade no qual vais depois sentir mais coisas negativas (problemas) do que positivas (realização pessoal).

Por isso cuidado com o “vício” das fotos e de querer registar tudo e mais alguma coisa em vez de as experienciar na sua totalidade, em vez de estar presente e viver fora da cabeça no momento presente.

Fotos não têm mal nenhum, mas na Realidade são apenas bocados de papel com tinta. E viver através de memórias vai-te prejudicar mais do que beneficiar.

E hey, nós temos uma coisa chamada memória (que até pode ser treinada e desenvolvida), não precisamos de fotos para nos recordarmos de momentos bons e positivos que passámos ;)

E depois usam-se alianças como se fossem alguma medalha...

“Hey, olha para o meu dedo! Há alguém do sexo oposto que gosta de mim! Vês? Eu também tenho valor, dá-me atenção e validação!”

= )

Ou será que usam as alianças como... algemas...?

Sim, porque o segundo ingrediente do casamento é a insegurança.

Repara bem:

“Até que a morte nos separe...”

Hã?! O_O

É que a tradução disto na Verdade é:

“Vais ser a minha fonte de validação até morreres...”

O casamento é na Verdade uma “prisão”.

Porque independentemente da “performance” e personalidade do parceiro (qualidade da relação), decide-se ficar com ele para sempre.

Para muitas pessoas isso é uma “prova de amor”.

Treta.

Amor é algo que cada um de nós sente dentro de nós, estando com alguém ou não. Logo não é algo que se dá ou se vai buscar ao exterior (como validação).

E se está dentro de nós então há também amor por nós próprios... logo há auto-estima e auto-respeito. E se há auto-respeito não se vai estar numa relação que destrói a qualidade da nossa vida. Aceita-se apenas o melhor para nós e nunca menos do que isso.

Porque gostarmos de nós próprios não significa acharmo-nos melhores do que os outros. Não significa não gostar dos outros. Aliás, gostarmos de nós próprios e respeitarmo-nos é o que nos vais permitir realmente gostar dos outros e respeitá-los, porque temos essas emoções dentro de nós, logo vivemos através delas e lidamos com os outros através delas.

Se alguém precisa de validação constante (baixa auto-estima = ego a controlar a pessoa e a sua vida) a solução não é arranjar uma fonte de validação constante “até que a morte a separe dela”...

É libertar-se do ego, desenvolver auto-estima e deixar de precisar de obter validação. Não é uma relação com outro ser humano que nos vai “salvar”... é a relação que temos com nós próprios.

O casamento é então uma forma de “prender” um parceiro ao outro, para não fazer com que nenhum dos dois perca a sua “única e preciosa” fonte de validação.

E depois usam-se as tais alianças para afastar do parceiro qualquer curioso ou interessado que possa “roubar” a sua fonte de validação.

“Hey, eu tenho aliança, logo estou ‘ocupado’. Afasta-te!”

Medo de perder a outra pessoa... medo de perder o parceiro.

E há quem diga que é porque gosta muito dele, logo não o quer perder.

Pois... isso é muito giro mas medo é uma emoção negativa, e gostar é uma emoção positiva. Não vejo a relação entre ambos... e de uma emoção positiva nunca vem uma emoção negativa, vêm mais emoções positivas.

Portanto o que realmente se passa aqui é que a pessoa tem medo de perder a sua fonte de validação. Neste caso ela não gosta do parceiro, ela gosta é da validação que obtém dele.

Porque ela tem baixa auto-estima e essa validação alivia-a da insatisfação constante em que vive.

Obviamente que pode também gostar do parceiro, mas isso não tem nada a ver com ter medo de o perder porque não depende nem precisa dele (validação). Simplesmente gosta dele e dos momentos que passa com ele (auto-estima).

E outra coisa importante: eu não estou a falar de todas as pessoas que estão casadas ou que se casam. Não estou a dizer que todas são assim.

Mas em termos de insegurança a coisa não fica por aqui...

É que há muitas pessoas que se casam porque não têm opções, não sabem criar opções e têm medo de não conseguir outra oportunidade.

Elas casam-se com a primeira pessoa que demonstrar gostar delas (validação) ou com a primeira pessoa com quem conseguem ter intimidade.

E pensam algo do género:

“Hey, é melhor prendê-la/o a mim o mais rápidamente possível porque senão perco-o e depois não tenho mais ninguém, e posso ficar solteiro/a para sempre e nunca mais voltar a ter amor (tradução para este contexto: validação e/ou sexo) na vida!”

Provavelmente já deves ter ouvido dicas destas:

“Estás parvo?! Aproveita! Não te faças de esquisito! Mais vale isso que nada!!”

Esta é a típica conversa de quem vive com uma mentalidade de escassez e não sabe criar opções.

Como não consegue criar novas opções, para ele mais vale qualquer “porcaria” que apareça por acaso do que continuar sem nada.

Não é preciso ser muito inteligente para perceber que aqui não há qualquer gota de auto-respeito (auto-estima).

Mas escassez é uma ilusão...

Sai à rua e olha à tua volta... vai a um centro comercial e olha à tua volta... vai à praia e olha à tua volta... vai a uma faculdade na hora de almoço e olha à tua volta... vai a uma discoteca a partir das 2h e olha à tua volta...

Há dezenas, senão centenas de pessoas para conhecer! Centenas de potenciais amigos ou parceiros íntimos!

É preciso é fazer alguma coisa acontecer. Iniciar uma conversa, dizer qualquer coisa...

Criar momentos e ligações.

Mas isso é uma conversa que fica para outro post.

Quero que saibas que de qualquer forma eu não tenho nada contra casamentos. Não acho de forma alguma que um casamento seja uma coisa má... hey, até me posso vir a casar um dia destes.

Mas é importante que vejas o casamento pelo que ele realmente é, a Verdade. Sem tretas ou floreados... a pura Verdade.

Para que depois possas tomar uma decisão consciente em relação à tua vida amorosa.

Porque se casar fosse a grande solução ou prova de que se tem (ou vai ter) uma relação íntima espectacular, então não haveriam divórcios.

A grande solução, e a “prova” de que tens ou vais ter uma relação íntima espectacular, está dentro de ti. É a tua personalidade. E é a tua capacidade de criar opções e de fazer uma selecção consciente do teu parceiro.

E se já estás numa relação íntima que te deixa satisfeito, então experiencia-a ao máximo no momento presente e aproveita-a bem. Não percas tempo a pensar que o casamento é a “peça” que falta na relação... porque não falta “peça” nenhuma.

A “peça” é a relação íntima em si. És tu e o teu parceiro. Porque ambos já têm valor. Sempre tiveram, têm e sempre terão valor.


Segue o que Amas,
Pedro C.