quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

“Dinâmicas da Manipulação: Como Não Ser Controlado”



Dinâmicas da Manipulação:
Como Não Ser Controlado


Hey, bem-vindo a mais um post directamente lançado da dimensão Cool Vibes!

Hoje vou-te falar sobre manipulação. Não sobre como manipular, mas sim sobre como não ser manipulado.

A minha intenção é partilhar contigo informação essencial que te possa ajudar a evitar ser controlado, usado e magoado por manipuladores.

Não é a primeira vez que falo sobre este tema aqui, e é possível que não seja a última. Desta vez vou tocar em pontos que não toquei no áudio Os 4 Tipos de Manipulador. Vou-me repetir um pouco, mas vou principalmente falar de aspectos novos importantes.

Então o que é um manipulador?

Um manipulador é alguém que quer controlar ou magoar outra pessoa. A estratégia é escondida, têm sempre segundas intenções (a sua comunicação não é sincera, os seus actos não são sinceros – é um lobo em pele de ovelha), e o objectivo é provocar na outra pessoa a emoção que a levará a ter o comportamento que o manipulador quer, ou que o manipulador acha que a vai ferir de alguma forma (fisicamente, emocionalmente, psicologicamente ou até espiritualmente).

Que tipo de pessoas são manipuladores?

Geralmente são narcisistas, sociopatas ou psicopatas. Todos do lindo clube recreativo do ego, não-íntegros e associados. Alerto que estou apenas a falar de manipuladores crónicos, cujo estilo de vida é manipular.

As crianças manipulam os pais, assim como todos nós já manipulamos um pouco na vida, mas isso é diferente, e regra geral inofensivo.

Eu estou a falar de pessoas claramente tóxicas, que podem até sofrer de alguma patologia. A intenção deste post não é para os julgares ou odiares, mas sim para que mais facilmente e rapidamente os possas identificar, para os evitares e rejeitares. Porquê? Porque estes manipuladores crónicos são pessoas tóxicas, negativas, não querem saber de ti para nada, não querem saber como te fazem sentir (na melhor das hipóteses querem saber se conseguem fazer-te sentir mal), e apenas te querem prejudicar e impedir de ser feliz. Não é saudável nem inteligente ter qualquer tipo de relação ou interacção com este tipo de pessoa. Eles não mudam, podem fingir mudar inicialmente para não serem rejeitados e não perderem a tua validação (ou outra coisa qualquer que andem a ganhar através de ti), mas passado pouco tempo vão voltar às atitudes manipuladoras. De certa forma é como evitar um local poluído, ou comer algo estragado. Se queres ser feliz, e se queres que a tua vida corra o melhor possível, tens de ter auto-respeito (amor por ti próprio) e evitar/rejeitar estes manipuladores crónicos o mais rápido e cedo possível.

O que motiva um manipulador? Qual é o objectivo da sua manipulação?

Regra geral eles querem sentir que têm poder sobre ti. Poder sobre o que sentes, pensas e fazes. Querem sentir que te conseguem afectar de alguma forma, e isto pode vir de terem a necessidade de sentirem que são relevantes e que têm valor. Para além disto, clássicamente há 4 objectivos:

  • Obter a tua atenção;
  • Levar-te a fazer algo que ele quer que faças (ou continuar a fazer algo);
  • Impedir-te de fazer algo que ele não quer que faças (ou levar-te a parar de fazer algo);
  • Fazer-te sentir mal contigo próprio, ou magoar-te de alguma forma.


E como alcança um manipulador estes objectivos?

As estratégias são várias, assim como os tipos de manipulador. Como já referi a sua comunicação não é sincera e esconde sempre segundas intenções. O manipulador não quer saber do que é verdade, nem de factos, testemunhas ou provas. Ele distorce informação, retirando partes desta de contexto, editando, omitindo detalhes importantes, exagerando outros, misturando coisas que não têm nada a ver, usando opiniões emocionalizadas, meias verdades, mentindo, usando aquilo que não dá para provar, não é quantificável, que é invisível (falar de emoções e intenções, por exemplo), etc. Pode por vezes usar algumas verdades secundárias só para baralhar. Ele usa o que sabe, ou acha que sabe, sobre ti, sobre como és, o que fazes, do que gostas, o que valorizas, e até as tuas imperfeições, fraquezas, erros e fragilidades, de personalidade ou aparência.

