AMOR

"Ensina só Amor, pois é isso que tu és"

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

"A Verdade Sobre o Casamento, Atracção, Relações e Intimidade"

"A Verdade Sobre o Casamento, Atracção, Relações e Intimidade"



Se estás a pensar em casar-te, ou já és casado, então este é daqueles textos que tens MESMO de ler.

Pois hoje vou falar-te acerca da Verdade por detrás do casamento, e sobre como ele se afecta a qualidade da relação íntima e a atracção que existe (ou não) entre os parceiros.

Estás pronto?

Casamento é apenas um título... logo é irrelevante para a qualidade da relação íntima.

Se dois seres humanos estão numa relação íntima, o que vai definir a qualidade dessa relação é sempre e apenas a personalidade dos parceiros.

É o seu nível de consciência, qualidades e valores... nunca um título exterior como o casamento.

Casar-se nunca vai tornar uma relação melhor ou provar seja o que for. Casar-se não garante nada.

A única coisa que pode tornar uma relação íntima melhor é a evolução pessoal dos parceiros... nada mais. A qualidade das nossas experiências nada tem a ver com as circunstâncias aleatórias do exterior... apenas com o nosso interior. Ou seja, a nossa personalidade.

Pois é através dela que criamos a nossa Vida e é através dela que lidamos com as circunstâncias aleatórias do exterior.

É sempre tudo uma questão de nível de consciência, qualidades e valores.

O casamento é então um mero título exterior. Estar-se casado é um mero título exterior. Tal como ser-se modelo, popstar, rockstar, VIP, estrela de cinema, etc.

É apenas uma catalogação da sociedade. Isto não quer dizer que é bom ou mau... quer apenas dizer que nada mais é do que uma palavra.

Claro que é uma palavra com significado... é uma palavra que representa algo, que significa algo.

E sabes qual é a única entidade em todo o Universo que apenas vive através do significado das coisas e das palavras?

O nosso amigo ego humano =)

Hey, por alguma razão nós somos o único animal neste planeta que se casa: é porque somos o único animal que tem ego.

Se pensares bem, vais descobrir que as bases do casamento são de facto a validação e a insegurança.

Repara bem nisto:

Muitos seres humanos (nem todos) pensam que estar casado demonstra à sociedade que eles têm valor. Porque estar casado significa que há alguém do sexo oposto que está interessado neles e que gosta deles.

Ou seja, que eles têm valor suficiente para serem desejados por alguém e para estarem casados com alguém.

O que é uma grande treta.

Porque todos os seres humanos têm valor, e têm exactamente o mesmo valor.

Estar casado ou não estar casado é igual. Tem-se valor à mesma, e tem-se o mesmo valor. E não se tem pouco ou muito valor, tem-se valor. Todos têm o mesmo valor.

Por isso casar não é a grande salvação que vai ajudar alguém a desenvolver auto-estima.

Achas mesmo que uma cena de metal à volta do dedo vai fazer alguma diferença na vida de alguém?

Claro que não. Talvez lhe dê validação e lhe alimente o ego... mas e depois? Auto-estima nem ver, e depois qual é a qualidade real do casamento? Tem qualidade? Satisfaz os dois? Estimula os dois todos os dias? Há atracção, intimidade e divertimento? Há fascínio, entusiasmo e humor? Há partilha e compaixão?

Se sim, então óptimo. Se não, então essa relação só existe por falta de opções, baixa auto-estima, insegurança e busca por validação.

Ah, e também busca por algum prazer físico... não sei se percebes o que eu quero dizer.

Portanto casamento é apenas uma forma de validação.

“Ele/a está casado, logo deve ter algum valor como parceiro íntimo”.

E certamente já ouviste comentários do género:

“O quê, ele/ela ainda é solteiro/a? Aaah... coitado/a!”

Ou então:

“O quê, ele/ela ainda é solteiro/a? Alguma coisa de errado se passa com ele/a para ainda não ter encontrado alguém”.

Sinceramente, isto faz algum sentido?

Claro que não. Como se não estar casado fosse uma prova e demonstração de baixo valor ou de não valor. Isso é ridículo.

O que isto faz é fazer as pessoas acreditar que há algo de errado em ser-se solteira/o. Não há nada de errado em ser-se solteirona, nem solteiro, nem casado... isso não é prova do nosso baixo valor. Nós temos sempre valor.

Se não estás numa relação íntima com ninguém isso não demonstra que não tens valor. É irrelevante. Tu tens valor mesmo sendo solteiro.

