terça-feira, 29 de julho de 2008

"Os 3 Maiores Problemas Das Relações Íntimas"

Hoje vou-te falar acerca de quais são os 3 maiores problemas das relações íntimas de hoje em dia.

Ou seja, quais são as 3 principais razões pelas quais a grande maioria das relações íntimas de hoje em dia acabam.


Ou porque são insatisfatórias, uma seca, uma carga de trabalhos, um problema, ou simplesmente algo que causa mais emoções negativas do que positivas (prazer, satisfação, estimulação, excitação, paz, atracção, motivação, inspiração, entusiasmo, fascínio, etc).

O primeiro grande problema está na forma como o ser humano actual (nem todos) vê uma relação íntima.

A maioria dos seres humanos vêem uma relação íntima como uma espécie de supermercado ao qual se vai buscar aquilo de que se precisa.

A causa disto é o nosso amigo ego humano. Porque ele traz baixa auto-estima, e com a baixa auto-estima vem aquela sensação do vazio interior que se tem de preencher.

Então os seres humanos andam de um lado para o outro desesperados a tentar preencher esse vazio... como uma fome que lhes corroi o estômago.

Vivem então segundo uma atitude de obter. Obter aquilo que precisam para preencher o vazio que sentem.

Ou seja, obter validação.

E há muitas formas de se obter validação... pode ser através de atenção, companhia, ajuda, favores, prendas, apoio, etc.

Ou seja, precisamente aquilo que é “suposto” um parceiro amoroso dar.

É óbvio que isto nunca vai lá dar grande resultado... porque uma relação íntima tem a ver com PARTILHA e COMPAIXÃO.

Não tem naaada a ver com OBTER VALIDAÇÃO.

Infelizmente ninguém nos ensina isto na escola... mas quando se sente o tal vazio interior que nos tortura, a solução não está em (tentar) preenchê-lo com a energia dos outros (validação).

A solução está em desenvolvermos auto-estima e vermo-nos livres desse vazio que nada mais é uma ilusão criada pela mente humana.

Não há vazio nenhum. Todos temos valor e o mesmo valor. Logo não há necessidade nenhuma de se ter de ir buscar esse valor fora de nós. Ele já está dentro de nós... e sempre esteve. Só o nosso amigo ego é que nos faz duvidar disso.

Portanto estas pessoas vêem as relações íntimas como negócios de validação:

“Eu dou-te validação e tu em troca dás-me também validação. E se não deres validação és má pessoa e não prestas”.

O toque final de manipulação do ego humano é sempre bestial não é? ;)

Estas pessoas entram então nas relações íntimas para obterem validação (e chamam a isso “obter amor”, mas não tem nada a ver).

Claro que este tipo de relação nunca irá resultar a longo prazo nem ser verdadeiramente satisfatória, pois uma relação íntima vive de partilha e compaixão (entre outras coisas), e não da atitude de obter validação.

E obter não tem nada a ver com partilhar...

Não tem mal nenhum querer-se preencher o vazio e obter amor (tradução: obter validação). Mas isso é uma tentativa constante de criar bem estar interior que nunca chega a lado nenhum. É um beco sem saída.

Tentar alimentar o ego é como tentar encher um saco com o fundo roto.

E durante essa tentativa de preencher o vazio e de obter validação, as pessoas têm comportamentos disfuncionais e manipuladores que NADA têm a ver com compaixão, e que jamais vão criar uma relação íntima de qualidade.

O segundo problema é a maioria das pessoas (nem todas) começarem as relações ao acaso sem haver o mínimo de selecção consciente.

O resultado disto?

As relações nunca durarem lá muito tempo, haver traições e outros tipos de desonestidade e abusos, e estar-se prisioneiro numa relação íntima medíocre que nos suga toda a energia vital e motivação perante a vida.

Porque é que não há selecção consciente?

Porque não há auto-respeito.

Porque é que não há auto-respeito?

Porque não há auto-estima.

Porque é que não há auto-estima?

Egooooooooooooooooo! =)

Mas para dar outro nome à situação, senão torna-se repetitivo:

Porque há identificação com a mente humana. Mas tu não és a tua mente. Tu não és um cérebro. Tu não és um bloco de massa cinzenta. Tu és muito mais do que isso... tu és energia e consciência.

Este problema de não haver selecção está ligado ao primeiro problema da validação.

Porque assim que esse tipo de pessoa se apercebe que vai obter validação de alguém, ela escolhe-a logo e começa uma relação íntima.

O único factor de selecção é este:

“Será que vou obter validação desta pessoa? Será que vou obter aquilo de que preciso?”

Se a resposta for sim, então está escolhida sem hesitar e sem se pensar duas vezes.

Se a resposta for não, então a pessoa é rotulada de má pessoa e criticada.

Brutal não é?

E se reparaste, as questões acima não têm lá muito a ver com VERDADEIRA selecção:

“Será que esta pessoa me merece? Será que ela tem auto-estima? Será que ela tem valores? Será que ela é honesta? Como será conviver com ela regularmente?”