O que um manipulador nunca consegue disfarçar é a energia que está por detrás das suas palavras ou conteúdos. Portanto os seus conteúdos são sempre palha irrelevante, fazem parte da falsa aparência do que ele está a fazer. A essência do que ele está a fazer é sempre negativa e narcisista, mal intencionada, e vinda de inveja (o que leva a ódio), raiva ou arrogância, também podendo vir de outras emoções negativas, sendo a atitude de vingança também comum, mesmo que nunca tenhas feito nada a essa pessoa, e possas nem saber quem ela é. O que não faz sentido, mas bem-vindo à insanidade das ilusões do ego.

Quais são os tipos de manipulador que existem?

Existem vários. Há 4 que são os clássicos: o Intimidador, a Vítima, o Interrogador e o Indiferente.

Antes de passar aos tipos de manipulador, há uma coisa essencial a perceber: é que nenhum tipo de manipulador se fica só pelo seu tipo ou estratégia. Ele começa com o que lhe é mais familiar, ou que acha que vai resultar melhor, e se isso não funcionar, ele vai tentar outro tipo ou outra estratégia até alcançar um, ou mais, dos 4 objectivos que refiro acima. E ele vai mudar as vezes que achar necessárias, para a frente e para trás, voltando a um tipo anterior ou a uma estratégia anterior.

Um bocado melga não achas? O pobre desgraçado não consegue largar o osso! Lol porquê? Porque é controlado pelo ego, é completamente controlado por uma emoção negativa, ou ilusão, perdendo a noção da realidade. É insanidade, e é sempre tóxico para ele próprio. Tal como David Hawkins disse: “Os não-íntegros caiem pela sua própria mão”. E faz sentido, uma vida de emoções negativas e escolhas não-íntegras mal intencionadas só pode dar em desastre. Acrescento também uma citação de Santo Agostinho: “Odiar é como beber o veneno e esperar que o outro morra”. E é fácil perceber que o veneno só afecta quem o bebe. Bom, eu acho que sim, pois pelo menos eu nunca consegui embebedar a pessoa que estava ao meu lado sendo eu o único dos dois a beber o álcool lol

O manipulador nunca irá admitir que está a tentar manipular-te. Uns mais espertos vão admitir até certo ponto para depois te poderem apanhar de surpresa no futuro. Podem até fingir que não, e que está tudo bem, e depois voltam à carga usando o factor surpresa. Podem mudar de estratégia, tipo, intensidade e regularidade.

Passando aos tipos de manipulador:

Aqui há categorias. Temos dois tipos agressivos e dois tipos passivos. Dentro de cada um temos um mais primitivo (emocional, óbvio, básico), e outro mais sofisticado (lógico, esperto, disfarçado). Vou então apresentar-te estas belas peças:

O Intimidador (Agressivo, Primitivo)

Este é aquele tipo de manipulador que te quer controlar através de medo. Ele faz-te ameaças, sejam estas aos gritos ou aparentemente mais calmas. É aquele que diz coisas do género, “se me deixas eu mato-te!” (como por exemplo o marido a ameaçar a mulher); ou “se não me dás o dinheiro eu espanco-te”; ou “é melhor fazeres o que te digo senão as consequências serão graves...”. Ele quer que tenhas medo do que pode acontecer se não fizeres o que ele quer.