E se estás numa relação íntima com alguém, então já estás comprometido. Já tens uma ligação emocional e já tens intimidade. Não há mais nada a acrescentar. Casares-te não vai acrescentar nada à relação. Não a vai salvar nem melhorar. Vai ficar tudo na mesma porque são as vossas personalidades que a criam, não é um título exterior, uma palavra, que define a qualidade da relação e dos momentos em que estão juntos.

Não fiques preocupada porque a “coisa nunca mais avança para o casamento” ou “ele não fala em casamento”.

Porque casamento não tem nada a ver com ele gostar realmente de ti ou não. Não é por ele (ou ela) querer casar-se contigo que prova que realmente te ama ou gosta de ti.

Isso é algo que se demonstra SEMPRE que se está com a pessoa. SEMPRE. Todas as vezes, todos os momentos. E chama-se a isso Compaixão.

Casamento é irrelevante. O casamento não é “a felicidade” nem a grande solução... é apenas um título e uma forma de validação.

E se pensares bem no evento que é um casamento... todos os amigos e familiares a assitir (dar atenção), e a noiva com um belo vestido branco enorme (para dar nas vistas).

E depois, desde quando é que troca de texto, mostrar roupa e tirar fotos se tornaram mais importantes do que o que realmente nos mantém VIVOS? Tipo... comida!

É que sem comida é um pouco complicado estar vivo... mas num casamento isso é completamente negligenciado. Pensa bem: ao fim da manhã assistes à cerimónia, e depois com tudo o resto mais a eterna sessão de fotos, almoças lá para as 16h, 16h30.

Fotos: bocados de papel com tinta. Para recordar o dia mais importante das suas vidas: o dia de casamento.

Hey, TODOS os dias são o dia mais importante das nossas Vidas. TODOS sem excepção. A Vida é vivida no momento presente, no presente, no agora, e todos os segundos são valiosos pois são segundos em que estamos vivos a experienciar Existência.

E depois fotos... para quê? Para olhar para elas e recordar? Para viver através de memórias do passado? Enquanto se ignora e negligencia o momento presente...?

A qualidade da tua vida depende apenas daquilo que experiencias e sentes no momento presente. Se lhe viras as costas estás a assinar um contracto de aleatoriedade no qual vais depois sentir mais coisas negativas (problemas) do que positivas (realização pessoal).

Por isso cuidado com o “vício” das fotos e de querer registar tudo e mais alguma coisa em vez de as experienciar na sua totalidade, em vez de estar presente e viver fora da cabeça no momento presente.

Fotos não têm mal nenhum, mas na Realidade são apenas bocados de papel com tinta. E viver através de memórias vai-te prejudicar mais do que beneficiar.

E hey, nós temos uma coisa chamada memória (que até pode ser treinada e desenvolvida), não precisamos de fotos para nos recordarmos de momentos bons e positivos que passámos ;)

E depois usam-se alianças como se fossem alguma medalha...

“Hey, olha para o meu dedo! Há alguém do sexo oposto que gosta de mim! Vês? Eu também tenho valor, dá-me atenção e validação!”

= )

Ou será que usam as alianças como... algemas...?

Sim, porque o segundo ingrediente do casamento é a insegurança.

Repara bem:

“Até que a morte nos separe...”

Hã?! O_O

É que a tradução disto na Verdade é:

“Vais ser a minha fonte de validação até morreres...”

O casamento é na Verdade uma “prisão”.

Porque independentemente da “performance” e personalidade do parceiro (qualidade da relação), decide-se ficar com ele para sempre.

Para muitas pessoas isso é uma “prova de amor”.

Treta.

Amor é algo que cada um de nós sente dentro de nós, estando com alguém ou não. Logo não é algo que se dá ou se vai buscar ao exterior (como validação).

E se está dentro de nós então há também amor por nós próprios... logo há auto-estima e auto-respeito. E se há auto-respeito não se vai estar numa relação que destrói a qualidade da nossa vida. Aceita-se apenas o melhor para nós e nunca menos do que isso.

Porque gostarmos de nós próprios não significa acharmo-nos melhores do que os outros. Não significa não gostar dos outros. Aliás, gostarmos de nós próprios e respeitarmo-nos é o que nos vais permitir realmente gostar dos outros e respeitá-los, porque temos essas emoções dentro de nós, logo vivemos através delas e lidamos com os outros através delas.

Se alguém precisa de validação constante (baixa auto-estima = ego a controlar a pessoa e a sua vida) a solução não é arranjar uma fonte de validação constante “até que a morte a separe dela”...