O amor não cega as pessoas, bem pelo contrário. Porque quando há amor, tu amas-te a ti próprio, tens compaixão e vives consciente. Tens auto-estima e auto-respeito, logo tens uma visão como quase nenhum outro ser humano tem.

O que cega as pessoas é a necessidade de validação.

Lembra-te bem disso.

A necessidade de validação faz o ser humano entrar numa relação íntima com alguém com quem esteve apenas algumas horas ou dias.

Certamente conheces pessoas, ou já ouviste falar de pessoas que começaram a andar apenas dias depois de se conhecerem, ou mais espectacular ainda: logo a seguir ao 1º encontro que tiveram... apenas horas depois de se conhecerem.

E depois admiram-se e questionam-se: “Mas porque é que as minhas relações nunca resultam...?”

Bem, eu vou dar uma pequena pista:

Porque não houve selecção consciente. Entrou-se ao calhas na relação sem se conhecer bem o parceiro.

O resultado foi deixado ao calhas como se intimidade tivesse alguma coisa a ver com o totobola.

“Talvez desta vez resulte... talvez ele/ela seja a pessoa certa...”

O que o nosso amigo “talvez” traz é uma graaande probabilidade de teres sido completamente manipulado com migalhas de validação, e entrares numa relação íntima com uma pessoa que não te merece, que te usa, que te trai, que te mente, que não te estimula de forma alguma, que te faz sentir mal, que abusa de ti, que te mal trata, que contribui para a insatisfação e falta de motivação que sentes na tua vida pessoal, que não te permite evoluir, que te sufoca, que não te deixa fazer as coisas que realmente queres e gostas de fazer, etc.

Ter uma relação íntima medíocre com tudo o que referi acima é muito fácil:

Não sejas selectivo, não tenhas auto-respeito, procura apenas obter validação e vai apenas atrás de quem te dá validação.

E se por acaso... seee por acaso, quiseres ter uma relação íntima de qualidade que realmente te satisfaça, com um parceiro que te fascine e não um que não te estimule, com quem discutes constantemente, que não te atrai ou excita, e que só de vez em quando é que de facto acontece qualquer coisita boa...

Então sê selectivo. Tem auto-respeito. Aceita apenas o melhor para ti e nunca menos do que isso. Procura descobrir se as pessoas te merecem e não se apenas te vão dar validação ou não... porque quem dá validação muitas vezes dá apenas com a intenção de logo a seguir obtê-la. É um negócio... é uma espécie de pedido de esmola emocional.

Procura descobrir a Verdade sobre as pessoas. Será que elas têm valores? Que qualidades é que elas têm? Auto-Estima? Honestidade? São positivas? Íntegras? Têm compaixão?

Esse tipo de coisas.

E se por acaso alguém te disser:

“Assim ainda acabas sozinho...”

Tem muita compaixão por essa pessoa, ela se calhar até te está a tentar ajudar.

Mas a verdade é que nunca estarás sozinho. Há milhares de pessoas a viver assim. Selectivas. E que têm os valores e qualidades que procuras.

Elas são uma minoria, é verdade. Mas são muitas... e para teres uma relação íntima de qualidade só precisas de UMA dessas pessoas.

O que acontece é que enquanto és selectivo tens também de andar a conhecer pessoas novas regularmente, e a criar ligações com as que te merecerem.

Só ficas sozinho se ficares parado e não andares a conhecer mais pessoas. E para as conheceres tens a internet, tens qualquer local público, qualquer evento social, qualquer festa, tens o speed dating, etc.

Tens é de te mexer e criar opções.

O que nunca podes fazer na vida é negligenciar o teu auto-respeito. Nunca. Tens de te manter firme no teu caminho, sem nunca vacilar... nem que para isso até haja um período da tua vida em que tenhas de estar sozinho. Tal como eu tive de estar.

O terceiro e último problema é a nossa amiga insegurança.

A maioria das relações íntima de hoje em dia vivem assombradas pelo monstro verde da insegurança.

Medo.

Receio.

De quê?

De perder a fonte de validação, ou seja, o parceiro.

Esta insegurança nada tem a ver com a relação íntima em si. Tem a ver com a personalidade dos parceiros (ou de apenas um deles).

Pessoas inseguras numa relação íntima dá seeempre mau resultado.

A causa disto é claro a zona de conforto na qual a maioria dos seres humanos vivem, juntamente com viverem presos dentro da cabeça, através de pensamentos e do significado das coisas, e não através da Realidade.

Imaginam um resultado negativo... e depois ficam com medo.

Como se algum animal selvagem estivesse a correr na sua direcção para os atacar... mas não está. Muitas vezes este medo e insegurança surge quando estão confortavelmente sentados em casa no sofá, está tudo bem à sua volta, mas põem-se a pensar em coisas do género:

“O que será que ele/ela está a fazer? Onde é que ele/ela estará? Com quem estará? Será que me está a trair? Será que ainda gosta de mim? Será que me vai abandonar? Será que me vai abandonar e magoar? Porque é que ainda não me disse nada hoje?”