Aqui vou abrir uma sub-categoria para falar de 2 tipos fora dos 4 clássicos, que quase de certeza conheces:

O Provocador

Este campeão tenta provocar em ti raiva. A estratégia é geralmente ofender-te intensamente e/ou repetidamente (a ti, a alguém ou algo que amas. Chamar-te “Filho da puta” costuma ser um dos trunfos lol outro é tentar ferir o orgulho do teu ego pondo em causa a tua masculinidade/sexualidade – se fores homem). Ele quer-te irritar e fazer com que te passes da cabeça. Ele quer que percas a cabeça e digas ou faças algo estúpido, que não tem a ver com a pessoa que és (fora de carácter). O objectivo é depois poder pegar nisso estúpido que disseste ou fizeste, para te julgar/magoar, ou manipular de outra forma. Ou então para que faças má figura perante outras pessoas, dando cabo da tua reputação/imagem, com o objectivo de mudar a ideia que elas têm de ti. Repara que neste caso fizeste ou disseste algo porque foste provocado, não é um comportamento normal teu. O teu ego foi alimentado de fora ao ponto de a sua emoção negativa ser tão intensa que este ganhou acesso aos controlos das tuas escolhas. Só que para quem estiver de fora e não te conhecer, pode pensar que na verdade és mesmo assim e ficar com uma má ideia errada de ti. Para o manipulador são mais munições para julgamentos, (“Vês? Se fosses como dizes/aparentas não terias dito/feito isso! És falso! Não prestas!”), para te magoar, baixar a confiança/auto-estima, fazer duvidar de ti próprio e do teu valor, etc, ou para usar em futuras manipulações.

O Gozão

Semelhante ao provocador, este fantástico embaixador da arrogância, também usa insultos, intensamente e/ou repetidamente, mas num formato de pseudo-humor. Não são piadas genuínas, só fazem rir o orgulho do ego do manipulador pois alimentam a sua ilusão da tua inferioridade perante ele (e da sua falsa superioridade perante ti). O objectivo é humilhar para magoar através de insultos e ofensas. Para baixar a tua auto-estima e confiança, para te deixar em baixo, triste e depressivo. É um jogo de falsa superioridade, com “piadas” de mau gosto, para inferiorizar. Certamente já ouviste falar de bullying e cyberbullying: tanto o provocador como o gozão encaixam-se bem nessas duas actividades lúdicas do ego. Gozar com a pessoa por causa da sua aparência, ou alguma deficiência, por exemplo, é uma estratégia clássica, (Exemplo: “Olha o caixa-de-óculos com ar de sonso! Parece o Jar-Jar Binks bêbado! Oh pateta a secção das experiências de laboratório falhadas é ali ao fundo, no caixote do lixo amarelo!”).

Passamos para o Interrogador (Agressivo, Sofisticado)

Este basicamente faz-te perguntas falsas. Ele não quer saber a verdade de nada, ele quer é obter de ti algum conteúdo/resposta no qual possa pegar para te manipular, controlar, julgar ou magoar depois. Ele parece que é alguém a quem podes responder descontraídamente, mas não é. Não é como um amigo verdadeiro. Quer apanhar-te em alguma inconsistência, para usar isso contra ti, por muito inocente e irrelevante que essa inconsistência seja. Portanto o interrogador finge estar numa conversa normal e inocente contigo, com a intenção de te apanhar de surpresa e sacar-te informação para usar contra ti depois. Mas na presença de um interrogador tu sabes que algo não está bem, sentes-te a ser caçado de alguma forma, e julgado/odiado. Um exemplo do tipo de coisas que um interrogador pode perguntar é, “Tu não gostas de wrestling, pois não?”, e ele sabe que gostas. E tu vais ser sincero e dizer que sim, que gostas. E ele a seguir vai-te atacar por isso e fazer-te sentir estúpido por gostares de wrestling. Ele vai usar argumentos e julgamentos como o wrestling é uma parvoíce e quem gosta de wrestling é um idiota. Outra forma de fazer a pergunta é, “Tu não és daqueles idiotas que gostam de wrestling, pois não?”. Há outras variações, mas este exemplo é clássico.