É libertar-se do ego, desenvolver auto-estima e deixar de precisar de obter validação. Não é uma relação com outro ser humano que nos vai “salvar”... é a relação que temos com nós próprios.

O casamento é então uma forma de “prender” um parceiro ao outro, para não fazer com que nenhum dos dois perca a sua “única e preciosa” fonte de validação.

E depois usam-se as tais alianças para afastar do parceiro qualquer curioso ou interessado que possa “roubar” a sua fonte de validação.

“Hey, eu tenho aliança, logo estou ‘ocupado’. Afasta-te!”

Medo de perder a outra pessoa... medo de perder o parceiro.

E há quem diga que é porque gosta muito dele, logo não o quer perder.

Pois... isso é muito giro mas medo é uma emoção negativa, e gostar é uma emoção positiva. Não vejo a relação entre ambos... e de uma emoção positiva nunca vem uma emoção negativa, vêm mais emoções positivas.

Portanto o que realmente se passa aqui é que a pessoa tem medo de perder a sua fonte de validação. Neste caso ela não gosta do parceiro, ela gosta é da validação que obtém dele.

Porque ela tem baixa auto-estima e essa validação alivia-a da insatisfação constante em que vive.

Obviamente que pode também gostar do parceiro, mas isso não tem nada a ver com ter medo de o perder porque não depende nem precisa dele (validação). Simplesmente gosta dele e dos momentos que passa com ele (auto-estima).

E outra coisa importante: eu não estou a falar de todas as pessoas que estão casadas ou que se casam. Não estou a dizer que todas são assim.

Mas em termos de insegurança a coisa não fica por aqui...

É que há muitas pessoas que se casam porque não têm opções, não sabem criar opções e têm medo de não conseguir outra oportunidade.

Elas casam-se com a primeira pessoa que demonstrar gostar delas (validação) ou com a primeira pessoa com quem conseguem ter intimidade.

E pensam algo do género:

“Hey, é melhor prendê-la/o a mim o mais rápidamente possível porque senão perco-o e depois não tenho mais ninguém, e posso ficar solteiro/a para sempre e nunca mais voltar a ter amor (tradução para este contexto: validação e/ou sexo) na vida!”

Provavelmente já deves ter ouvido dicas destas:

“Estás parvo?! Aproveita! Não te faças de esquisito! Mais vale isso que nada!!”

Esta é a típica conversa de quem vive com uma mentalidade de escassez e não sabe criar opções.

Como não consegue criar novas opções, para ele mais vale qualquer “porcaria” que apareça por acaso do que continuar sem nada.

Não é preciso ser muito inteligente para perceber que aqui não há qualquer gota de auto-respeito (auto-estima).

Mas escassez é uma ilusão...

Sai à rua e olha à tua volta... vai a um centro comercial e olha à tua volta... vai à praia e olha à tua volta... vai a uma faculdade na hora de almoço e olha à tua volta... vai a uma discoteca a partir das 2h e olha à tua volta...

Há dezenas, senão centenas de pessoas para conhecer! Centenas de potenciais amigos ou parceiros íntimos!

É preciso é fazer alguma coisa acontecer. Iniciar uma conversa, dizer qualquer coisa...

Criar momentos e ligações.

Mas isso é uma conversa que fica para outro post.

Quero que saibas que de qualquer forma eu não tenho nada contra casamentos. Não acho de forma alguma que um casamento seja uma coisa má... hey, até me posso vir a casar um dia destes.

Mas é importante que vejas o casamento pelo que ele realmente é, a Verdade. Sem tretas ou floreados... a pura Verdade.

Para que depois possas tomar uma decisão consciente em relação à tua vida amorosa.

Porque se casar fosse a grande solução ou prova de que se tem (ou vai ter) uma relação íntima espectacular, então não haveriam divórcios.

A grande solução, e a “prova” de que tens ou vais ter uma relação íntima espectacular, está dentro de ti. É a tua personalidade. E é a tua capacidade de criar opções e de fazer uma selecção consciente do teu parceiro.

E se já estás numa relação íntima que te deixa satisfeito, então experiencia-a ao máximo no momento presente e aproveita-a bem. Não percas tempo a pensar que o casamento é a “peça” que falta na relação... porque não falta “peça” nenhuma.

A “peça” é a relação íntima em si. És tu e o teu parceiro. Porque ambos já têm valor. Sempre tiveram, têm e sempre terão valor.


Segue o que Amas,
Pedro C.