Será, será, será, será... tudo dúvidas desnecessárias criadas pela mente humana, neste contexto claro.

Esta insegurança é o que traz os seguintes comportamentos:

Controlo, possessividade, ciúmes, dependência, proibições, sufoco, perseguição, etc.

Quanto a ti não sei, mas isto tudo para mim é obviamente e extremamente repelente. Tipo comida estragada... ;)

E se pensas que coisas como ciúmes ou medo de perder alguém vêm do facto de se gostar da pessoa... então pensa outra vez.

Essas coisas surgem de uma emoção negativa.

Ciúmes = “Hey, ele/ela não me está a validar e está a validar outra pessoa! Ele/ela é a MINHA fonte de validação e estou-me a sentir inferiorizada/o com esta treta!! Tenho de acabar com esta situação antes que o meu ego exploda!!”

Como deves ter reparado não há nada neste discurso que tenha a ver com amor, liberdade e compaixão, ou outras emoções positivas do género.

Com o medo de se perder alguém passa-se a mesma coisa.

Não é impossível ter-se uma relação íntima de qualidade. O que é impossível é ter-se uma relação íntima de qualidade quando ainda nos identificamos com a mente humana e vivemos através do ego.

Depois de te libertares do ego e de deixares de depender de validação, um novo universo de possibilidades surge diante dos teus olhos. Literalmente.

Porque tu tens valor, e vais começar a viver através desse valor. E é aí que a magia começa.

Perguntas:

CoolVibesClub@hotmail.com

5 comentários:

Márcia Monteiro disse...

gostava de falar ctg um dia... ja adicionei o teu email ao msn mas julgo que nao utilizes esse email para o msn porque nunca te apanhei on line... lol... gosto muito do que escreves e partilho contigo o gosto pelas relações, desenvolvimento pessoal...embora me tenha instruido em alguns livros sinto que não sei muito, sei apenas um pouco mais do que antigamente... e continuo a procura da relação harmoniosa... não digo perfeita porque nao acredito na perfeição dos seres humanos...

bem... se leres este comentário e me deres o prazer de falar ctg um dia, é so deixares um coment no meu blog.


****


márcia

Livre disse...

Boa tarde Pedro,esse tópico é bastante interessante e reflexivo,fez com que eu pensasse sobre várias atitudes que eu cometir com os meus relacionamentos do passado...Amei...Um grande beijo no seu coração...

just me disse...

Em relação ao "ainda acabas sozinho", já me disseram que "quem muito escolhe pouco acerta", eu nem liguei pois sei que não estavam a falar da verdadeira selecção.

Pedro Constantino disse...

Livre:

Obrigado pelo teu comentário. Ainda bem que este post te ajudou.

Um grande beijo para ti também!

Pedro Constantino disse...

JustMe:

Fizeste bem. Essas dicas são de quem na verdade não sabe seleccionar. Tem o mesmo nível de Consciência de todas as outras pessoas e vê ser-se selectivo como sinónimo de ser-se um indeciso. O que não tem nada a ver...

Se sabes o que procuras e sabes reconhecê-lo quando ele aparece, então quanto mais selectivo fores melhor. As maioria das pessoas não compreendem isto porque sem se aperceberem é o seu ego que controla completamente a sua vida, e a única selecção que elas fazem é: "Será que vou obter validação desta pessoa ou não?"

O ego só quer validação, mesmo que se tenha de desrespeitar para a obter, ou tenha de prejudicar alguém para a obter. E qualquer pessoa consegue perceber que neste tipo de atitude não há qualquer migalha de auto-estima ou compaixão.

Obter, obter, obter... e obter o mais rapidamente possível. Logo ser-se selectivo é um obstáculo no entender destas pessoas. Porque quando se é selectivo, selectivo a sério - Selecção Consciente - coloca-se numa posição em que se é criticado e incompreendido (reacções negativas)... e isso para o ego é uma chatice do caraças porque não está a obter validação (reacções positivas).

"Quem muito escolhe pouco acerta" é do género:

Se és muito esquesito com o que encontras então vais acabar sem nada. E mais vale obter algo do que ficar sem nada. Por isso não te faças de esquesito.

E o que se encontra, tem de facto qualidade ou não?

Merece-nos ou não?

Tem valores ou não?

Tem auto-estima ou não?

Quando sabes do que andas à procura e sabes reconhecê-lo ao o encontrar, estás no caminho certo. Porque é assim que vais criar a vida e relações (intimidade/amizade) que vão contribuir para a tua realização pessoal.

Aceitar pessoas ao calhas na tua vida apenas porque elas te deram validação é o que depois cria relações íntimas disfuncionais e todo o tipo de problemas, dramas e intrigas. Porque se está apenas a olhar para a validação que se está a obter e não para o ser humano que está à nossa frente.