A seguir temos A Vítima (Passivo, Primitivo)

Também conhecido por O Coitado, é aquele manipulador que usa a emoção de culpa para controlar os outros e obter a sua atenção e simpatia. Queixa-se dos problemas que tem, das doenças, dos sofrimentos, do que não tem, do que lhe fizeram, etc, num ciclo pessimista sem fim, em que nunca assume a responsabilidade pela sua vida e altera a sua essência e/ou circunstâncias. Ele aproveita-se da boa vontade, compaixão e empatia dos outros para os controlar e manter por perto, para os aproximar de si e obter a sua atenção. Ele quer ser o centro das atenções pela negativa, nunca assumindo a responsabilidade pelas suas emoções e vida. Isto é desgastante e cansativo para o manipulado, que se vê em baixo desnecessariamente, vê a sua vida parada, oportunidades de experiências positivas desperdiçadas, tenta ajudar O Coitado mas este nunca faz nada para mudar, mas ao mesmo tempo tem dificuldade em dizer que não ou em afastar-se, pois A Vítima costuma ter a aparência de bonzinho que não faz mal a uma mosca. E é esse o seu trunfo: provocar pena nos outros, sentimento de culpa se não lhe darem atenção e não lhes dar razões (activamente e aparentes) para o rejeitarem. Mas a sua atitude de manipulação passiva é mais que razão suficiente para se rejeitar esta pessoa tóxica.

Finalmente temos o Indiferente (Passivo, Sofisticado)

Este tipo de manipulador finge desinteresse para os outros irem atrás dele e o validarem com atenção. É esperto e orgulhoso. Tanto homens como mulheres usam esta estratégia na sua vida amorosa para fazer o outro ir atrás de si. Por exemplo, há mulheres que não respondem às mensagens dos homens para fazer com que eles andem atrás delas, e enviem mais mensagens, demonstrando interesse, e assim fazendo com que elas se sintam validadas, se sintam o objecto de desejo, quem controla a ligação e o que acontece, contribuindo para o seu orgulho feminino de se sentirem bonitas (sexualmente apelativas). Claro que os homens ou as mulheres que fazem isto fazem-no a várias pessoas do sexo oposto, e têm uma pequena colecção de desgraçados mais carentes, sem opções e sem experiência a andar atrás deles acreditando que o Indiferente gosta deles, que um dia algo irá acontecer, mas estão apenas presos numa teia de jogos de distâncias, usados emocionalmente por narcisistas que não querem saber deles para nada.

Em termos da mudança de estratégia, tudo é possível. Não creio que seja linear. Um Intimidador ao ver que a intimidação não está a resultar, pode passar para Interrogador. Daí pode voltar para Intimidador, e depois até talvez se faça de inocente e passe para a Vítima. O Indiferente é o extremo oposto do Intimidador, em princípio será raro este adoptar essa atitude, mas é possível, nunca se sabe. Estou apenas a dar uma ideia geral e a falar de probabilidades. É o mesmo com os outros tipos.

Então como podes evitar não ser manipulado?

Primeiro, estar informado. Saber bem como é um manipulador e que estratégias costuma usar, e ter sempre isso em mente para mais dificilmente seres apanhado de surpresa e rapidamente perceberes o que se está a passar, é essencial. Pesquisa sobre o tema, compra livros, informa-te.

Segundo, tens de ter sempre consciência de como és, das tuas intenções e do que sabes que é verdade, para que nunca ninguém consiga fazer-te duvidar de ti próprio, e estares mais tranquilo com o que quer que seja que um manipulador diga ou faça.

Terceiro, tem sempre em mente que tudo o que um manipulador faz é mal intencionado e narcisista, logo tem sempre uma energia negativa. Sentes-te atacado, julgado ou controlado. Confia na tua intuição, e não te percas nas aparências e conteúdos que o manipulador apresenta. Foca-te na energia do que está a ser dito e no contexto, e assim perceberás mais rapidamente que se trata de uma manipulação.

Quarto, esquece o manipulador. Não o tens de convencer de nada, não o tens de fazer mudar de ideias, ele não tem de gostar de ti, ele pode continuar a pensar o mesmo de ti, não precisas da validação dele, não lhe tens de dar qualquer resposta nem reagir ao que ele faz e diz. Ele acaba por desistir se nunca responderes e se nunca fizeres o que ele quer. Se responderes ou fizeres, ele vai perceber que tem poder sobre ti e vai continuar. Tens de te manter firme diga ou faça ele o que fizer. Tens de demonstrar que ninguém manda em ti, e que não é possível ser controlado. E quanto mais independente fores, quanto menos precisares dos outros, menos poder eles têm sobre ti. Só aqueles que querem algo, ou precisam de algo do manipulador, é que podem ser manipulados e usados.