20 comentários:

não_preconceituosa disse...

ah eu ja ouvi comentarios bem desagradaveis sobre outras pessoas do genero: "encalhado" "quem é que quer akilo?" "ninguem o ker" "solteirão/solteirona" "vai ficar pa tia" entre outros

mikeb disse...

bem.. esta foi forte lol. abraço

Gonçalo Xavier disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

Olá Pedro, sou eu novamente, o Ricardo aqui do Brasil, curti teu post onde falas da tua vida, que aliás é bem parecida com a minha.
Mas eu gostaria de saber mais uma coisa, o que tu queres dizer com "validação"? O que significa realmente? Eu não sei se sei o conceito certo dessa palavra. Se puderes me ajudar, muito obrigado. Abraço e continuas assim.

Anónimo disse...

Olá Pedro, sou eu novamente, o Ricardo aqui do Brasil, curti teu post onde falas da tua vida, que aliás é bem parecida com a minha.
Mas eu gostaria de saber mais uma coisa, o que tu queres dizer com "validação"? O que significa realmente? Eu não sei se sei o conceito certo dessa palavra. Se puderes me ajudar, muito obrigado. Abraço e continuas assim.

Pedro Constantino disse...

Gonçalo Xavier:

A tua situação é bem mais simples do que parece...



O que se passa é o seguinte:



Quando decidiste lutar por ela, deste-lhe validação. Eras um rapaz a demonstrar interesse nela e alimentaste-lhe o ego.



Mas porque não havia atracção (polaridade masculino/feminino) ela não se sentia motivada a ter algo amoroso ou íntimo contigo.



Quando decidiste esquecê-la e te afastaste dela, deixaste de lhe dar validação. Rejeitaste-a... e o ego dela não gostou nada disso. Tu não fizeste nada de mal, mas é assim que o ego humano funciona. E então ela sentiu a falta da tua validação (não de ti) e tentou recuperar a sua fonte de validação (ou seja, tu. Porque demonstravas interesse nela, lutavas por ela).



A primeira "táctica" dela foi dar-te validação (dizer que gostava mesmo de ti) para ver se tu retribuías. Mas como tu mantiveste-te firme na tua decisão e não lhe deste validação, ela ficou na mesma.



Logo para não perder a sua fonte de validação ela passou à 2ª "táctica": dizer-te que afinal não gostava de ti. Ou seja, rejeitar-te e não te dar validação para ver se tu sentias a falta da validação dela e ías atrás dela. Por isso é que ficaste de rastos... o teu ego sentiu a rejeição.



E ela agora continua a tentar manipular-te para voltar a ter a tua validação e demonstração de interesse. Mas assim que tu voltares a validá-la, vais ser rejeitado. Porque ela não está interessada em ti (atracção), ela quer é obter a tua validação para sentir que saiu a ganhar na situação. Para se sentir superior e não a rejeitada.



É por isto que o ego humano é tão pateta. E atenção que eu estou apenas a falar do ego humano, não estou a dizer que ela é pateta. Uma coisa é o EGO humano, outra coisa é o SER humano.



Não há atracção e ela não quer nada de íntimo contigo... e tu pronto, afastas-te. Mas depois ela quer continuar a obter a tua validação e demonstração de interesse. Não quer nada contigo... mas quer-te por perto. Isto faz algum sentido? Claro que não. Mas não é ela, é o seu ego e a necessidade do ego de obter validação exterior. Neste caso, a tua.



Ela não fez nada de mal em ter curtido com o outro rapaz. Se ela é solteira então tem todo o direito de fazer o que quiser com quem quiser.



Agora, tu tens de a esquecer. E esquecer de vez.



Não é ignorar e dar desprezo... é esquecer. Esquecer como potencial parceira íntima ou amorosa.



E passar para outra, ou outras.



Deves é começar a criar a tua vida com intenção. Conhecer outras raparigas, sair, conviver e conversar com elas.



Isso é o que te vai realmente ajudar: criar opções e tratar todas elas com compaixão.



E pela situação que me descreveste, para não seres apenas visto e desejado como um amigo, tens de desenvolver masculinidade. Só assim é que as raparigas quando estiverem contigo vão sentir-se atraídas por ti e querer namorar contigo.



Obrigado pela tua pergunta. Lê todos os posts do blog e aplica o que leres. Sem acção não há mudança nem resultados.

Pedro Constantino disse...

Ricardo:

Eu clarifico em vários posts, de muitas formas diferentes, o que é validação.