Quinto, o manipulador depende de conteúdo. Ou seja, ele precisa que o conteúdo chegue até ti (tens que ler ou ouvir o que ele tem a dizer), e ele precisa que tu acredites no que ele te transmite. Se estiveres focado no contexto e na energia do conteúdo, este não te controla e tu não acreditas nele. Não leves nada pessoalmente que um manipulador faça ou te diga. Tudo o que ele faz ou diz nada revela sobre ti, mas só e apenas sobre a pessoa que ele é. E se te aperceberes que a pessoa com quem estás te está a tentar manipular, diz-lhe isso. Fá-la perceber que sabes o que ela está a tentar fazer e que não é possível enganar-te.

Sexto, os manipuladores acreditam que não existe nada para além do ego. Eles acham que todos funcionamos da mesma forma, logo que todas as suas estratégias vão funcionar com todas as pessoas. Eles projectam para todos a sua forma de funcionar em que são controlados pelas emoções e pelo ego. Quanto mais contemplares, mais te vais aperceber das emoções e tentativas de controlo do ego, e poderás em tempo real recusar segui-los. Logo, independentemente do que o manipulador provoque no teu ego, tu já não o segues, as suas emoções e pensamentos não definem as tuas escolhas. Não és reactivo nem impulsivo, mas sim consciente e racional. Tal como Viktor Frankl disse: “Entre o estímulo e a resposta há um espaço. Nesse espaço está o nosso poder para escolher a nossa resposta. Na nossa resposta reside o nosso crescimento e liberdade”. Contemplando ganhas consciência desse espaço, pois esse espaço é a consciência em si. E seja qual for o estímulo provocado pelo manipulador, a resposta depende apenas do nosso poder de escolha. Ou seja, não é possível manipular o Espírito. És sempre livre, se quiseres.

Para acabar, é importante também não viver paranóico com isto. Cauteloso e atento sim, mas paranóico não. Lembra-te que a energia do que vem da manipulação é sempre negativa e destrutiva, e está desalinhada com o contexto em que acontece. E se souberes como és, as tuas intenções, o que queres e a verdade, ninguém te pode controlar nem magoar.

Segue o que Amas,
Pedro C.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

“Motivação Para Mudar”


“Motivação Para Mudar”


Pergunta de leitor do Cool Vibes:


Olá Pedro. Espero que esteja tudo fixe contigo. Agradeço mais uma vez por todos os ensinamentos e conteúdos partilhados neste blog. Tenho duas perguntas para te fazer.

Já disseste no blog, até mais do que uma vez, que para querermos realmente mudar e termos uma vida mais agradável, é preciso primeiro bater mesmo lá no fundo, onde o sofrimento é insuportável, para nos motivar a mexer. É possível que já tenhas explicado isto nalgum post, mas podias explicar mais detalhadamente como chegar a esse fundo? Já me aconteceram situações em que fiz escolhas erradas (porque segui o super-ego lool), mas só passado alguns minutos ou horas é que me apercebi disso, e fiquei a sentir-me demasiado frustrado, e disse para mim próprio que ia mudar. Mas passado dias ou semanas, ou até meses, sinto que voltei a perder a motivação para mudar, o que me leva a concluir que de facto não tinha atingido o “fundo do poço” ainda. Como proceder para chegar mesmo a esse fundo? Existe algum processo?

A segunda pergunta tem a ver com a primeira, e é a seguinte: porque é que há situações na vida em que, quando fazemos uma escolha errada, no momento sentimos uma “boa” dose de orgulho, e só depois nos sentimos insatisfeitos? Será o ego a pregar rasteiras?

Mais uma vez muito obrigado, e um forte abraço! :)”


Resposta, comentários:

Olá! Estou fixe obrigado, espero que estejas bem. Obrigado eu pela oportunidade, é uma honra e satisfação falar sobre estes temas e tentar ajudar.

Dizem que uma pessoa só sente motivação para mudar quando atinge o seu fundo. Atingir o fundo significa que a pessoa chegou a um nível de sofrimento que já não aguenta mais. É insuportável e está saturada de viver assim. Nesse momento a pessoa ganha uma energia (motivação, determinação, vontade, desejo, etc) e chega a um estado em que está disposta a largar o que for preciso, aprender o que for preciso e fazer o que for preciso, para mudar e alterar o que a faz sofrer, de forma a sentir-se mais feliz na vida. Isto pode ser descrito como o estado de estar disposto a morrer pela sua felicidade.

Também é dito que essa vontade de mudar pode vir de inspiração. A pessoa vê alguém que é de uma forma que ela também quer ser, ou que é capaz de fazer algo que a pessoa também quer ser capaz de fazer, ou que tem um tipo de vida que a pessoa também quer ter. Também é possível que uma pessoa veja algo que quer ter e que isso a leve a seguir um caminho de mudança para o conseguir ter. Um exemplo disto é uma criança que vê o Cristiano Ronaldo a jogar e que quer ser como ele quando for grande.

Em termos de atingir o fundo, o que é explicado pelo David Hawkins é que se assim não acontecer, o domínio do ego perante a pessoa é demasiado forte, e este não larga o osso, digamos assim. Ou seja, o ego só desiste das suas ilusões favoritas (que levam a más escolhas, que por sua vez levam a dor e sofrimento), quando o sofrimento é mesmo intenso. Muitas vezes é preciso uma tragédia para o ego da pessoa baixar os braços, desistir e render-se. É nesse momento de humildade que vem a tal energia extra (motivação para mudar).

Cada pessoa tem o seu fundo. O que para uns é na boa, para outros pode já ser insuportável.

Pelo que descreves também não me parece que tenhas atingido o fundo do poço. Acho que, se calhar, precisarás de muitos ciclos desse género até ficares saturado o suficiente para mudares definitivamente. Tudo é possível, uma vez que a nossa evolução de consciência não é linear. Uma coisa parece-me que tem de haver sempre: a intenção real de querer mudar. Isso irá, mais cedo ou mais tarde, seja porque razão for, dar na tal motivação que pode vir de saturação, inspiração ou desejo.

Talvez seja boa ideia não estares demasiado obcecado com isto de mudar e ter motivação para mudar. Experimenta relaxar em relação à tua evolução e desfrutar a vida à tua maneira. Isto não se trata de uma competição ou de uma corrida, apenas de ser feliz. Apesar de agora parecer que não tens a tal motivação para mudar, certamente terás outras coisas positivas em ti e na tua vida. Com optimismo, gratidão e a intenção de evoluir, será apenas uma questão de tempo até surgir essa motivação com consistência, e essa dedicação fazer parte do teu estilo de vida.

Acho que atinge-se o fundo naturalmente. Não creio que seja um processo que se force. Não o recomendo, pois isso provavelmente seria apenas gerar sofrimento através de más escolhas e estragar o nível de felicidade natural que se tem e merece karmicamente. Creio que é um processo natural que vai acontecendo quando somos autênticos e seguimos aquilo em que acreditamos. Seguindo aquilo em que acreditamos, vamos fazer escolhas e viver a vida através disso, o que nos vai levar a certas experiências de vida, e são nessas experiências de vida que estão as lições que precisamos de aprender.

Ao fazermos isso, basicamente estamos a testar as nossas crenças. Umas estarão alinhadas com a Verdade/Realidade, e trazem felicidade, resultam; outras serão ilusões do ego e não vão resultar, trazendo dor e sofrimento. Esse sofrimento, quando intenso o suficiente, ou repetido o suficiente, traz-nos a sabedoria de deixar de ser assim, deixar de pensar assim e deixar de fazer assim. É um sintoma de que estamos a ir no caminho errado. Mas temos de o sentir subjectivamente, através de experiência, para aprendermos a lição. É por isso que se diz que só se aprende com os erros, e errar é humano, logo julgar os erros de alguém é não reconhecer o seu valor em termos de evolução, pois é esse o seu propósito. É esta a minha experiência e o que li em muitos sítios diferentes, especialmente mais bem explicado por David Hawkins.