Vai lendo posts anteriores porque a resposta à tua pergunta está em muitos deles. Lê os posts sobre o ego humano.

Aqui do lado direito tens uma secção com links das várias categorias de posts. Clica na que diz "Sobre o Ego e o Medo".

Versão super mega reduzida do que é validação:

Toda e qualquer demonstração exterior de que tens valor. Quando alguém faz ou diz algo que te demonstra que tens valor. Quando alguém te demonstra que gosta de ti. Quando alguém te dá uma opinião positiva de ti. Quando alguém te elogia. Quando alguém reage positivamente à tua presença. Tudo isto são coisas que alimentam o ego. Mas há muito mais para além disto em relação a validação. O importante é compreender que isto não tem mal nenhum em si, mas depender de validação exterior e viver a vida através dela é muito prejudicial, tanto para a própria pessoa (baixa auto-estima) como para as pessoas com quem ela cria ligações ou interage (desonestidade, manipulação, etc).

Anónimo disse...

Olá Pedro, desculpe incomodá-lo novamente, mas eu tava pensando e refletindo sobre algumas coisas.
O que tu achas que causam a falta de confiança e auto-estima num homem??? Eu tenho um passado bem parecido com o teu, onde tinha baixa auto-estima e passava mal só de chegar perto das mulheres, mas fui honesto comigo mesmo e com o tempo fiz de tudo para obter "sucesso" com as mulheres, mas dai hoje eu olho pra tráz e me pergunto porque eu era tão inseguro e cabisbaixo. Pq eu não conseguia me relacionar com as pessoas muuito menos com as mulheres. Ai percebi que um grande fator para eu ser assim foram os meus pais que contribuiram pra isso ocorrer, onde minha mãe me agrediu minha infância inteira, meu pai era um "banana" que não fazia nada por mim, minha irmã era a "favorita" familia. Enfim, tu achas que a FAMILIA é determinante para a confiança e auto-estima de um homem??? Gostaria da tua opinião.
Abraço.
Ricardo.

Pedro Constantino disse...

Ricardo:

Sem dúvida que a família tem um papel importante na criação e desenvolvimento da nossa personalidade.

Se tens uma família com baixa auto-estima, vais crescer com baixa auto-estima. Se tens uma família insegura, vais crescer inseguro. Se tens uma família desonesta, vais crescer desonesto.

Só te "escapas" à influência da família se fora dela tiveres outras influências.

Mas a família não é culpada de nada. Por muitas más coisas que façam, por muito negativa que seja a sua influência, a família são apenas seres humanos perdidos como os outros.

E o que eu quero dizer é que 96% da população humana vive presa dentro da cabeça, identificada com a mente (ego) e por causa disso vive dependente de validação tendo todo o tipo de características negativas como por exemplo baixa auto-estima, insegurança, pessimismo, carência, desonestidade, manipulação, etc.

Mas não é só a família... é toooda a sociedade. A sociedade é artificial e por isso disfuncional. As suas bases são a insegurança (busca por conforto e protecção dos "perigos" da Natureza) e caça constante por validação (através de poder, dinheiro e sexo). São as dinâmicas da mente e do ego humano.

Eu não tenho nada contra o conforto, até porque enfrentar diariamente animais selvagens 5 vezes mais pesados e fortes que eu não é das minhas actividades favoritas... mas depender disso é muito prejudicial.

Evitar desafios, medos e desconfortos criar seres humanos inseguros incapazes de arriscar e de criar as relações, ligações e vida que realmente desejam ter.

E viver preso dentro da cabeça afasta-nos do mundo real, onde a Vida de facto está, e torna-nos disfuncionais, desligados da Natureza, a correr de um lado para o outro desesperados por validação, com medo de serem rejeitados porque não sentem que têm VALOR.

É ridículo e triste. Homens e mulheres infelizes desnecessariamente. A sofrer diariamente e a sacrificar-se desnecessariamente. Com constantes desilusões amorosas e graves problemas na sua vida pessoal.

Nas centenas de perguntas que já recebi, e cada vez recebo mais, fica claro que a Realidade da maioria dos seres humanos não é lá grande coisa. Descrevem-me todo o tipo de insatisfações, relações medíocres e disfuncionais, traições, grandes inseguranças e preocupações constantes, dor e sofrimento por alguém que nem sequer as merece... é tudo desnecessário. Eu também era assim e tive o meu inferno pessoal, mas vi-me livre disso. E cada vez há mais pessoas a verem-se livres disso.

Não é só a família... é tudo à nossa volta: escola, religião, media, etc.