Também posso acrescentar que quanto mais atentos estivermos ao ego e ao que se passa dentro de nós (emoções, impulsos, pensamentos), mais cedo nos apercebemos dos impulsos que nos levam às escolhas erradas quando estes surgem, e assim temos a liberdade de escolher segui-los ou não. Se somos apanhados sempre de surpresa por eles, e os deixamos crescer até formarem uma ilusão convincente (que se disfarça de realidade, ou de uma boa ideia), vamos segui-los e continuar a fazer as mesmas escolhas erradas do costume que depois num outro estado mais positivo e consciente (em que não estamos a ser cegos por uma emoção), nos apercebemos do que fizemos e nos arrependemos.

Quanto à segunda pergunta, David Hawkins descreve isso muito bem, e chama-lhe o “sumo” (“the juice”). Segundo ele o ego tem prazer com o negativo. Há um prazer imediato de curto prazo quando o ego sente uma emoção negativa e esta condiciona uma escolha ou pensamento. As emoções negativas dão prazer ao ego, é por isso que é tão difícil para nós deixarmos de estar identificados com o ego, e deixarmos de pensar negativo, e deixarmos de impulsivamente seguir essas emoções. Há um prazer narcisista que as acompanha, e que dá força ao ego. Acho que estamos todos viciados no ego, uns mais outros menos, senão já seriamos todos Iluminados =)

Para acabar, e porque falas em motivação e no ego, se estiveres interessado lê um livro do Tony Robbins, acho que pode ser útil para ti. E se calhar seria muito bom para ti leres o Letting Go do David Hawkins, se ainda não o fizeste.

Relembro que David Hawkins não só foi um Místico Iluminado como também um psiquiatra genial de sucesso durante décadas, que tratou e curou clinicamente muitas pessoas com todo o tipo de patologias que outros colegas da área consideraram sem esperança e sem cura.

Obrigado pelas tuas perguntas.

Segue o que Amas,
- Pedro C.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

"A Contemplação e o Processo de Evolução"


A Contemplação e o Processo de Evolução


É possível subir de nível de consciência sem contemplar? É possível saltar níveis de consciência? Como é o processo de evolução? E o que raio aconteceu aos comentários do Cool Vibes?






Perguntas de leitores do Cool Vibes “Olá Pedro, boa tarde. É possível subir de nível de consciência sem contemplar e/ou meditar? Digo isso pois tenho um amigo que foi usuário de drogas, não gostava de interagir com as pessoas e não se relacionava com mulheres. Então ele mudou da água pro vinho. Em pouco tempo virou professor de português para concursos públicos, conhece quase todas as pessoas que passam quando estou junto com ele e se relaciona com algumas mulheres. Tudo o que ele quer, ele simplesmente vai e faz. Confesso que de vez em quando sinto inveja das conquistas dele, mas contemplo o sentimento e agradeço por ter uma pessoa com tamanha coragem próxima a mim. Obrigado!”
“Olá Pedro, falo do Brasil, a uns 2 anos atrás fiz uma pergunta para você que eu falei que quando conheci o blog eu achava que eu estava no nível de consciência da vergonha, e você me respondeu que era um erro tentar saber em qual nível estamos, agora minha pergunta é: Você diz que não é possível saltar níveis, por exemplo se eu estivesse no nível do medo e estivesse fazendo o trabalho espiritual e de desenvolvimento pessoal que você partilha nos áudios e textos e eu conseguisse evoluir eu passaria para o nível do desejo certo, eu me tornaria uma pessoa controlada pelo desejo, que não ficaria satisfeito com nada que tivesse, sempre querendo mais, ou se eu fosse uma pessoa que estivesse no desejo e subisse para a raiva, me tornaria uma pessoa que estava sempre discutindo e etc? Poderia uma pessoa fazendo o trabalho espiritual estando em qualquer nível baixo do ego chegar no nível da coragem sem ter que ser raivoso e orgulhoso e controlado pelo desejo, é isso que eu queria entender?”


Obrigado pelas vossas perguntas.

Segue o que Amas,
- Pedro C.