Porque está tudo preso dentro da cabeça, identificado com a mente (ego), e tudo o que cria é criado através disso.

Não tem mal nenhum. As pessoas têm valor à mesma... só que sofrem. E sofrem tanto que já nem acreditam que é possível ser feliz.

E depois há aqueles que ganham dinheiro, poder e sexo (validação) com a insatisfação dos outros. Claro que esses não querem que os outros rompam com a rotina de insatisfação porque senão perdem o que lhes dá validação. Perdem o que os alivia da baixa auto-estima... porque têm exactamente o mesmo problema que todos os outros.

Nós temos coisas fantásticas à nossa volta, mas a maioria dela é completamente irrelevante e dispensável. A maioria delas são meros "comprimidos" para aliviar o ser humano da baixa auto-estima e para lhe distrair a cabeça fazendo com que ele não pense na sua vida e não tome decisões certas em relação a ela.

Mas na Verdade não há ninguém para apontar o dedo... não há um culpado. Tudo isto foi criado e desenvolvido inocentemente. Há que ter compaixão, e a sociedade e cultura precisam de evoluir para um novo nível de consciência.

Estamos cá para isso.

Anónimo disse...

Valeu Pedro, valeu mesmo. O que achas de escrever um post dessas influências disfuncionais e mediocres em relação a nós?
Acho que seria legal!!!
Um abraço do brasileiro Ricardo.

filipa disse...

Olá Ricardo,
compreendo tudo o que disseste. Mas é justamente porque a formalidade não modifica a qualidade da relação que um casamento faz sentido apenas quando duas pessoas estão profundamente envolvidas uma com a outra (e se descai em vazios mais ou menos patéticos em todos os outros casos). É um ritual. Todos os dias são importantes mas os dias especiais são pontos que permitem focalizar intenções e trazer à terra qualidades da vida essencialmente emanentes.

Eu não sou casada nem me parece que seja o tipo de pessoa que alguma venha a beneficiar de um pedido de casamento. Mas na sua pureza essencial a ideia do casamento é uma ideia muito bonita. Porque para sempre é tudo. Mesmo que depois haja necessidade de um plano B ;)

Anónimo disse...

Belíssimo post, obrigado!

Podes nos falar mais de "compaixão"?

Anónimo disse...

Concordo quando tu explicas que o casamento como forma de validacao nao e legal,entendo e concordo perfeitamente mas por uma lado e triste saber que vivemos num mundo no qual a rotatividade e mobilidade entre os relacionamentos a dois e tao forte que o verdadeiro significado do casamento nao e entendido e nem visto como simbolo do amor entre dois seres humanos e so isso e so mais um simbolo do amor nao e necessidade nem validacao claro nao podemos generalizar mas prefiro a acreditar no casamento mas naquele de verdade onde cerimonias e aliancas nada mais sao do que simbolos de amor e nao de validacao.
Nos estados unidos cientistas ja estudam casais (casados)que estao juntos a 20 anos ou mais oh meu Deus!!!!tais casais estao sendo estudados cientificamentes !!!!! concordo que nao devemos ter o casamento como fonte de validacao mas precisamos de tempo ate para conseguirmos sintonia com o parceiro e ha casais que consegem tal sintonia e sao felizes e so querem dizer ao mundo hey o amor existe e verdadeiro nada de validacoes!!!!!mas claro cada um e cada um e contiuemos evoluindo....
mas eu prefiro ainda acreditar no casamento e acima de tudo como este sendo o simbolo mais supremo do amor que Deus nos convida a experenciar com alguem especial :)

Pedro Constantino disse...

A única coisa que eu pretendia expressar com este post é que a qualidade de uma relação e Amor são completamente independentes de se estar casado ou não.

Pode-se estar casado e a relação ser uma treta, assim como se pode nunca ser casado com a outra pessoa e ficar-se com ela para o resto da vida e a relação ser extraordinária.

Até porque Amor não tem nada a ver com casamentos, é um nível de consciência, não e algo que se tem com alguém do sexo oposto. Exige evolução espiritual, desenvolvimento de consciência, transcender o ego e o corpo, etc.

Símbolos não têm mal nenhum mas também não garantem nada. O que garante as coisas são as nossas decisões, como nos tratamos e como tratamos os outros. Há muita mulher casada que é vítima de violência doméstica... há símbolo mas a relação é uma treta. Há muito homem casado que é traído pela mulher... há símbolo mas a relação é uma treta.

O que importa é a ligação que se tem com a pessoa e não símbolos de validação. E há muitas pessoas que vivem na ilusão de que só porque um ser humano se quer casar com elas, que de facto gosta delas e que a relação vai ser espectacular. Mas a Verdade é que não garante nada. O parceiro pode ser um manipulador desonesto casado, nada mais.

As pessoas deviam prestar mais atenção à criação e desenvolvimento da ligação que têm com o seu parceiro, em criar momentos fantásticos com ele, tendo verdadeiro fascínio e consideração por ele, contribuindo para a sua vida... e menos em bengalas superficiais, símbolos de validação e esquemas. Porque esses não garantem nada, e para quem quer de facto criar uma vida amorosa extraordinária, a sua atenção deve estar centrada primeiro noutras coisas. Se depois se casa ou não, tudo bem. Não há nada de errado no casamento - desde que seja uma decisão consciente pelas razões certas (selecção consciente), e não uma reacção ao vazio interior e à carência pessoal.

Hugo Roque disse...

Pedro, acho muito bem que se fale sobre este assunto do hhammmhhaaammm "casamento" para dizer com toda a clareza que aqueles que criticam quem não é casado são precisamente aqueles que se sentem frustrados no casamento, aqueles que apesar de estarem fartos do cônjuge não têm capacidade de libertar-se e de enfrentar a sua solidão e querem à viva força que outros façam as suas asneiras para sentirem que o estilo de vida que escolheram não é tão mau assim, para não terem de admitir que não conseguiram resistir à pressão familiar e social e que, no fundo, vivem para agradar aos outros e não a si próprios...
Sobre este tema aqui vai um fantástico vídeo de alguém nunca deixou para o dia seguinte aquilo que poderia ter dito no momento

http://www.youtube.com/watch?v=5ocbZhRQS9I&feature=PlayList&p=EA0A225584517DB9&index=2

Grande abraço

Pedro Constantino disse...

Obrigado pelo teu comentário Hugo. Apesar de se poder aprender vários princípios espirituais com o Osho, e assim evoluir espiritualmente, é importante ter em atenção isto:

Assim que o repórter lhe pergunta se ele já esteve perto de se casar, ele responde-lhe: "Eu sempre estive CONTRA o casamento desde o início".

E se prestares atenção aos discursos do Osho, ele é CONTRA muita coisa. Estar CONTRA algo não é reconhecer que TUDO tem o seu VALOR e importância, que tudo tem a sua percentagem de Verdade, e que tudo faz uma pequena ou grande contribuição à sua maneira.

A ideia não é estar contra algo, mas perceber o que está certo e errado em cada algo, e extrair o que está certo para se poder integrar nas nossas vidas, Ser, e podermos tomar decisões cada vez mais Conscientes, com cada vez mais Compaixão e consideração por nós, pelos outros e pelo Todo.

Portanto estar contra o casamento é uma posição do ego. A ideia não é estar contra o casamento, é vê-lo pelo que ele realmente é, sem ódio, e assim poder-se depois tomar uma decisão mais Consciente e acertada em relação a ele.

O ego facilmente cria uma equipa chamada "espiritualidade" que está contra tudo o que não seja espiritualidade. E é fácil perceber que isso nada tem a ver com Verdadeira espiritualidade. A evolução é integral, nenhuma dimensão é menos importante que a outra. O mundo material não é inferior ao que é espiritual, nem é um monte de lixo sem valor. Um sem o outro são incompletos, pois material sem espiritual dá sempre em sofrimento, e espiritual sem material dá sempre em falta de contribuição, pois não estamos no mundo com os outros seres humanos. Não há nada de errado em só se ter um ou o outro, mas é incompleto em termos de evolução e existência.

Agora, o Osho é claro um mestre espiritual fantástico através de quem podes aprender grandes princípios espirituais. Mas cuidado com as atitudes do "Sou CONTRA...". Aceitar o Todo não é deixar de parte algumas coisas que nos incomodam... é ver a pequena ou grande Verdade que há em todas as partes, e saber largar o que em cada parte não faz uma contribuição útil. E saber largar não é julgar, odiar e estar contra.

Hugo Roque disse...

Bom dia Pedro!

Quero agradecer também por teres aceite o meu comentário e pela tua resposta construtiva a um comentário meu que não foi tão construtivo assim como eu gostaria que tivesse sido.

É verdade que a minha hostilidade em relação à noção de casamento é grande e que essa hostilidade tem mais a ver com meterem-se na minha vida, nomeadamente, família e amigos do que propriamente com o facto de o casamento existir. É óbvio que se este tipo de formalismo existe, está ao alcance de quem queira e possa aceder-lhe e cada um é livre de tomar as suas decisões. Mas, no meu ponto de vista, a liberdade de cada um acaba no ponto onde começa a liberdade dos outros. E, normalmente, quem é casado não se contenta em fazê-lo e usufruir dessa liberdade, como também tenta interferir na liberdade de quem não quer fazê-lo. Eu quando digo que sou contra o casamento digo apenas que sou contra a ideia de me casar e contra o facto de me sentir pressionado a fazê-lo por parte de quem me rodeia, tentando explorar a eventual culpa ou sentimento de falta de valor que eu possa sentir pelo facto de, há muito tempo, ter tomado a posição de não casar. Considero que o casamento é um formalismo que se limita a diminuir a capacidade de alguém se libertar de uma relação com a qual se sinta insatisfeito. Toda a gente sabe que é muito mais difícil libertarmo-nos de uma relação quando à volta dela se criaram estruturas sociais fortíssimas como sejam familiares de ambas as partes que, entretanto criaram ligações, bem como, todo um rol de amigos comuns, relações essas que se sentem ameaçadas caso algum dos parceiros decida separar-se e seguir com a sua vida, resistindo a essa tentativa. Depois, há todo um conjunto de complicados processos burocráticos associados ao divórcio, por vezes com filhos que sofrem profundamente devido a um casamento sem amor (e que, já agora, devido a essa falta de amor nem sequer nunca deveriam ter sido concebidos; a vida tal como está já é suficientemente difícil de suportar mesmo com amor quanto mais sem ele) por parte dos seus pais e que voltam a sofrer mais tarde por um processo de separação que é, muitas vezes, doloroso. Ora, se este tipo de situações for multiplicado por muitos casos, vemos bem o peso que o casamento ocupa em termos de sofrimento social e o quanto contribui para o mal-estar da sociedade. Penso que o principal problema do casamento é, precisamente, o facto de constituir um obstáculo à decisão que alguém possa tomar de querer separar-se no caso de a relação não estar a correr bem. Claro que toda a opinião que possa existir se baseia em valores e o meu valor principal é o da liberdade de opção que me leva a não aceitar com agrado qualquer tipo de estrutura que se oponha a essa liberdade ainda para mais quando não é obrigatório incorporá-la na minha vida.

Mas volto a referir que quem opta por casar-se tem toda a liberdade para fazê-lo...cada um deve viver e deixar os outros viver!

Grande abraço e continuação de um óptimo trabalho!

Pedro Constantino disse...

Hey Hugo, tudo fixe?

Eu não acho que o teu comentário tenha sido pouco construtivo. O que disseste nele é verdade.

Quando falei no estar contra estava a falar dessa atitude no geral, não de ti. Não senti que estivesses contra o casamento, falei nisso mais por causa do vídeo do Osho.

Mais uma vez tens razão, e não te tens de casar. É opcional e cada um é livre de se casar ou não. A questão nunca é "o que é certo fazer? Casar ou não casar? O que é melhor?", mas sim ver o casamento conscientemente pelo que ele realmente é. Depois cada um faz o que bem entender, é importante é que não se ande enganada atrás de ilusões e idealizações que nada têm a ver com a realidade.

Mas obrigado por teres partilhado a tua visão acertada sobre o tema. Infelizmente há muitas pessoas que acham que quem não se casa tem baixo valor, ou que há algo de errado com essa pessoa, e pressiona, tenta manipulá-la para esta se casar, quando ela é 100% livre de se casar ou não, e estar casado ou não estar não significa nada.

E é verdade, o casamento tira liberdade em termos de acabar uma relação insatisfatória pois coloca muitos obstáculos. Muitas vezes é apenas uma espécie de prisão desnecessária pintada de cor-de-rosa...

Letícia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Joyanara Ferreira disse...

Este post caiu com uma luva para minha situação, pois estou pasando por uma separação muito dolorosa, mas confesso que meu casamento foi um inferno, para ambos, mas tentamos muito por causa do nosso filho. Confesso que sonhei em casar para vida inteira, mas nós dois não tivemos a maturidade necessária para conduzi-lo. Porém, ainda acredito co casamento, na família e ainda espero encontrar alguém para compartilhar o restante da vida não porque quero validação, mas sim porque desejo encontrar um parceiro com quem possa do partilhar a vida, mas dessa vez serei muito mais seletiva e quero realmente evoluir como pessoa.